Zorrinhos Contra Os Abóboras

História dos Sobrinhos do Donald, de 1977.

As histórias do Zorrinho seguem sempre uma linha mais ou menos fixa, com algumas variações que dão graça à brincadeira.

Assim, novamente, as sobrinhas da Margarida estão fazendo alguma coisa e os Metralhinhas estão tentando atrapalhar, enquanto os meninos bonzinhos usam sua identidade secreta para defender as amiguinhas. A diferença está no tema da atividade (um conveniente baile a fantasia) e no desfecho da historinha.

Para começar vemos o contraste entre os escrúpulos dos meninos, que têm o dinheiro da entrada mas não as fantasias, e a total falta de vergonha na cara dos bandidinhos, que entram de penetras na festa, e com uma fantasia toscamente improvisada.

A partir daí começa o embate entre mocinhos (devidamente fantasiados de Zorrinhos, já que essa é a única fantasia que eles têm) e os bandidinhos, que vai dominar todo o resto da história. Como sempre, os meninos do bem agem um de cada vez, para melhor fingir que são uma só pessoa e confundir os inimigos.

Isso tudo mostra que é possível “estar e não estar” em um lugar, e cria uma série de dilemas, dos quais o leitor só vai se dar conta depois que terminar de ler a história. (Já que, na verdade, o confronto e a vitória final do Zorrinho, por mais interessante e divertido que seja, é só um detalhe. Há coisas mais importantes acontecendo na história que não fazem parte da ação, mas ficam subentendidas).

Se, por um lado, os meninos bonzinhos tivessem improvisado fantasias (nada mais fácil do que pegar um lençol e bancar o fantasma), eles teriam participado da festa como as meninas queriam, mas não teriam podido fazer muita coisa quando os bandidinhos atacassem.

Por outro lado, seria difícil aparecer por lá com a fantasia do Zorrinho e convencer a todos de que é só uma fantasia. Assim, ou eles teriam sido obrigados a revelar a identidade secreta, ou participar do baile um de cada vez, se fazendo passar por uma única pessoa.

Por essa última hipótese, o resultado teria sido igual: os meninos teriam estado na festa, mas as meninas não saberiam disso e ficariam chateadas do mesmo jeito.

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O Pássaro Muxoloko

História das Bandeirantes, de 1980.

Os Metralhinhas estão, mais uma vez, atrapalhando as meninas. Mas, desta vez, a ajuda do Zorrinho não será necessária.

O fato é que a bondade dos bons é sua própria proteção, como sempre. Mesmo enganadas como patinhas que são, elas (surpreendentemente) ainda vão conseguir se sair bem na tarefa de observar pássaros.

O nome do bicho, como grafado no título da história, é (obviamente) uma referência à expressão “muito louco” para indicar algo inventado na hora, que não existe.

Uma coisa interessante é que a Margarida é instrutora da tropa de bandeirantes, enquanto o Donald nem chega perto de ser alguma coisa com relação aos escoteiros, muito pelo contrário. Quando o pato está envolvido, geralmente é na intenção de atrapalhar os meninos. Ponto para as mulheres.

A ideia de transformar a pata em chefe das bandeirantes vem de uma história estrangeira de 1963, que papai certamente leu em uma das republicações subsequentes aqui no Brasil. Mas pelo menos ele “liberta” as meninas da maçante tarefa de vender biscoitos e coisas assim, e as coloca na mata para observar pássaros, exatamente como os Escoteiros na história chamada “O Pássaro Não Identificado”, que ele criou dois anos antes desta.

E a pitada de futurismo fica por conta da máquina fotográfica no estilo “polaróide“, aquela que revela as fotos instantaneamente, mas em um formato mais compatível com as modernas câmeras digitais. Um prodígio! 😉

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O Dia Da Criança No Sítio Da Vovó

História da Vovó Donalda, de 1984.

Em mais um resgate das brincadeiras de infância de tempos que não voltam mais, temos hoje uma espécie de gincana organizada pela Vovó Donalda para seus netinhos. E como em outras histórias dessa turminha, enquanto as crianças do bem brincam, os Metralhinhas aprontam.

