O Vale-Tudo Em Vale Seco

História do Tio Patinhas, de 1980.

No universo Disney é comum que os membros mais velhos das famílias contem histórias aos mais jovens, especialmente sobre antepassados ou lembranças de suas aventuras da juventude.

Mas o que aconteceria se os membros de diferentes famílias tivessem a mesma história para contar? Afinal, Patópolis é uma cidade relativamente pequena, todo mundo lá se conhece, e alguns personagens já estão dando seus pulinhos pela região há algumas décadas.

O interessante, e essa é a principal sacada de papai, é que toda história tem pelo menos dois lados, dependendo de quem a conta. Na maioria das vezes a versão que fica é a dos mocinhos, ou a dos vencedores.

Também é verdade que, ao contar uma história sobre si mesma, a maioria das pessoas tenta “adaptar” os fatos para aparecer bem na fita. Ninguém vai se acusar de um crime, por exemplo, nem reconhecer que fez algo de que não deveria se orgulhar. Além disso, se alguém já desconfiava de que o Vovô Metralha vai inventando as histórias sobre os antepassados à medida que as vai contando, agora não vai mais ter dúvidas. E, ao que parece, o Patinhas também também não é lá muito santo, nesse quesito.

Hoje temos o relato de um assalto, no qual um jovem “vovô” Metralha, aqui sob seu antigo nome de “Grande Metralha”, tenta roubar uma valiosa carga de água potável que um jovem Patinhas está transportando pelo meio do deserto.

E esta é a segunda grande sacada de papai para esta história, pois o fato é que, durante a corrida do ouro nos EUA e Canadá, nem sempre eram os mineiros que ficavam ricos. Na realidade, a maior parte do ouro extraído ia mesmo parar nas mãos de comerciantes de todos os tipos.

Muita gente que chegou a essas áreas para minerar logo percebeu que valia mais a pena suprir as necessidades dos outros aventureiros do que se esfalfar de sol a sol por alguns gramas do metal precioso. Esse parece ter sido o caso também do Patinhas. Afinal, os mineiros também eram gente e precisavam comer, beber, se vestir, ter boas ferramentas, descansar e se divertir.

Por último, uma curiosidade: eu sei que os personagens Disney são na verdade eternos, mas os dois personagens principais estão muito bem conservados para os seus mais de 100 anos de idade, não? Vai ver, Patópolis tem um toque de “Terra do Nunca”, também.

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Os Metralhas Das Cavernas

História dos Irmãos Metralha, de 1976.

A trama trata dos primórdios da História humana, e tenta explicar, sempre de modo divertido, como é que foram “inventadas” coisas como o roubo, as defesas antirroubo e a polícia, entre outras, como o dinheiro, o comércio e a riqueza.

E afinal, o crime compensa ou não? Tudo é uma questão de ponto de vista, é claro, e do preço que se deve estar disposto a pagar para poder “viver sem trabalhar”.

A participação do Metralha Azarado hoje será engraçada mas limitada, porque nesta época ele ainda não havia sido alçado a “estrela” da série. O foco está todo no Vovô e na história dos antepassados.

Há também a participação de antepassados do Tio Patinhas e do Professor Pardal, como os bons que darão combate às forças do mal.

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O Comprido, O Gordo E O Tapado

História dos Irmãos Metralha, de 1981.

Esta história é inspirada em um antigo conto de fadas chamado “O Tesouro dos Três Irmãos” (que pode ser lido no link). Como o conto não é exatamente conhecido do grande público, papai se deu liberdade para ser mais ou menos fiel a ele, mas sempre com as modificações de praxe por conta das características dos personagens.

Uma das modificações que papai fez ao conto original foi fazer os poderes dos objetos desaparecerem depois de algum tempo, para que os Metralhas não possam se beneficiar deles para sempre, já que não merecem.

Além disso, essa é uma característica da magia em histórias Disney: com raras exceções, os usuários de poderes e objetos mágicos não devem se beneficiar indefinidamente deles. E se, no final, o feitiço puder ser virado contra o feiticeiro, tanto melhor.

Os Metralhas da vez não têm números, mas são antepassados dos atuais. Assim sendo, há também um Azarado entre eles, associado com o irmão Tapado. E, como sempre, o Azarado atual passa a história toda torcendo pelo sucesso de seu antepassado.

