Zé Relâmpago

História do Zé Carioca, de 1978.

Esta é mais uma variação sobre o tema “corrida”, ou “competição”, no mesmo estilo de histórias como as que mostram gincanas, corridas de vassouras de bruxa, competições de aeromodelismo, ou corridas de tartarugas. No caso de hoje temos o resgate de um brinquedo bem brasileiro, mas que já estava caindo em desuso: os carrinhos de rolimã.

Nos tempos áureos das brincadeiras com esses veículos improvisados os meninos (principalmente) tinham orgulho em fazer, com muito capricho e os melhores rolamentos que conseguissem encontrar, seus próprios carrinhos para competir com os amigos. Alguns não passavam de tábuas com rodinhas, mas outros chegavam a ser bastante elaborados.

No afã de vencer a competição e ganhar mil cruzeiros o Zé não medirá esforços. Mas acaba se traindo por falar antes de pensar, e arranjando a vizinhança inteira como adversários.

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Outra coisa importante para que haja uma corrida de carrinhos de rolimã é a existência de uma ladeira no local da competição. O problema é que, no morro, existem ladeiras de todos os tipos, e nem todas são lá muito seguras. E agora, José?

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Se o Zé vai ou não ganhar a corrida nem é tão importante quanto o festival de trapalhadas e trombadas com o qual papai nos brinda nas páginas, até o surpreendente desfecho.

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Zé Das Selvas

História do Zé Carioca, de 1977.

A trama é uma paródia dos antigos filmes de Tarzan e outros heróis da selva do mesmo tipo, mas na verdade é mais uma “receita” de como não se fazer um filme. Aliás, a abordagem à coisa toda lembra mais uma pelada entre moleques no campinho do bairro, ou um teatrinho de crianças, do que realmente uma produção séria.

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Tudo é improvisado, dos atores ao figurino, incluindo os “animais” da floresta que vão contracenar com o herói. Esta é também uma lembrança dos péssimos efeitos especiais dos filmes de outrora (e “outrora”, para os nossos propósitos hoje, são os anos 1930), como esta cena aqui, aliás, onde Johnny Weissmuller enfrenta um enorme crocodilo de borracha, para efeito mais cômico do que realmente o dramático originalmente imaginado pelo autor da história.

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O problema é que o cineasta do filme do Tarzan citado acima estava tentando (um pouco intensamente demais, diga-se de passagem), fazer um filme sério, emocionante, eletrizante, cheio de cenas de ação e suspense, que deixasse o espectador grudado na poltrona do cinema do início ao fim. Mas a precariedade dos efeitos especiais da época exigia um pouco demais de “colaboração” do público, coisa que os meninos brasileiros, gente gozadora por natureza, não estava disposta a fazer. Dá até para imaginar, na cena mais tensa do filme, a criançada irrompendo em gargalhadas, para desespero dos cineastas.

Mas, voltando à nossa história, esta é uma encomenda da Rosinha, a ser exibida em uma de suas muitas festas beneficentes, e o Zé quer “fazer direito”. Ele detestaria desapontar sua namorada com algo abaixo das expectativas, e começa a se irritar profundamente com tudo o que dá errado (para a diversão do leitor, diga-se de passagem. Se estivesse tudo certinho, a história não teria graça nenhuma). Desse modo, papai nos deixa uma última dica: ao se fazer qualquer trabalho artístico por encomenda, sempre combine tudo direitinho com quem o encomendou e saiba bem o que ele quer.

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