O Comprido, O Gordo E O Tapado

História dos Irmãos Metralha, de 1981.

Esta história é inspirada em um antigo conto de fadas chamado “O Tesouro dos Três Irmãos” (que pode ser lido no link). Como o conto não é exatamente conhecido do grande público, papai se deu liberdade para ser mais ou menos fiel a ele, mas sempre com as modificações de praxe por conta das características dos personagens.

Uma das modificações que papai fez ao conto original foi fazer os poderes dos objetos desaparecerem depois de algum tempo, para que os Metralhas não possam se beneficiar deles para sempre, já que não merecem.

Além disso, essa é uma característica da magia em histórias Disney: com raras exceções, os usuários de poderes e objetos mágicos não devem se beneficiar indefinidamente deles. E se, no final, o feitiço puder ser virado contra o feiticeiro, tanto melhor.

Os Metralhas da vez não têm números, mas são antepassados dos atuais. Assim sendo, há também um Azarado entre eles, associado com o irmão Tapado. E, como sempre, o Azarado atual passa a história toda torcendo pelo sucesso de seu antepassado.

Será mesmo que desta vez o Azarado vai se dar bem? Quem ler, verá.

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O Conde De Montecristal

História da Família Metralha, de 1980.

Inspirada no livro “O Conde de Monte Cristo”, escrito por Alexandre Dumas e publicado na forma de capítulos em série a partir de 1844, esta é mais uma daquelas histórias que o Vovô Metralha conta e que a gente não sabe se é verdade ou inventada.

De qualquer maneira, o que o Vovô parece estar fazendo (e o que papai estava fazendo sem sombra de dúvida com os leitores) é tentar ensinar, de maneira bem indireta e divertida, alguma coisa de História e literatura aos seus desmiolados netos (até mesmo porque ensinar também é uma forma de amar).

Quando leitura é manga de colete e o interesse pelos estudos é nulo (afinal de contas, se gostassem de ler e estudar talvez os Metralhas não tivessem se tornado bandidos), um “teatrinho” e uma história bem contada podem fazer uma pessoa aprender sem perceber, enquanto pensa que está só se divertindo um pouco.

Já o “papel” de Edmond Dantés (pronuncia-se “Dantês”) é perfeito para o Metralha Azarado, já que se pode argumentar que o personagem principal do livro de Dumas também era um bocado sem sorte. Assim, ele será o personagem central e também a maior vítima de todo tipo de desventura, para a diversão do leitor.

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Quanto ao próprio 1313, além de ser a “linha de ligação” entre todas as histórias desta série, é divertido ver a paixão com a qual ele sempre defende seus vários “antepassados”, na (vã) esperança de encontrar algum que não tenha sido assim tão azarado. Ele parece pensar que encontrar um “1313 sortudo” em algum lugar do passado talvez possa redimi-lo, mesmo que seja só um pouquinho.

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O Capitão Metralha

História do Vovô Metralha, de 1975.

O que parece um “mero conto” de piratas está recheado de referências históricas sutis. Também pertencente à série “Metralhas históricos”, este é mais um exercício de imaginação sobre o tema “piratas” inspirado nos livros que papai lia quando criança.

A história se inicia com uma sutil “conta de mentiroso”, mais ou menos no estilo do conto de fadas chamado “O Alfaiate Valente”, também conhecido como “Mata Sete”. Isso serve para jogar aquela dúvida inquietante na direção do leitor: será que os antepassados que povoam todas essas histórias que o Vovô conta existiram de verdade, ou ele os está inventando à medida que vai falando?

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O resto da história versa sobre os usos e costumes dos antigos piratas como os percebemos nos livros de História e Literatura. A espionagem feita por agentes infiltrados é algo que a polícia usa até hoje com bandos de motoqueiros, por exemplo, e que devia ser muito comum naqueles tempos.

As superstições também. O próprio ambiente inclemente dos navios e da vida à margem da lei no mar dava ensejo a todo tipo de pensamento e comportamento “mágico” que pudesse dar a seus praticantes a sensação de estar atraindo a sorte e a vitória para si. Assim, coisas como comer certos alimentos ou fazer certas ações repetitivas logo antes de um momento desafiador poderiam servir como uma válvula de escape para aliviar a tensão e proporcionar confiança para a batalha.

O prato servido ao Capitão Metralha não é aleatório. Além de ser muito popular ainda hoje em restaurantes à beira mar ao redor do mundo, especialmente os com temática “pirata”, o peixe frito com batatas é um típico lanche britânico, conhecido como Fish and Chips. É óbvio que existem muitas variações desse prato, e eu não duvido que piratas de verdade o tenham preparado em seus navios. Mas isso também coloca o Capitão Metralha como britânico.