Essa é realmente uma sorte de quem teve espaço para brincar e correr livremente no sítio ou fazenda de amigos ou parentes, uma felicidade que papai conhecia bem e da qual tinha muitas saudades.

Assim, mais importante do que solucionar o problema do roubo das tortas, é mostrar brincadeiras como Pau de Sebo, Quebra Pote (Pinhata), Caça ao Porquinho (vídeo) e Cerca-Frango (semelhante à caça, mas com galinhas).

As duas últimas “brincadeiras” eram parte das atividades diárias de qualquer fazenda ou sítio, especialmente se seus moradores quisessem comer algo diferente de verduras, leite e ovos. Essa era também uma tarefa frequentemente dada às crianças, já que elas são mais ágeis e rápidas, e se cansam menos com a correria.

Enquanto os netinhos da vovó conseguem no fim pegar o porquinho, com um pouco de esforço, os Metralhinhas, uma vez descobertos e convidados a participar, se revelam bons cercadores de galinhas (por motivos óbvios, é claro, já que a quadrilha Metralha é composta por notórios ladrões dessas aves).

É também algo que papai fez muito, quando criança, para que minha avó pudesse cozinhar. E foi por esse exato motivo que, depois de adulto, ele passou a detestar qualquer alimento que contivesse o ingrediente.

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O Zorrinho Não É De Fritar Bolinho

História do Zorrinho, de 1982.

Hoje papai aborda o tema das brincadeiras infantis, que era um de seus favoritos, de um modo um pouco diferente. A pergunta que se faz é: existe brincadeira “de menino” e “de menina”? Ou: por que os meninos não podem brincar de casinha com as meninas? Que mal há nisso?

A verdade é que, e isso logo ficará muito claro, somente meninos muito maus, como os Metralhinhas, enxergam algum problema na situação. Outra verdade é que os meninos bonzinhos só não brincam mais frequentemente com as meninas por medo de serem ridicularizados pelos outros.

“Ser de fritar bolinho” é uma expressão popular que significa: não ser de nada; ser incapaz; ser fraco. Ela é usada aqui para mostrar, justamente, que um menino não é, necessariamente, “de fritar bolinho” só porque está brincando com as meninas.

As próprias meninas também não são “de fritar bolinho” só porque estão, bem… fritando bolinhos. Não há demérito algum em ser menina, em brincar de casinha, ou em ser um menino que brinca de casinha. Além disso, frigideiras podem ser usadas para um pouquinho mais do que simplesmente cozinhar, e as meninas logo vão mostrar que também sabem brigar tão bem quanto os meninos, quando necessário.

Nada, nesta história, é exclusividade só dos meninos ou das meninas. Todos são iguais, na hora da brincadeira e também na hora da briga, para o azar dos maus.

Nesta revista temos novamente a aparição de uma história promocional de papai para as Meias Lupo, chamada “O Bicho Saltador”, que chegou a aparecer bastante nas revistas Edição Extra da época.

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O Supermorcego Vermelho

História do Morcego vermelho, de 1983.

Papai gostava de distribuir os superamendoins do Superpateta entre os outros personagens Disney. Todos os anos ele criava uma história ou duas nesse sentido, cada uma com um “premiado” diferente.

Hoje chegou a vez do Morcego Vermelho que, diga-se de passagem, sempre se sentiu frustradíssimo por não ter poderes especiais como os outros heróis de Patópolis. O interessante, como sempre, é a solução que papai encontra para fazer o pato engolir um superamendoim sem sequer entender o que está acontecendo, nem ver com quem trombou logo antes de virar super.

Mas, apesar de tudo, se o Superpateta ainda consegue prender um bandido de vez em quando com o uso de seus poderes, a única coisa que o Morcego vai conseguir fazer com eles é mais confusão ainda. Em todo caso, há quem goste.