Será mesmo que desta vez o Azarado vai se dar bem? Quem ler, verá.

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O Conde De Montecristal

História da Família Metralha, de 1980.

Inspirada no livro “O Conde de Monte Cristo”, escrito por Alexandre Dumas e publicado na forma de capítulos em série a partir de 1844, esta é mais uma daquelas histórias que o Vovô Metralha conta e que a gente não sabe se é verdade ou inventada.

De qualquer maneira, o que o Vovô parece estar fazendo (e o que papai estava fazendo sem sombra de dúvida com os leitores) é tentar ensinar, de maneira bem indireta e divertida, alguma coisa de História e literatura aos seus desmiolados netos (até mesmo porque ensinar também é uma forma de amar).

Quando leitura é manga de colete e o interesse pelos estudos é nulo (afinal de contas, se gostassem de ler e estudar talvez os Metralhas não tivessem se tornado bandidos), um “teatrinho” e uma história bem contada podem fazer uma pessoa aprender sem perceber, enquanto pensa que está só se divertindo um pouco.

Já o “papel” de Edmond Dantés (pronuncia-se “Dantês”) é perfeito para o Metralha Azarado, já que se pode argumentar que o personagem principal do livro de Dumas também era um bocado sem sorte. Assim, ele será o personagem central e também a maior vítima de todo tipo de desventura, para a diversão do leitor.

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Quanto ao próprio 1313, além de ser a “linha de ligação” entre todas as histórias desta série, é divertido ver a paixão com a qual ele sempre defende seus vários “antepassados”, na (vã) esperança de encontrar algum que não tenha sido assim tão azarado. Ele parece pensar que encontrar um “1313 sortudo” em algum lugar do passado talvez possa redimi-lo, mesmo que seja só um pouquinho.

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O Capitão Metralha

História do Vovô Metralha, de 1975.

O que parece um “mero conto” de piratas está recheado de referências históricas sutis. Também pertencente à série “Metralhas históricos”, este é mais um exercício de imaginação sobre o tema “piratas” inspirado nos livros que papai lia quando criança.

A história se inicia com uma sutil “conta de mentiroso”, mais ou menos no estilo do conto de fadas chamado “O Alfaiate Valente”, também conhecido como “Mata Sete”. Isso serve para jogar aquela dúvida inquietante na direção do leitor: será que os antepassados que povoam todas essas histórias que o Vovô conta existiram de verdade, ou ele os está inventando à medida que vai falando?

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O resto da história versa sobre os usos e costumes dos antigos piratas como os percebemos nos livros de História e Literatura. A espionagem feita por agentes infiltrados é algo que a polícia usa até hoje com bandos de motoqueiros, por exemplo, e que devia ser muito comum naqueles tempos.

As superstições também. O próprio ambiente inclemente dos navios e da vida à margem da lei no mar dava ensejo a todo tipo de pensamento e comportamento “mágico” que pudesse dar a seus praticantes a sensação de estar atraindo a sorte e a vitória para si. Assim, coisas como comer certos alimentos ou fazer certas ações repetitivas logo antes de um momento desafiador poderiam servir como uma válvula de escape para aliviar a tensão e proporcionar confiança para a batalha.

O prato servido ao Capitão Metralha não é aleatório. Além de ser muito popular ainda hoje em restaurantes à beira mar ao redor do mundo, especialmente os com temática “pirata”, o peixe frito com batatas é um típico lanche britânico, conhecido como Fish and Chips. É óbvio que existem muitas variações desse prato, e eu não duvido que piratas de verdade o tenham preparado em seus navios. Mas isso também coloca o Capitão Metralha como britânico.

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O Almirante Patiñas, por sua vez, por causa do “ene com til” no nome, (bem como o Grumete Peniña) está claramente a serviço da coroa espanhola. Ingleses contra Espanhóis, aliás, foi a principal guerra entre nações durante algum tempo no mundo. Ela se iniciou no finalzinho do Século XVI e se estendeu até o Século XVIII, e os piratas e corsários das duas nacionalidades tiveram um papel de destaque nela.

