Zé Bombeiro

História do Zé Carioca, de 1978.

Ao contrário do Donald e do Gastão, quatro anos antes, o Zé não se torna bombeiro voluntário por vaidade, ou somente para impressionar a namorada. Mas isso não quer dizer que ele esteja realmente afoito para combater muitos incêndios. Como quase sempre, ele se coloca na situação por falar demais.

Em todo caso, uma vez eleito, ele sinceramente e de boa vontade faz o melhor que pode e acaba ajudando de verdade a prender um incendiário piromaníaco que resolveu atacar o morro, mesmo sem conseguir sequer pronunciar a palavra “piromaníaco” direito. Ainda assim ele é parabenizado pelo chefe dos Bombeiros, que não é um chato como o chefe do Donald e do Gastão.

Interessante é a “Mansão do Nestor”, uma criativa barrica transformada em casebre. Isso me lembra vários contos de fadas que começam com pessoas que são tão pobres, mas tão pobres, que moram em velhas barricas. Há também a lenda do filósofo Diógenes, que também, dizem, morava dentro de um barril para expressar seu desprezo pelas riquezas materiais. Assim, nosso amigo corvo está em boa companhia na escolha de sua moradia.

Outra coisa legal desta história são os nomes de alguns coadjuvantes que papai inventou para terem seus barracos incendiados: João Cebola (assim como a casa do Zé parece ser feita de caixotes de sabão, será que a desse personagem é feita de engradados de cebola?), Toninho Estilingue e Chico Rapadura, além, é claro, do vilão Zé Foguinho. Todos eles são personagens de uma história só.

Enquanto isso, discretamente e nas entrelinhas, papai vai descrevendo a vida na favela mais alta do morro mais alto do Rio de Janeiro: falta água encanada, o que torna a mangueira emprestada ao Zé inútil, e também não há eletricidade que possa causar um curto circuito para iniciar um incêndio. São realmente condições bastante precárias de vida.

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A Empada Era A Lei

História do Zé carioca, de 1979.

Todo mundo, ao que parece, tem direito a um dia de fúria uma vez na vida, incluindo este nosso velho conhecido. Desgostoso porque a Agência Moleza de Detetives não está dando dinheiro algum, ele passa a mão em um machado e resolve quebrar tudo.

Já o Nestor faz hoje o papel do “cara do deixa disso”, que vai inspirar o Zé a mudar de ramo, e não apenas fechar definitivamente a barraquinha: já que é preciso tentar ganhar dinheiro, o jeito é investir no ramo dos alimentos. Afinal, se nem todo mundo precisa dos serviços de um detetive, ninguém passa muito tempo sem precisar comer um pouco. Mas convenhamos que é difícil vender comida quando o próprio cozinheiro não comeu nada o dia todo. Assim como na história “O Tesouro de Tortuga”, já comentada aqui, o Nestor até muda de cor, dessa vez de fome.

A inspiração para o nome da história vem de “A Espada Era a Lei”, outro grande clássico da Disney. E agora que já temos as empadas, chega a hora de a lei entrar em ação, na figura de um personagem novo inventado especialmente para esta história.

Mas, entre uma empada e outra, nem tudo são rosas. Os nossos amigos vão aprender, como sempre na marra, que é preciso muito mais, para abrir um negócio do ramo alimentício, do que simplesmente uma banquinha e uma fornada de guloseimas.

Isso tendo sido dito, um último conselho aos cozinheiros amadores de plantão: sempre prove o que acabou de preparar, antes de sair vendendo.

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