É Fogo Na Roupa!

História dos Escoteiros Mirins, publicada pela primeira vez em 1983.

Esta é mais uma daquelas tramas em estilo de mistério policial. Nela, papai “brinca” com o que o leitor sabe (ou pensa que sabe) sobre o universo dos Escoteiros Mirins para lançar pistas falsas e tornar mais difícil a solução de um mistério que na verdade não deveria ter nada de misterioso, já que 11 anos antes, em 1972, Karl Barks havia escrito a história na qual esta é inspirada.

Temos os Escoteiros, juntamente com os Generais Huguinho, Zezinho e Luisinho, numa expedição de acampamento na floresta, o Chefe, que deixa os meninos sozinhos para ir buscar uma encomenda na cidade, e uma misteriosa figura que espreita o acampamento, tentando a todo momento provocar um incêndio para fazer parecer que foram os escoteiros que botaram fogo no mato. Desse personagem misterioso só se vê uma mão e o punho da manga de uma camisa com uma listra escura seguida por uma clara.

Tudo é feito de modo a lançar as suspeitas sobre o Pato Donald que, todo mundo sabe, é cheio de querer sabotar os Escoteiros senão apenas para mostrar o quanto ele é esperto. Mas também desta vez, como na outra história, o Donald é inocente do incêndio.

A solução, como sempre, está nos detalhes: no quadrinho abaixo podemos ver uma listra clara a mais na manga do incendiário maluco, um tal de Mané Faísca. Por esta pista, e apenas esta (colocada no desenho por papai com instruções específicas na margem da página do rafe, com toda certeza), é possível deduzir que o Donald não tem nada a ver com a bagunça toda.

Escot Fogo

Outro detalhe interessante é a configuração da fogueira que os meninos constroem no acampamento, copiada diretamente das páginas do Manual do Escoteiro Mirim:

Escot Fogo1

 

Aviso aos navegantes: este blog não comenta desenhos. Meus comentários aqui dizem respeito somente aos argumentos/roteiros escritos por papai para suas histórias em quadrinhos. E acreditem, já há bastante o que comentar só nessa parte. Os desenhos das histórias de papai, via de regra, eram feitos por outros artistas, tão talentosos quanto, mas que não são o foco deste blog. Se o leitor quiser saber quem desenhou esta história, por favor acesse o link do Inducks, que fica na data de publicação da HQ, no início deste comentário.

O Ladrão Robadô

História do Urtigão, criada em 1982 e publicada pela primeira vez em 1986.

O título da história reflete o modo de falar do Urtigão, cheio de erros de português e regionalismos. De um modo simples e despretensioso, este é um mistério policial, com um desaparecimento a ser investigado, e uma divertida surpresa no final.

Nosso herói vai a Patópolis, mais exatamente à feira dos fazendeiros, para investigar o sumiço de uns “bichinhos” que ele acredita que foram roubados de seu sítio. Enquanto ele espera à mesa de uma lanchonete (para não atrair a atenção) até que algum suspeito apareça, os sobrinhos do Pato Donald aparecem, dispostos a gastar suas mesadas com sucos e sorvetes.

Urtigao meninos joca

Na descrição que ele faz dos bichos para os meninos, os desaparecidos fazem “có có có recó”, o que nos faz pensar em galinhas. Ao mesmo tempo fica a dúvida, pois dificilmente o experiente sitiante Urtigão não saberia o que é uma galinha. A principal pista do nosso mistério está aí: cacarejam, mas não são galinhas. Do jeito que o caipira fala, o leitor fica na dúvida até mesmo se são pássaros.

Urtigao meninos

Depois de causar a maior confusão na feira ao perseguir suspeitos e derrubar e quebrar coisas, gastando todo o dinheiro da colheita para pagar os prejuízos, o Urtigão deixa que os meninos o levem até a casa do Donald, para ver se o tio pode ajudar em alguma coisa. No caminho, o capiau ainda deixa escapar que os bichinhos desaparecidos são azuis, o que causa estranheza nos meninos. Que raio de bicho é esse? Será que o Urtigão finalmente endoidou?

Por coincidência, é no quintal dos meninos que os “bichinhos” estão. São pássaros, afinal de contas. Periquitos australianos, azuis como um céu de primavera, empoleirados numa árvore e cacarejando barulhentamente como galinhas. Não foram roubados, mas simplesmente fugiram em bando para explorar a região.

Urtigao periquitos

Reza a lenda que esses passarinhos podem aprender a falar, mas eu cheguei a ter alguns, e apesar dos nossos esforços “educacionais”, nunca ouvi sair deles outro som que não fosse nada mais que o natural para a espécie.