Interessante, também, é a maneira como a segunda página da história vai ditar muito do que vai acontecer, e também o final da trama. Afinal, a mulher gorducha de lenço na cabeça combinando com a saia e com o cachorro e o papagaio não é uma dona de casa qualquer. O leitor atento que perceber com quem ela se parece já terá metade do final da história resolvido.

E não, desta vez a coisa não vai terminar bem para o Morcego, decididamente. Talvez seja mesmo melhor para ele não ter superpoderes, no fim das contas.

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Um Natal Do Passado

Publicada pela primeira vez em dezembro de 1982, a história mescla acontecimentos do tempo presente com as lembranças de Natais passados da Vovó Donalda.

Assim, temos os personagens que já conhecemos, juntamente com suas versões mais jovens e outros, apresentados hoje ao leitor, que são antepassados dos atuais, mais ou menos como aconteceu na saga da História de Patópolis (que foi publicada, aliás, no mesmo ano). Seria esta uma história de Natal não oficial da série?

Não há menção à Pedra do Jogo da Velha, mas temos um mapa das minas de ouro da cidade, encontrado e muito bem oculto pelo jovem Patinhas que, na época, era apenas um patinho, assim como a Donalda. Outros personagens são tios avós dos metralhas atuais, e alguns parentes da Vovó, como sua própria avó, de nome Hortênsia, e um tio chamado Donaldo.

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O trunfo da história, o detalhe central que denota a esperteza precoce do Patinhas e leva à derrota dos bandidos, gira em torno do boneco de neve que a jovem Donalda, na época com 5 anos de idade, está fazendo quando a história começa. Papai confia na atenção do leitor para que ele perceba o que está acontecendo.

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O resto é a história da luta de uma família desarmada contra bandidos ferozes, com o uso de um engraçado detalhe, que é o que vai finalmente colocar os vilões para correr sem que os patos precisem recorrer à violência. Uma vez derrotados os bandidos, a história pode então terminar enquanto começa a festa de Natal da Família Pato, com direito a votos de Boas Festas aos leitores.

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O Irmão Gêmeo Do Biquinho

História do Biquinho, publicada pela primeira vez em 1987.

Esta é mais uma boa sacada de papai: a maioria dos sobrinhos dos personagens Disney existe aos pares e até mesmo às trincas. Os sobrinhos do Donald são 3. As sobrinhas da Margarida, também. Até os vilões têm sobrinhos múltiplos, como por exemplo os Metralhinhas. Os sobrinhos do Mickey e do Zé Carioca são 2 para cada tio. As bruxas também têm sobrinhos de sobra, com as bruxinhas Perereca e Magali (era uma bruxinha só, mas papai acabou desdobrando a personagem em duas) representando o tema “gêmeos”.

Os que têm um sobrinho só são o Pateta, com o Gilberto, o Professor Pardal e seu sobrinho Pascoal, o Gastão com o Trevinho, e por fim o Peninha que, com o Biquinho, foi provavelmente o último a ganhar um sobrinho.

O interessante é que a descrição do personagem, o patinho nascido de um ovo abandonado ao sol e criado por porcos-espinho, em uma alusão ao Tarzan, o órfão criado pelos macacos da floresta, deixa espaço para a interpretação que é feita hoje: se havia um ovo abandonado ao sol, será que não poderia haver outros? Afinal, pássaros como galinhas e patas costumam botar um ovo por dia, às vezes até dois.

Muitas crianças, aliás, já sonharam em ter um irmão gêmeo só para poder “aprontar” melhor. Esse parece ser o caso do Biquinho, que acaba vendo o seu desejo ser realizado logo na esquina de casa. A história tem toques de temas como o “gêmeo mau” (se bem que, aqui, é difícil dizer quem é o pior… o Trambique que o diga) e referências à literatura como em “o príncipe e o mendigo”.

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O Cisquinho, patinho parecido com o Biquinho e seu tio Penald (uma mistura dos nomes do Peninha e Donald) são, por definição, “personagens de uma história só”, criados especialmente para esta história.

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