E Viva O Metrô!

História do Quincas, de 1974.

De vez em quando, papai enveredava por aventuras com personagens diferentes dos habituais. Aqui temos a turma do Brejo do Matão, que está desanimada porque o nome de seu lugarejo não aparece no mapa. Sem entender o que se passa, vão consultar o Corujão, tido por animal mais sábio da floresta.

A partir daí começa uma tentativa de se fazer algo importante, que coloque a região nas notícias, e por conseguinte, no mapa. Mas o que configura algo “importante”? Inspirados nas obras públicas das grandes cidades, eles resolvem então fazer um metrô, como se fosse apenas o caso de se cavar um túnel.

Q Metro

Com isso, algumas tensões começam a surgir, principalmente entre homens e mulheres. Eles, ingenuamente desejosos de fazer algo realmente grandioso (não podemos esquecer que são bichinhos da floresta, desacostumados com as complexidades da vida nas grandes cidades), e elas (conhecendo o material masculino da região) preocupadas com as espertezas e a bagunça que eles vão certamente fazer.

Q Metro1

Mas, convencidos da importância de seus pífios esforços, eles não se deixam deter. Vão até pesquisar na enciclopédia e mandam chamar um tatu canastra, o maior que existe, para executar a obra.

A história pode ser vista como uma parábola a respeito da futilidade das ambições humanas por honras e glórias, ou até mesmo uma crítica às mirabolâncias e obras pseudo faraônicas dos políticos pelo Brasil afora.

O túnel que leva do nada a lugar algum e “custou caro” em cenouras da horta de Dona Gambá pode ser comparado com obras como o “Minhocão“, em São Paulo. É o tipo da coisa que não serve para nada, mas que é feito para enaltecer o nome de um político, ou de uma cidade, com pouca utilidade para a população e ao longo dos anos se transformando em um “elefante branco” arquitetônico com o qual não se sabe o que fazer.

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E eis aqui um livro muito legal, que vale a pena ser lido. É só dar uma fuçadinha nos links abaixo:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

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Ronrom Ataca De Surpresa

Esta história do Peninha “faz par” com outra, ambas escritas em 1972. Enquanto a primeira foi publicada já em 1973, esta só foi impressa em 1978.

Quem diria, o Peninha, além de super herói, é também agente secreto. E o mais engraçado é que o seu parceiro e ajudante é ninguém menos que o Ronrom. A “agência secreta” neste caso é chamada de “Surpresa: Superintendência Regional de Preços, Serviço Autônomo”, um mero órgão fiscalizador de preços que se vale de ficais disfarçados para não chamar a atenção.

Hoje aprendemos que Patópolis tem uma espécie de “mercadão”, um local de comércio atacadista da cidade conhecido como Pataca, certamente porque é ali que muitas Patacas Patopolenses trocam de mãos todos os dias.

Nossos fiscais secretos estão ali, curiosamente disfarçados de babá e bebê, por causa de denúncias de irregularidades numa empresa chamada “Bafesto S.A.” os donos são João Bafo de Onça e João Honesto, e o nome da empresa é um anagrama dos nomes deles. Os carregadores, por coincidência ou não, são muito parecidos com os Irmãos Metralha. Será que se regeneraram todos?

Enquanto o pato está fiscalizando os preços e tentando entender o que está errado com a empresa atacadista, o gato chega a ter pensamentos menos nobres. A intenção dele, como assistente de agente secreto, é “fiscalizar” os peixes do mercado. Mas seus planos são bruscamente interrompidos quando o Peninha é descoberto e sequestrado pelos bandidos, que estão praticando contrabando, não comércio. Seu chefe é o Porcolino Leitão, que até tenta bancar algo parecido com o Grande Bronka, mas sem sucesso algum.

Peninha Surpresa

Nesse momento, o gato é encorajado por sua consciência (gatos têm isso??) a deixar os peixes e os pensamentos mais egoístas para lá e tentar salvar o amigo. Se bem que essa consciência de gato não é lá muito santa…

Peninha Surpresa Ronrom

A partir daí o Ronrom se transforma no personagem principal da história, agindo sozinho e desencadeando uma série de acontecimentos na qual uma coisa leva à outra, o que leva os bandidos a acabarem na cadeia quase por si só. Quem diria que um mero gatinho seria capaz de tanta coisa?