Enfim, a explicação para o cacarejar dos periquitos é que eles foram criados no galinheiro, por falta de lugar melhor no sítio. E por falar em galinhas, uma das cenas de bagunça na feira tem uma divertida correria atrás de algumas delas. Esta é uma lembrança de infância de papai, que quando criança morou numa fazenda e não raro caçava galinhas no terreiro para o almoço.

Urtigao galinhas

O Pássaro Não Identificado

História dos Escoteiros Mirins, publicada pela primeira vez m 1978.

É duro ser “apenas” os melhores escoteiros mirins da cidade. Huguinho, Zezinho e Luisinho estão cientes da responsabilidade, mas o entusiasmo da juventude não deixa que eles sucumbam sob o seu peso. Mas isso não quer dizer que outras pessoas não se sintam incomodadas.

Esta história segue a linha clássica do tema “Pato Donald contra os escoteiros”, já que o tio lá no fundo – por ciúmes, inveja ou despeito – parece pensar que essa coisa de escotismo é perda de tempo, e que ele, mero pato, pode ser mais esperto do que seus altamente treinados sobrinhos.

Como em outras histórias do mesmo tema e gênero, nacionais e estrangeiras de vários outros argumentistas, a trama gira em torno da tentativa de sabotagem de uma missão dos meninos pelo Donald. Desta vez é uma competição de identificação de pássaros, na qual o pato “planta” uma pista falsa para confundir os meninos.

E confusos eles ficam, até que descobrem um gravador entre as folhagens e desmascaram o tio.

gravador

Mas o mais importante de tudo é que, na tentativa de atrapalhar, o Donald acaba ajudando os sobrinhos a avistar mais pássaros, e mais raros, e a vencer a competição mais uma vez. Assim como o crime, a deslealdade esportiva também não compensa, definitivamente.

quaquapuru   alegorico

E não, nem todas as histórias de um gênio precisam ser geniais. Basta que sejam inspiradas, “bem costuradas” e fiéis ao gênero no qual se inserem. Nós estamos, afinal de contas, falando de quadrinhos comerciais, e aqui, como em outras áreas, muitas vezes menos é mais.

E venham ver o meu livro

A Ilha Da Bruxaria

Esta história de 1982 é uma brincadeira com um antigo programa de TV que foi bastante popular naquela época.

Rork e tatuzinho

Tio Patinhas, Donald, e os sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho vão passar uns dias numa ilha onde um maluco se propõe a realizar os sonhos dos hóspedes. O problema, como na série de TV, começa quando os sonhos dos diversos grupos de turistas presentes são conflitantes.

E neste caso, as outras turistas são a Maga Patalójika e a Madame Min. Enquanto o Patinhas “apenas” quer férias gratuitas, a Maga quer, é claro, a moedinha número um.

História de bruxaria é aquela coisa: raios mágicos voam para todos os lados, palavras mágicas são proferidas, e absolutamente tudo pode acontecer, aparecer e desaparecer, sem muito comprometimento do argumentista com alguma realidade.

O lado bom é que a confusão e a correria são tão grandes, que o leitor não consegue parar de rir.

Mas há algum método nesse caos todo, principalmente no que diz respeito ao hábito da Madame Min de soletrar uma palavra mágica de trás para frente, para desfazer um feitiço.

Min palavra 1    Min palavra 2

O Mistério De Pueblo Bonito

Publicada pela primeira vez em 1985, esta história começa com os Escoteiros Mirins coletando artefatos antigos de alguma tribo de nativos norte americanos que um dia viveu em cavernas.

Não é incomum ver, principalmente em histórias estrangeiras, personagens como os membros da família Pato, e especialmente Huguinho, Zezinho e Luisinho, os sobrinhos do Donald, no deserto recolhendo artefatos ou garimpando sem consideração alguma por métodos de arqueologia, por exemplo. Como se fosse só chegar, catar e vender, e tudo bem. Talvez isso seja parte da cultura lá deles, mas a minha paixão por história e arqueologia me faz ter calafrios com cenas como essas.

Em todo caso, a expedição em busca de artefatos históricos é, pelo menos nesta trama, só uma desculpa para tirar os meninos da cidade, do ambiente conhecido e “normal”, onde só acontecem coisas corriqueiras, e fazê-los entrar nas cavernas. Esses ambientes subterrâneos eram muito usados por papai até como uma metáfora para o subconsciente, aquela parte de nossas mentes que foge à lógica do dia a dia e é capaz de imaginar as coisas mais malucas e reagir a elas como se fossem reais. Era uma maneira que ele tinha de se dar permissão para soltar a imaginação e criar com mais liberdade.

