Arqueiro Arteiro

História do Gordo, de Ely Barbosa, composta em agosto de 1987 e publicada pela Editora Abril no mesmo ano, na revista O Gordo e Cia número 14.

O arqueirismo, arqueiria, ou tiro com arco é um esporte que deriva de antigas técnicas de caça e pesca. O arco era usado também como arma em guerras, mas ficou obsoleto após o aparecimento das armas de fogo.

Hoje em dia tem grande prestígio como esporte olímpico, mas sua prática (especialmente a amadora) requer alguns cuidados que crianças em geral costumam não tomar ao fazer suas primeiras experiências com o que ainda é, para todos os efeitos, uma arma.

Para começar, é preciso muita concentração para atirar flechas com o arco, e esse é um dos aspectos que papai aborda: a cada vez que o Gordo vai tentar atirar alguém o atrapalha, o que gera alguns bonés e chapéus atravessados por flechas. Mais uns centímetros para baixo e não seriam apenas os chapéus, e isso já é uma advertência para as crianças: não façam isso em casa, pelo menos, não sem a supervisão de um adulto.

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Uma das melhores piadas da história é também a mais sutil: depois de atrapalhar o Gordo e testemunhar as consequências, o Fininho vai saindo… de fininho.

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Mais ou menos nesta época papai comprou um arco simples e flechas e trouxe para nós crianças brincarmos, e ele conosco. Por sorte nosso quintal era grande e tinha muros altos, assim não havia muito perigo de acidentes. A brincadeira proposta por ele foi fazermos um torneio atirando em latas de conserva vazias, empilhadas no outro lado do quintal.

O que ele provavelmente não nos disse é que isso tudo já era uma espécia de “pesquisa”, ou “laboratório” para a história que ele queria escrever. Evidência disso é o torneio que acaba acontecendo entre o Gordo e a turminha rival, a do Jarbas, que também tem um pouco a ver com histórias Disney como “O Torneio de Aeromodelos”, “A Corrida de Vassouras” e “A Grande Corrida de Tartarugas”, todas já comentadas aqui.

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Os Oito do Forte

História do Gordo, de Ely Barbosa, escrita em agosto de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista número 13 do personagem em janeiro de 1988.

Brincadeiras infantis da infância de papai eram um tema recorrente em suas histórias, e ele usou várias vezes a brincadeira do “Forte”, para vários personagens, como o Pena Kid e o Mickey, por exemplo. A diferença, aqui, é que o Forte não se propõe a ser Apache nem da Legião Estrangeira, mas faz referência a um episódio da História do Brasil.

Gordo forte

A “Revolta dos 18 do Forte de Copacabana” aconteceu em 1922 para expressar um descontentamento dos soldados de baixa patente das Forças Armadas com o modo de governo da época.

A trama, aqui, mistura um pouco da malandragem que o Gordo, na versão de papai, “herdou” do Zé Carioca, com uma briga entre moleques e um pequeno mistério sobre os reais motivos da briga. Há, também, um pouquinho de desconstrução do machismo, mostrando que não existem brincadeiras “de menino” e “de menina”.

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Papai aproveita, como costumava fazer sempre que possível, para citar os nomes de todos os personagens ao longo das páginas, para que o leitor que não conhecesse os personagens não se sentisse alienado. Mas, mesmo colocando a turma toda, e incluindo a turminha rival e bichos de estimação como o Bode Cheiroso e o chihuahua El Tigre, o máximo de integrantes que papai consegue reunir para defender o Forte é oito. Dez a menos. Daí o título da história.

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A Grande Otoridade

História da Turma do Gordo, de Ely Barbosa, publicada na revista O Gordo em Quadrinhos número 18, de 1987.

Hoje temos o Gordo e sua turma enfrentando o “chato oficial” da rua, um tal de Inspetor Patuskas. Falando difícil e citando regras e estatutos que só ele conhece, ele proíbe os meninos de fazer, em via pública, tudo aquilo que os garotos de outrora gostavam: usar estilingue, descer ladeiras com carrinhos de rolimã, brigar, e o pior, até mesmo jogar futebol.

O linguajar do inspetor da rua é um convite ao dicionário. Papai sinceramente esperava que seus leitores fossem pesquisar qualquer coisa que não entendessem direito, e gostava de acreditar que estava ajudando a aumentar o vocabulário da criançada.

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“Otoridade” é uma expressão pejorativa que descreve uma pessoa que age ilicitamente como “autoridade”, ou até mesmo uma autoridade lícita que abusa de seu poder. De qualquer forma, a interferência do chato nas brincadeiras da turma atinge uma proporção tamanha que todos se unem, até mesmo os meninos que não vão lá muito com a cara do Gordo, para dar um basta na situação.

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Seria muito fácil (e nada apropriado para uma história em quadrinhos) juntar meia dúzia de moleques e dar uma surra no intrometido, e talvez até fosse isso que aconteceria na vida real, mas a solução de papai é digna de uma história do Zé Carioca. Já que o Patuskas quer ser “autoridade”, que apite uma partida de futebol dos meninos do bairro. Só que ele descobrirá um pouco tarde demais que a partida é contra um time de brutamontes de outro bairro.

É uma fina ironia: o inspetor da rua não se furtará à prestigiosa tarefa (que afinal parece ser um afago em seu Ego), e os brutamontes do time adversário se encarregarão de dar a lição (e a surra) no Inspetor Patuskas, quando ele insistir em tentar por ordem na bagunça.

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Mais menções às brincadeiras de infância das crianças do passado podem ser lidas na minha biografia de papai, que está à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam:

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Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

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Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html