Mas a preocupação do Patiñas com a permanência dos ratos no navio (sua fuga significaria a derrota na batalha) me lembra bastante o antigo costume de se manter alguns Corvos na Torre de Londres, pois existe uma profecia que diz que, se esses pássaros abandonarem o local, o Reino Unido será destruído.

Além disso, esse tipo de fora da lei marinho é chamado pelo nome genérico de “pirata”, mas ao longo do tempo eles foram conhecidos por várias denominações, como piratas, bucaneiros, corsários, flibusteiros, etc. O fato é que qualquer ladrão pé-de-chinelo em um bote a remos que pratique assaltos aos turistas que se aventuram no mar pode ser, até hoje, considerado um pirata.

Mas um tipo especial desses vilões que existiu eram os Corsários, “piratas oficiais” e profissionais que trabalhavam diretamente para os governos da Espanha e do Reino Unido dos séculos XVI e XVII. Assim, tudo leva a crer que os antepassados de ambos os lados nesta história não são exatamente piratas, mas corsários.

Por fim, a impagável participação do Azarado 1313 (que aliás passa a história toda dormindo enquanto seu antepassado apronta) é a linha que perpassa, une e arremata a tudo no final.

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O Poderoso Metralhão

História dos Irmãos Metralha, de 1975.

Da série “Metralhas Históricos”. Desta vez a referência é ao filme “O Poderoso Chefão”, de 1972. Assim, o “Poderoso Metralhão” seria um tio dos Metralhas atuais.

Mas, apesar da aparência, com terno riscado de alfaiataria, monóculo e bochechas caídas, a semelhança com a máfia italiana para por aí. Também não fica claro que tipo de crime esse “Metralhão” praticava com seu bando. Tudo o que se sabe é que ele era procurado pela polícia na Patópolis dos anos 1920, mas tinha muita prática em fugir e se disfarçar.

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Ao que tudo indica, ele era tão pé de chinelo como todos os outros Metralhas através da História, praticando pequenos assaltos por onde passava. O modus operandi aqui é se infiltrar em festas e outros eventos com muitos participantes e se aproveitar da descontração e distração dos incautos para roubar à mão armada.

O método de fuga e local de esconderijo são quase perfeitos, e o principal plano de assalto, como sempre, é bom. Mas é claro que, com o 1313 (que na verdade é um tio do Azarado que conhecemos) por perto, nada pode dar certo. Um erro crasso, daqueles bem bobos mesmo, será mais uma vez a ruína do bando, para a diversão do leitor.

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Os Ladrões De Sandálias

História dos Irmãos Metralha, de 1981.

Esta é mais uma da série “Metralhas Históricos”, na qual o Vovô conta uma história sobre uma quadrilha de antepassados e suas desventuras em tempos antigos.

Mas desta vez papai resolveu inovar um pouco: os “Irmãos Trabuco” (trabucos são certamente armas mais antigas que metralhadoras) e seu primo azarado Xabu (que é a onomatopeia usada quando uma explosão falha) vivem na Babilônia, nos tempos do rei “Hammurabu” (uma referência ao Rei Hamurabi, que existiu de verdade).

Para deixar as coisas mais interessantes, papai descreve uma sociedade onde não há dinheiro. O comércio é todo feito na base da troca. Seria fácil demais inventar alguma coisa valiosa para ser roubada, mas isso certamente deixaria a história bastante repetitiva em relação às outras da série. Assim, é bom variar um pouco, de vez em quando, para não correr o risco de entediar o leitor. O que haveria, então, de valioso para se roubar? Isso torna os antepassados dos Metralhas duplamente “pés de chinelo”, já que o que eles roubam é justamente… chinelos! (Ou melhor, sandálias, mas dá na mesma.)

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O resto da história, em adição ao golpe pé de chinelo cometido com toda a pompa de um assalto ao trem pagador, são referências ao antigo império e cidade-estado, com menções aos lendários Jardins Suspensos, à escrita cuneiforme, ao famoso Código de Hamurabi, além de nomes de antigos reis Assírios como Sargão I e Sargão II, e de povos, como os Fenícios e os Cassitas. Para quem for curioso o suficiente para se dar ao trabalho de pesquisar, é uma aula de História completa.

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E além dos Metralhas antigos e das referências a chinelos, temos aqui mais uma vez a figura do burrico, para simbolizar que toda desonestidade é burra.

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