A Volta Ao Mundo Em 8 Manchas

Aventura épica do Mickey, de 1973.

Publicada em uma revista especial só dela em Edição Extra e contando com nada menos que 100 páginas, a história me parece apropriada para comemorarmos esta que é a milésima postagem deste blog.

É uma aventura complexa e bastante ambiciosa do ponto de vista do roteiro, comparável a outros clássicos como “O Professor Pardal na Atlântida” e “Mancha no Espaço”, já comentadas aqui. A inspiração vem, expressamente, de livros como “Cinco Semanas em um Balão” de 1863 e “Volta ao Mundo em 80 Dias” de 1873, ambos de Júlio Verne.

A  viagem de volta ao mundo começa como uma bravata do Mancha Negra. Não era intenção do vilão sair pelo mundo mas apenas despistar o Mickey para poder praticar seus assaltos sem ser preso, em Patópolis mesmo. A coisa toda começa quando, por acidente, o Mancha é forçado a viajar e se vê obrigado a tentar cumprir o que prometeu, aos trancos e barrancos.

São nomes demais para citar, mas nomes como “Buga-Buga”, a primeira parada da odisseia, lembra algo que poderia ficar na África tribal. A parada seguinte, “El Arak”, soa com algo em árabe (Arak é o nome de uma bebida alcoólica, e é também dessa palavra que vem a expressão “de araque”, significando “de mentira”) Daí eles passam pelo “Rio Nulo” (Rio Nilo), o que só vem para reforçar essa sensação de que estão no Norte da África.

Já a região de Bengala existe de verdade, e fica na Índia. Seguindo sempre para Leste, a turma acaba indo parar em locais como a China (na localidade fictícia Ling-Ling-Lé) e Pago Pago, no Oceano Pacífico. Daí para o “Faroeste”, em território dos EUA, é realmente um pulo (e pelo menos um dos nomes de cidades citados, Buracodebala City, seria usado novamente em “Pena Kid Ataca Novamente”, publicada no ano seguinte).

Em cada lugar há um tesouro a ser roubado, uma perseguição, uma aventura a ser vivida e dificuldades a superar. O trajeto é bastante lógico, baseado nos vastos conhecimentos gerais de papai, e uma verdadeira aula de geografia para quem se dispuser a pesquisar mais a fundo.

Se considerarmos que Patópolis fica no Brasil (para os propósitos da produção nacional), o mapa abaixo, publicado no final da revista, dá um traçado bastante exato da rota da viagem.

Há muitos nomes com cacófatos engraçados, tanto de pessoas como de lugares, e alguns personagens de uma história só na companhia de outros que seriam usados mais de uma vez, como o Zerildo, o robô calculadora falante inventado pelo Professor Pardal e usado também em “Mancha no Espaço” e na “História do Computador”.

E temos também a primeira menção a “Copabacana” como anagrama de Copacabana, no Rio de Janeiro, que seria usada mais tarde no mesmo ano em uma história do Morcego Vermelho.

Assim, papai vai lançando as bases para toda a sua criação futura, já que ele frequentemente voltava a histórias anteriores em busca de inspiração para mais tramas.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Pena Dumont

História do Peninha, de 1985.

A vítima da gracinha…quer dizer, o homenageado de hoje é ninguém menos que Santos Dumont, considerado, aqui no Brasil, o “pai da aviação”. A história é uma versão fantasiosa da infância e dos primeiros anos de atividade do inventor com aeroplanos de todos os tipos, e a intenção é fazer com que os leitores tenham vontade de pesquisar um pouco mais sobre essa grande figura histórica.

Pelo que se sabe sobre ele, desde tenra idade o pequeno Alberto já se interessava por coisas que voam, como pequenos balões a ar quente, e também por todo tipo de máquina. Em comum com meu pai, ele tinha a paixão pelos grandes livros de ficção científica de Júlio Verne.

Há um documentário espetacular sobre ele que passa na TV Escola de vez em quando (sim! Eu assisto a TV Escola e recomendo), onde se diz que um dia o pai de Alberto o chamou e disse que fosse estudar as tecnologias mais avançadas da época, sem se preocupar com dinheiro. Isso nunca iria faltar a ele. Assim fica até “fácil”… é só se dedicar, estudar pra valer, trabalhar duro, se esforçar…

Na história de papai essa parte é representada pela Vovó Donalda, que vende suas jóias para que ele possa ir estudar em Paris, que naquele tempo era o centro do mundo civilizado, mas não exatamente para encorajá-lo mas simplesmente para mantê-lo longe, já que ele causava confusão demais na fazenda. O “Dumont” de meu pai é um incompreendido até pela própria família, como muitos gênios já foram, ao longo da história.

Pena Dumont

Como sempre nesse tipo de história, papai usa também muitas palavras em francês nas falas dos personagens, e explora ao máximo o efeito cômico das tentativas de voar e consequentes quedas do atrapalhado Pena Dumont.

Pena Dumont1

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a ler minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias.

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

No Mundo Embananado

História do Esquálidus, de 1983.

Num enredo levemente inspirado em “Viagem ao Centro da Terra” de Julio Verne e nas teorias da “Terra oca”, papai nos leva em uma aventura subterrânea cheia de mistérios, intriga e reviravoltas.

Assim como o Mickey, o leitor passa metade da história sem entender direito o que está acontecendo, mas seguindo as pistas que levarão à solução da trama, que envolve o roubo de grandes quantidades de bananeiras inteiras da superfície. Além disso, o leitor também dará muita risada com as abundantes patetadas do Pateta ao longo dos quadrinhos, até que tudo seja finalmente revelado.

