Pardal, O Ama-Seca

Esta história foi publicada pela primeira vez em 1972.

O nosso inventor de repente se vê às voltas com um bebê abandonado em sua porta, enquanto tenta terminar um invento sob encomenda e se incomoda com as frequentes interrupções causadas por vendedores que tocam frequentemente a campainha.

Está aí uma profissão que quase não existe mais, a do vendedor de quinquilharias de porta em porta. Ao que parece eles já foram bastante abundantes numa época anterior à dos altos arranha céus, quando a maioria das pessoas ainda morava em casas térreas. Diz-se que essas criaturas extintas podiam ser bastante irritantes, tanto pelas constantes interrupções que causavam na vida das donas de casa, como também por sua insistência e às vezes até métodos não muito simpáticos para “empurrar” seus produtos (e até a si mesmos) para dentro das casas das pessoas.

Daí entende-se que uma pessoa ocupada como o Professor Pardal não goste nem um pouco deles. Mas desta vez quem bate à porta não é nenhum vendedor, mas sim alguém que acaba de deixar um bebê num cesto diante da porta, completo com a clássica nota que pede para que “cuidem bem deste bebê”.

É tarde para levar a criança às autoridades, na opinião do Pardal, e ele resolve cuidar do bebê até o amanhecer, quando então o levará até a delegacia de polícia mais próxima.

Logo fica claro que o inventor não faz ideia de como tratar uma criança pequena, e só o seu constrangimento já é motivo de riso para o leitor. Para suprir essa deficiência, ele então é obrigado a abandonar o projeto sob encomenda, e começa a inventar máquina atrás de máquina para ajudá-lo na tarefa de dar de mamar, trocar fraldas, ninar, dar banho, etc.

pardal bebe

Isso, é claro, depois de “inventar” a mamadeira feita de leite em pó e água, como quem “inventa a roda”.

pardal leite

Por fim, ele consegue chegar à delegacia, onde encontra a mãe do pimpolho aos prantos e acaba tendo de dar muitas explicações antes de ser liberado para ir para casa.

É só então que todos os fios das meadas da trama se “amarram” num só: o tal invento sob encomenda era para o Gansolino, que virou vendedor de porta em porta, e ainda por cima tenta “empurrar” ao Pardal um livro sobre… como cuidar de bebês!

Esse tipo de livro, aliás, também foi muito popular nos anos 1940, 1950, 1960 e 1970. Mamãe tinha, em lugar de honra na estante, um exemplar já bastante folheado de “A Vida do Bebê”, de autoria do Dr. Rinaldo De Lamare. Desconfio que mais de uma geração de bebês da minha família foi criada com base nele.

E por falar em livros, o livro póstumo de papai pode ser encontrado clicando aqui.

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Pesquisador De Mercado

Mais do que o Peninha, o protagonista desta história de 1973 é o Ronron, o gato do Donald, que adora peixe, mas só recebe leite, que ele detesta.

Naquele tempo não se sabia, mas pesquisas científicas recentes demonstraram que gatos adultos são na verdade intolerantes à lactose e, como diz o próprio Ronron, “leite é para filhotes”.

Esta história é uma homenagem a um casal de parentes nossos, que eram pesquisadores de mercado na vida real, e contavam muitas histórias engraçadas a papai sobre suas andanças pelas cidades nas quais atuavam.

A trama é simples: com fome e cansado de só tomar leite, o Ronron ouve o Peninha falar em “mercado” e deduz que o pato estaria indo a algum desses estabelecimentos comerciais, onde quase sempre existem bancas de peixe.

Com esperança de acabar ganhando um peixe para comer, Ronron decide seguir o Peninha até o tal “mercado”, e acaba testemunhando todas as tribulações sofridas por ele, ao tentar repetidas vezes entrevistar pessoas e ser tomado por vendedor, entre outros mal entendidos.

A graça da história está nos tropeços do Peninha, que com o passar dos quadrinhos vai ficando cada vez mais machucado, com as roupas rasgadas, numa maré de azar que chega a dar dó até no Ronron, que na maior parte do tempo não morre de amores pelo primo de seu dono, para dizer o mínimo.

A surpresa final, na verdade uma para cada um, Ronron e Peninha, fecha a história com chave de ouro: o produto a ser pesquisado pelo Peninha era um amuleto da sorte, que o pato carregou com ele sem saber o dia inteiro, e só teve azar.

E adivinhem só o que o Donald cozinhou para o almoço, já que sabe que o Ronron gosta? Pois é. Peixe.