A Receita Da Invisibilidade

História do Professor Pardal, de 1980.

O título original na lista de trabalho era “A Fórmula Da Invisibilidade”, o que faz muito mais sentido, mas o editor achou por bem mudar, sabe-se lá por qual motivo.

A inspiração vem da literatura, mais especificamente de uma novela de ficção científica escrita por H. G. Wells e publicada em capítulos em 1897, antes de ser lançada como livro no mesmo ano. Além disso, a história virou também filme em 1933, com várias sequências pelos anos 1940 adentro e nas muitas décadas desde então.

Ao longo dos séculos figuras mitológicas, magos e cientistas vêm procurando uma maneira de tornar coisas e pessoas invisíveis, seja por meio de “poções”, capas ou mantos, anéis, capacetes (como o de Hades, depois emprestado a Perseu) e outros objetos e métodos.

Aqui papai segue a linha de Wells, com o Tio Sabiá inventando uma fórmula (se fosse uma bruxa, poderia ser igualmente uma poção) que, quando fervida, produz um vapor que deixa invisíveis a tudo e a todos que toca. O efeito é tão forte que até a casa do inventor fica completamente transparente. Parte da graça da história é observar o Pardal trabalhando às cegas em um laboratório e com objetos que ninguém vê.

A tarefa do Pardal será encontrar um antídoto para ajudar o tio a voltar ao normal, enquanto enfrenta o Professor Gavião com a ajuda do Lampadinha para que a receita não caia em mãos erradas.

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O Retrato Enfeitiçado

História do Tio Patinhas contra Maga Patalójika, de 1973.

É o seguinte: a revista está na coleção, e o estilo é dele (a forte influência de Barks dos primeiros anos e o uso de um tema da literatura mundial). Mas me parece que ele se esqueceu de anotá-la na lista de trabalho. Eu tenho 99% de certeza de que a história é dele, mas se alguém tiver 100% de certeza de que não é, por favor me avise.

Então: a inspiração vem de “O Retrato de Dorian Grey”, de 1891, escrito por Oscar Wilde. Na história original o retrato vai envelhecendo no lugar de seu dono, um aristocrata hedonista, amoral e tão moralmente corrupto quanto fisicamente jovem e belo, enquanto ele mesmo se mantém misteriosamente jovem e belo por muitas décadas.

Aqui, o quadro vai ficando “mais rico” à medida que uma maré de azar magicamente induzida pela Maga Patalójika vai fazendo o Tio Patinhas perder dinheiro e ficar “mais pobre”.

A solução é recrutar um velho inimigo da Maga, um obscuro tio dela com aparência de Leprechaun chamado Nicodemo que só aparece nesta história, para lançar um contrafeitiço. Um leprechaun parecido, de nome “O’Doom” (Nicodemus), é uma criação italiana e pode muito bem ter sido a inspiração para este da história de hoje.

O interessante é que esta é uma figura do folclore irlandês. O autor Oscar Wilde também era irlandês, e consta que a mãe dele, Lady Jane Wilde, era poetisa, nacionalista irlandesa e estudiosa do folclore da Ilha Esmeralda.

E isto também é uma sutileza muito característica do estilo de meu pai de compor histórias.

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Um Caso Macabro

História do Zé Carioca, escrita no finalzinho de 1982 e publicada pela primeira vez em 1985.

Trata-se de uma versão “atenuada” de “O Cão Dos Baskervilles”, um macabro romance policial de 1902 escrito por Sir Arthur Conan Doyle para os personagens Sherlock Holmes e Dr. Watson.

Na data da composição deste comentário a história ainda não estava creditada a papai no Inducks (tenho certeza de que alguém pulou uma linha ou esqueceu de apertar algum botão), mas com o nome na lista de trabalho e a revista na coleção, além do tema, é claro, já que fazer adaptações de grandes clássicos da literatura era um dos hábitos dele, não há dúvida da autoria.

Da história original ele usa a ambientação lúgubre, completa com um pântano e terrenos que expelem asfixiantes gases sulfurosos, o sobrenatural “cão dos infernos” (aqui um “cão fantasma” pintado com tinta fosforescente) e o “herdeiro torto” (um velho descontente que acredita ter direitos à herança) obcecado e capaz de tudo por dinheiro. Mas é claro que não poderá haver mortes nem nada de mais grave.