Mickey embananado

Apesar da aparência de macacos dos seres do Mundo Embananado (que nossos amigos tentarão imitar para não chamarem muito a atenção lá em baixo), de seu idioma de grunhidos, apetite por bananas e armas simples, como espadas e lanças, eles parecem ser uma civilização bastante desenvolvida, contando até mesmo com um magnífico palácio de ouro e poderosas máquinas de cavar túneis.

Mickey embananado1

****************

E não esqueçam que minha biografia de papai está à espera de vocês nas melhores livrarias:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Amazon:http://www.amazon.com.br/Ivan-Saidenberg-Homem-que-Rabiscava/dp/8566293193/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1427639177&sr=1-1

Volta ao Mundo em 8 Trapalhadas

Livros para desenhar e pintar não são novidade, e a Editora Abril certamente publicou muitos deles, sempre voltados às crianças. Foi só recentemente que os adultos receberam “permissão” para voltar a pintar, e isso certamente está mexendo com a cabeça de todo mundo.

(Eu, por mim, sou totalmente a favor, já que adultos que desenham se sentem mais criativos, pessoas criativas são mais felizes, e pessoas felizes não torram a paciência de ninguém. 😉 )

Uma das séries de livrinhos para colorir lançadas nos anos 1970/80 foi a “Pintura Mágica com Água”, uma publicação com histórias variadas com ilustrações impressas com uma tinta solúvel em água muito parecida com a dos atuais lápis aquareláveis. Tudo o que a criança (ou não tão criança assim) precisava fazer era molhar um pincel macio em um copo com água, e diluir a tinta diretamente no papel. Assim a pintura “aparecia”, como mágica.

A Abril, aliás, caprichava. Os desenhos eram impressos em bom papel, e em apenas um dos lados, para que, se a tinta atravessasse para o outro lado da página, não mancharia o próximo desenho. Além disso, havia também uma linha picotada próxima aos grampos, para que o pintor pudesse destacar e expor suas criações.

Uma dessas revistas, a de número 6 da série, de 1980, tem uma história de papai impressa nas contracapas dianteira e traseira, e os desenhos para colorir de Ricardo Soares Corrêa da Silva são feitos como ilustrações para essa história.

Peninha Pintura

Basicamente, o Tio Patinhas manda um bilhete ao Peninha, mandando que ele vá fotografar “as focas do Polo Norte”. O Peninha, animado com a oportunidade de viajar, pega o aviãozinho que está sempre à disposição de A Patada e sai voando em direção ao Polo Norte, guiado apenas por uma bússola. Logo ele descobre que a bússola está quebrada, e que ele pousou no lugar errado.

Peninha Pintura1

A seguir vem toda uma odisseia na qual ele vai trocando de meios de locomoção e visitando vários países, em um esforço para voltar a Patópolis. A história, é claro, é inspirada em clássicos da literatura infanto juvenil como “Cinco Semanas em um Balão“, e “Volta ao mundo em 80 dias”, ambas de Júlio Verne.

Mas, apesar de todo esse esforço, o Tio Patinhas não vai ficar nada contente… É que ele não explicou que as focas que o Peninha deveria fotografar não estavam no Polo Norte, mas sim no Zoológico de Patópolis.

*********************

E como todos os dias, minha biografia de papai está à espera de vocês nas melhores livrarias:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Amazon:http://www.amazon.com.br/Ivan-Saidenberg-Homem-que-Rabiscava/dp/8566293193/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1427639177&sr=1-1

Superpateta No Mundo Subterrâneo e Superpateta Encontra O Doutor Kanhestro

Em 1975 foi publicada uma Edição Extra do Superpateta, com mais uma das sagas que papai sabia compor tão bem. O primeiro título sugerido por ele era “20 Mil Léguas Subterrâneas”, uma referência ao livro “20 Mil Léguas Submarinas”, de Júlio Verne, publicado pela primeira vez em 1870.

A ação de todas as histórias desta série se passa num mundo subterrâneo cuja entrada é a cratera do vulcão Hekla, um vulcão real e ativo que fica na Islândia, em mais uma referência à teoria da Terra oca. De acordo com essa teoria, haveria vastas cavernas habitadas por povos estranhos abaixo da superfície, que habitamos.

As primeiras duas páginas são uma apresentação/introdução da série, uma mini-história na qual o Superpateta é atraído para dentro do vulcão por um pedido de socorro que ele ouve vindo de lá de dentro, com sua super audição.

Mas o efeito do superamendoim passa no momento em que se aproxima da cratera, e ao cair dentro do vulcão ele perde o chapéu.

_____________________________

A segunda história dá início à aventura propriamente dita, e marca o encontro do nosso herói, ainda simples Pateta, com o Doutor Kanhestro, um auto denominado técnico de eletrônica que descobre o Mundo Subterrâneo e resolve tomar o poder no reino das toupeiras.

Com um exército de robôs criados por ele, o vilão usurpa o trono e ameaça o povo toupeira de várias formas para se manter no poder. Não devemos esquecer que nessa época o Brasil estava vivendo sob um regime militar ditatorial já há uma década, e qualquer semelhança não terá sido mera coincidência.

Pateta Kanhestro

O Pateta só recupera seu chapéu e seus poderes no final da primeira história. No tempo que passa como simples Pateta, sendo tratado como apenas mais um dos prisioneiros, ele aproveita para conversar com os outros escravos e descobrir a história do lugar.

A sorte do Superpateta é que nenhuma das máquinas que o vilão inventou funciona lá muito bem. Além disso, ele é bastante covarde, e foge ao primeiro aviso dos robôs de que o herói está em seu encalço. Com isso, acaba entrando numa área perigosa, de cavernas muito escuras, onde a próxima história acontecerá.