Fofura de Neve

História da Fofura, de Ely Barbosa, escrita entre maio e junho de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 8 em janeiro de 1988.

A lista de trabalho dá conta, com um (T), que foi minha mãe quem deu a ele a ideia para esta história. Ela é uma adaptação do conto de fadas Branca de Neve, que, embora seja frequentemente associado com a Disney, já era de domínio público na época em que foi “adotada” para o famoso filme de animação de longa metragem.

Fantasiada de Branca de Neve após passar a tarde lendo um livro de contos de fadas, a Fofura acaba recebendo a visita de uma bruxa vendedora de maçãs e caindo no sono ao morder a fruta envenenada. Mas as similaridades com a história original acabam por aí.

A partir desse ponto teremos algumas surpresas, e em especial o fato de que o Escovão não conseguirá acordar a Fofura, não importando o quanto a beije. Será que ele não é, afinal, o “príncipe encantado” da coelhinha?

Outros elementos interessantes desta história são o tratamento dado à escova de dentes mágica que serve de meio de transporte para o mocinho e uma das cenas da bruxa no fosso dos crocodilos. A escova ganha pensamentos em uma linha crítica, mais ou menos como papai fazia com o Alazão de pau do Pena Kid, e a cena com os crocodilos lembra bastante a história “Zé, Caçador de Jacaré”.

Esses podem ser meios que papai encontrou para “assinar” a história, de certo modo, já que o Ely Barbosa também empregava o padrão da indústria dos quadrinhos de não creditar os autores de quem comprava histórias.

Por fim, tempos um final também bastante surpreendente, que segue uma recomendação do Ely, de que algumas histórias terminassem em uma charada ou joguinho para o leitor. Assim, temos um final de “múltipla escolha”, no qual o leitor poderá escolher seu desfecho preferido.

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O Lugar Quase Perfeito

História dos esquilos Tico e Teco, de 1974.

São só duas páginas, mas a curta aventura dos simpáticos bichinhos tem toda a força de um manifesto pela proteção do meio ambiente.

Não é de hoje que a expansão das grandes cidades, com suas obras barulhentas acompanhadas da derrubada até mesmo das últimas árvores restantes – sobreviventes – em meio ao mar de cimento, apesar de representar o “progresso” e um “avanço” para os seus moradores humanos, é um verdadeiro problema para as espécies animais que vivem (ou tentam viver) conosco no mesmo ambiente.

O que acontece “de vez em sempre” é que esses animais se vêem forçados a fugir pelo bem de suas vidinhas, abandonar suas árvores e tocas, e encontrar um novo lugar para se instalar, com resultados às vezes desconcertantes. Não é raro ver pássaros, mamíferos, insetos e até répteis fazendo seus ninhos em casas e demais construções humanas, para a surpresa e desconforto dos invasores do habitat animal.

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Esta história, aliás, contém mais uma das “sacadas proféticas” de papai, com a mudança forçada dos esquilos para um dos buracos de um campo de golfe: nas Olimpíadas deste ano no Rio, vimos, entre surpresos e divertidos, jacarés, corujas e capivaras exatamente nas imediações do local onde foram disputadas as partidas da modalidade.

A explicação, é claro, é a de que o campo de golfe olímpico invadiu o habitat dos animais, e não o contrário. Isso, aliás, porque ninguém mais se surpreende com os quero-queros nos campos de futebol.

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Zé, Caçador De Jacaré

Do mesmo modo que “A Onça e o Valente”, que eu já comentei aqui, esta história de 1977 se baseia em histórias de caçador, e velhas piadas de salão. Novamente, é um exemplo de como algo simples, até mesmo uma piada muito velha, pode ser o início de uma história muito engraçada.

O Zé Carioca está se gabando de conseguir pegar jacarés com uma caixa de fósforos vazia, um binóculo e uma pinça, e acaba tendo de caçar um jacaré de verdade, atraído por uma promessa de pagamento que num primeiro momento parece realmente tentadora.

Mas é claro que  tarefa não é nada fácil, e o Zé quase perde as penas no processo.

zé jacaré

Isso, além da ironia de ter a própria piada “devolvida” pelo tratador dos jacarés, que para mim é a cena mais engraçada da história.

zé jacaré1

De qualquer maneira, parece que que o pânico do Zé ao encontrar pela primeira vez o Crocodilo Crocante, da nova série de histórias que está sendo lançada este ano, se justifica. Afinal, a experiência anterior do nosso herói com esses bichinhos foi “meio completamente” traumática.

zé crocodilo