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O Almirante Patiñas, por sua vez, por causa do “ene com til” no nome, (bem como o Grumete Peniña) está claramente a serviço da coroa espanhola. Ingleses contra Espanhóis, aliás, foi a principal guerra entre nações durante algum tempo no mundo. Ela se iniciou no finalzinho do Século XVI e se estendeu até o Século XVIII, e os piratas e corsários das duas nacionalidades tiveram um papel de destaque nela.

Mas a preocupação do Patiñas com a permanência dos ratos no navio (sua fuga significaria a derrota na batalha) me lembra bastante o antigo costume de se manter alguns Corvos na Torre de Londres, pois existe uma profecia que diz que, se esses pássaros abandonarem o local, o Reino Unido será destruído.

Além disso, esse tipo de fora da lei marinho é chamado pelo nome genérico de “pirata”, mas ao longo do tempo eles foram conhecidos por várias denominações, como piratas, bucaneiros, corsários, flibusteiros, etc. O fato é que qualquer ladrão pé-de-chinelo em um bote a remos que pratique assaltos aos turistas que se aventuram no mar pode ser, até hoje, considerado um pirata.

Mas um tipo especial desses vilões que existiu eram os Corsários, “piratas oficiais” e profissionais que trabalhavam diretamente para os governos da Espanha e do Reino Unido dos séculos XVI e XVII. Assim, tudo leva a crer que os antepassados de ambos os lados nesta história não são exatamente piratas, mas corsários.

Por fim, a impagável participação do Azarado 1313 (que aliás passa a história toda dormindo enquanto seu antepassado apronta) é a linha que perpassa, une e arremata a tudo no final.

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O Poderoso Metralhão

História dos Irmãos Metralha, de 1975.

Da série “Metralhas Históricos”. Desta vez a referência é ao filme “O Poderoso Chefão”, de 1972. Assim, o “Poderoso Metralhão” seria um tio dos Metralhas atuais.

Mas, apesar da aparência, com terno riscado de alfaiataria, monóculo e bochechas caídas, a semelhança com a máfia italiana para por aí. Também não fica claro que tipo de crime esse “Metralhão” praticava com seu bando. Tudo o que se sabe é que ele era procurado pela polícia na Patópolis dos anos 1920, mas tinha muita prática em fugir e se disfarçar.

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Ao que tudo indica, ele era tão pé de chinelo como todos os outros Metralhas através da História, praticando pequenos assaltos por onde passava. O modus operandi aqui é se infiltrar em festas e outros eventos com muitos participantes e se aproveitar da descontração e distração dos incautos para roubar à mão armada.

O método de fuga e local de esconderijo são quase perfeitos, e o principal plano de assalto, como sempre, é bom. Mas é claro que, com o 1313 (que na verdade é um tio do Azarado que conhecemos) por perto, nada pode dar certo. Um erro crasso, daqueles bem bobos mesmo, será mais uma vez a ruína do bando, para a diversão do leitor.

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Os Ladrões De Sandálias

História dos Irmãos Metralha, de 1981.

Esta é mais uma da série “Metralhas Históricos”, na qual o Vovô conta uma história sobre uma quadrilha de antepassados e suas desventuras em tempos antigos.

Mas desta vez papai resolveu inovar um pouco: os “Irmãos Trabuco” (trabucos são certamente armas mais antigas que metralhadoras) e seu primo azarado Xabu (que é a onomatopeia usada quando uma explosão falha) vivem na Babilônia, nos tempos do rei “Hammurabu” (uma referência ao Rei Hamurabi, que existiu de verdade).

Para deixar as coisas mais interessantes, papai descreve uma sociedade onde não há dinheiro. O comércio é todo feito na base da troca. Seria fácil demais inventar alguma coisa valiosa para ser roubada, mas isso certamente deixaria a história bastante repetitiva em relação às outras da série. Assim, é bom variar um pouco, de vez em quando, para não correr o risco de entediar o leitor. O que haveria, então, de valioso para se roubar? Isso torna os antepassados dos Metralhas duplamente “pés de chinelo”, já que o que eles roubam é justamente… chinelos! (Ou melhor, sandálias, mas dá na mesma.)