E papai não está sozinho nisso. Há na literatura infantil muitos exemplos de “universos alternativos” acessados por passagens subterrâneas que já fizeram a alegria de gerações de psicanalistas. Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carol, é certamente um deles. Há pouca diferença entre o buraco do coelho e as cavernas de papai.

Dentro dessas cavernas os meninos encontram uns indiozinhos baixinhos que se comportam de um modo muito estranho, chegando inclusive a flutuar no ar.

HZL indios

Está claro que não são índios normais, e tampouco são fantasmas, como alguns dos outros escoteiros quiseram crer. No final se revela que são alienígenas, mas o mais engraçado é que eles não deixam de se vestir como índios e nem de falar daquela maneira arrevesada e estereotipada, nem mesmo quando já estão dentro da nave, longe dos meninos e a caminho do seu planeta.

HZL indios 1

Era de se esperar que após se verem livres da presença de estranhos esses seres fossem “tirar o disfarce” e assumir algum outro formato, falar de algum outro modo ou pelo menos trocar as roupas de índios por uniformes espaciais, mas não é isso o que acontece. E é exatamente por isso que esse final é tão engraçado.

Patrulheiros e Escoteiros

História do Pato Donald e Sobrinhos, de 1975.

Pode até ser que Patópolis seja uma cidade no Brasil (ou pelo menos era isso que a diretoria dos estúdios Disney queria que parecesse, naqueles tempos), mas por algum motivo não explicado, as florestas em volta da cidade ficam no Canadá, ou algum lugar assim.

Se não ficam, como explicar essa passagem do Donald pela corporação da Polícia Montada, apesar do uniforme azul, e ainda por cima com aquele chapéu de aba larga tão típico?

Pol Mont

Do “outro lado” desta história estão Huguinho, Zezinho e Luisinho, com seus gorros de pele e o cão dos escoteiros, partindo para uma missão de treinamento na floresta.

A trama se baseia em mal entendidos. O instinto de proteção do Donald o distrai de sua missão, enquanto os meninos tentam afirmar a sua independência e auto suficiência na prova de sobrevivência. Mas mesmo assim nada é o que parece ser, e o que está realmente acontecendo não é o que os chefes dos dois lados pensam que estão vendo.

Patrulheiro Escoteiros

No final, a história tem uma “moral”, que nos mostra que não devemos julgar mal aos outros sem antes nos certificarmos muito bem do que está realmente acontecendo, especialmente se estamos em posição de autoridade. Essa é uma lição que os dois chefes aprendem muito bem.

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Mudando de assunto, hoje retirei meu livro do Clube de Autores.

Agradeço a quem comprou esta primeira versão, e especialmente a quem leu e comentou. Esses comentários serão de grande valia para a continuação deste projeto.

O material está agora com um editor mais tradicional, que o dividiu em dois: a parte escrita por papai, que era a segunda parte da minha primeira versão, será publicada em formato ebook ainda este ano, e a biografia propriamente dita será lançada em 2014.

Eu manterei vocês informados.

Uma Aventura No Caribe

Primeira parte de uma aventura épica estrelada pela Família Pato, publicada em 1983.

Tio Patinhas usa um super computador, coisa que nos anos 1980 estava apenas começando a sair do âmbito da ficção científica e virar realidade, para localizar super minérios em vários lugares do mundo.

A história em si é mais uma variação sobre o tema da “caçada” por riquezas ao redor do mundo, na qual os heróis lutam contra forças exteriores, sendo desafiados a cada página.

Neste caso, papai associa mais uma vez o Caribe ao triângulo das bermudas, pelo qual ele era fascinado, e novamente o triângulo com seres alienígenas.

Muito antes de Giorgio A. Tsoukalos e suas teorias de antigos astronautas, papai já tentava explicar os misteriosos desaparecimentos de navios e aeronaves nessa área do planeta com a ajuda de teorias ufológicas.

Interessante é o uso pelos alienígenas de andróides e robôs para extrair o minério precioso, e o uso de telepatia para a comunicação com os patos. Essa era outra teoria de papai, a de que os seres de outros planetas se comunicavam com os humanos por meio da projeção e leitura de pensamentos.

Teorias ufológicas à parte, o roteiro não deixa nada a desejar no quesito aventura, pois é cheio de ação, intriga, correrias, capturas, fugas e recapturas, batalhas aéreas entre discos voadores e aviões, e de cenas espetaculares como esta:

alienigenas

Terminado o primeiro encontro com esses seres misteriosos, outros dois são prometidos,  e o próximo acontecerá na Patagônia, extremo sul da Argentina.