Metralhas babilonia

O resto da história, em adição ao golpe pé de chinelo cometido com toda a pompa de um assalto ao trem pagador, são referências ao antigo império e cidade-estado, com menções aos lendários Jardins Suspensos, à escrita cuneiforme, ao famoso Código de Hamurabi, além de nomes de antigos reis Assírios como Sargão I e Sargão II, e de povos, como os Fenícios e os Cassitas. Para quem for curioso o suficiente para se dar ao trabalho de pesquisar, é uma aula de História completa.

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E além dos Metralhas antigos e das referências a chinelos, temos aqui mais uma vez a figura do burrico, para simbolizar que toda desonestidade é burra.

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Mas… Que Descarado!

História dos Irmãos Metralha, de 1977.

Esta é a segunda das três histórias para o Metralha Descarado, e a única que não envolve a Máquina Kar-Eta. Na verdade a história quase não envolve o próprio Descarado. Apesar de não parecer, esse personagem faz, aqui, quase que somente uma participação especial. Depois de uma breve apresentação, dele e de suas habilidades especiais, e de sua “chegada triunfal” ao esconderijo da quadrilha, a história muda sutilmente de direção.

Descarado 1313

Tão sutilmente, aliás, que o leitor talvez só perceba no final. Desta vez vai ser preciso muita atenção para entender o que está acontecendo, antes da revelação na última página. Os elementos chave da trama são a vontade do 1313 de ser tão respeitado quanto o Descarado, o prodigioso azar do 1313, e a mania do Vovô Metralha de dar bengaladas em qualquer um que diga uma “palavra proibida”.

O problema é que apesar de tudo, já que os Metralhas são todos muito parecidos e está escuro, o que dificulta bastante até a situação do leitor, que fica mais propenso a não dar importância ao episódio, só há uma pessoa no bando que é tão azarada a ponto de levar bengaladas por engano, e essa pessoa não é o Descarado. Então, quem é, se o 1313 foi deixado amarrado no esconderijo quando os outros saíram, para não atrapalhar?

Descarado 1313 a

O Vovô, aliás, não perdoa nem a si mesmo, e essa é, com toda a certeza, a melhor piada da história.

Descarado 1313 b

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Os Legionários Metralhas

A segunda história de papai na revista Almanaque Disney No. 126, de 1981, é mais uma da série dos “Metralhas através da história”, e também tem algo a ver com a cultura árabe.

Desta vez temos mais uma referência à Legião Estrangeira Francesa no Norte da África. Essa corporação, pelo menos nos livros de ficção, tinha a fama de aceitar voluntários de qualquer lugar do mundo, sem fazer perguntas nem pedir referências. Assim, todo tipo de pessoa podia ser encontrado em suas fileiras; de jovens idealistas a perigosos foragidos da justiça.

Este segundo caso é, sem dúvida, o desses antepassados dos Irmãos Metralha, que acabaram formando o seu próprio regimento dentro da Legião. Os adversários, como sempre, são os Tuaregues, aqui representados como uns gozadores malvados, que se divertem às custas dos Legionários. O nome do Xeque da vez, “Algoz Adhor”, não deixa dúvidas disso, e o de sua filha “Sherazzarad” é uma mistura do nome de Sherazade, heroína das Mil e Uma Noites e de “azarado”, que será sua vítima nesta trama.

Como sempre nesse tipo de história temos o uso de uma profusão de expressões em idioma francês, dos mais simples e óbvios, como pardon (perdão), que papai esperava que o leitor entendesse sem precisar de tradução, aos mais complexos, que necessitavam até mesmo de uma breve explicação do Vovô Metralha, como crapaudine, uma forma de castigo que podia ser desde um trote, como ter de limpar um piso com a língua, a uma forma de tortura, como deixar um legionário um dia inteiro amarrado sob o sol escaldante do deserto, sem água nem comida.

Metralhas legionarios

A menção ao Forte Zinderneuf nos coloca no Deserto do Saara e isso, juntamente com a esmeralda na tiara da filha do chefe dos Tuaregues, é uma referência ao filme de 1939 Beau Geste, que também é uma aventura com a temática da Legião Estrangeira contra os Tuaregues.

Já “cabeça de trapo” é uma expressão pejorativa que denota uma pessoa de pouca inteligência, numa alusão aos espantalhos usados nas lavouras da Europa, e também uma injúria étnica e religiosa que descreve todos os povos que usam turbantes, como muçulmanos e Sikhs. Mas como a proteção da cabeça contra o sol no deserto é uma necessidade real, muitos Legionários também usavam um lenço sob seus quepes, para proteger suas nucas. Assim, eles também poderiam ser classificados como “cabeças de trapo”.

Aqui papai faz outro uso da expressão, que também parece ser inspirado no filme Beau Geste, ou em obras similares da literatura:

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