O Zé e o Nestor, chamados a investigar pela Rosinha, farão o papel do detetive famoso e seu ajudante, ainda que relutantemente, como sempre. O papagaio não é exatamente famoso por sua coragem, para se dizer o mínimo. Mas eles se esforçam e até mesmo conseguem resolver o mistério, na tentativa de “marcar pontos” com o Rocha Vaz. Será que desta vez ele conseguirá conquistar a simpatia do “sogrão”? Quem ler, verá.

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A Volta Ao Mundo Em 8 Manchas

Aventura épica do Mickey, de 1973.

Publicada em uma revista especial só dela em Edição Extra e contando com nada menos que 100 páginas, a história me parece apropriada para comemorarmos esta que é a milésima postagem deste blog.

É uma aventura complexa e bastante ambiciosa do ponto de vista do roteiro, comparável a outros clássicos como “O Professor Pardal na Atlântida” e “Mancha no Espaço”, já comentadas aqui. A inspiração vem, expressamente, de livros como “Cinco Semanas em um Balão” de 1863 e “Volta ao Mundo em 80 Dias” de 1873, ambos de Júlio Verne.

A  viagem de volta ao mundo começa como uma bravata do Mancha Negra. Não era intenção do vilão sair pelo mundo mas apenas despistar o Mickey para poder praticar seus assaltos sem ser preso, em Patópolis mesmo. A coisa toda começa quando, por acidente, o Mancha é forçado a viajar e se vê obrigado a tentar cumprir o que prometeu, aos trancos e barrancos.

São nomes demais para citar, mas nomes como “Buga-Buga”, a primeira parada da odisseia, lembra algo que poderia ficar na África tribal. A parada seguinte, “El Arak”, soa com algo em árabe (Arak é o nome de uma bebida alcoólica, e é também dessa palavra que vem a expressão “de araque”, significando “de mentira”) Daí eles passam pelo “Rio Nulo” (Rio Nilo), o que só vem para reforçar essa sensação de que estão no Norte da África.

Já a região de Bengala existe de verdade, e fica na Índia. Seguindo sempre para Leste, a turma acaba indo parar em locais como a China (na localidade fictícia Ling-Ling-Lé) e Pago Pago, no Oceano Pacífico. Daí para o “Faroeste”, em território dos EUA, é realmente um pulo (e pelo menos um dos nomes de cidades citados, Buracodebala City, seria usado novamente em “Pena Kid Ataca Novamente”, publicada no ano seguinte).

Em cada lugar há um tesouro a ser roubado, uma perseguição, uma aventura a ser vivida e dificuldades a superar. O trajeto é bastante lógico, baseado nos vastos conhecimentos gerais de papai, e uma verdadeira aula de geografia para quem se dispuser a pesquisar mais a fundo.

Se considerarmos que Patópolis fica no Brasil (para os propósitos da produção nacional), o mapa abaixo, publicado no final da revista, dá um traçado bastante exato da rota da viagem.

Há muitos nomes com cacófatos engraçados, tanto de pessoas como de lugares, e alguns personagens de uma história só na companhia de outros que seriam usados mais de uma vez, como o Zerildo, o robô calculadora falante inventado pelo Professor Pardal e usado também em “Mancha no Espaço” e na “História do Computador”.

E temos também a primeira menção a “Copabacana” como anagrama de Copacabana, no Rio de Janeiro, que seria usada mais tarde no mesmo ano em uma história do Morcego Vermelho.

Assim, papai vai lançando as bases para toda a sua criação futura, já que ele frequentemente voltava a histórias anteriores em busca de inspiração para mais tramas.

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O Planeta dos Macacos

História do Pererê, de Ziraldo, composta em novembro de 1975 e publicada pela Editora Abril na revista A Turma do Pererê número 10 em abril de 1976.

Esta deve ser a mais original história de caçada de onça já escrita. A inspiração vem de “O Planeta dos Macacos“, livro de 1963 de Pierre Boulle que acabou virando filme pela primeira vez em 1968.

Mas a semelhança fica só no nome. Na trama, veremos o que começa como um cochilo coletivo da turma em uma morna tarde brasileira se transformar rapidamente em uma aventura no “meio do meio” da Mata do Fundão, para onde os macacos (primos do Alan) atraem a todos.

A situação também tem algo de “O Caso dos Dez Negrinhos“, romance policial de Agatha Christie, no fato de que os amigos vão sumindo, ou sendo levados, um a um, o que só aumenta a tensão toda.

O suspense só cresce até o momento em que, sozinho na escuridão da mata fechada, o Galileu se depara com um enorme e ameaçador ser que se intitula “Rei do Planeta dos Macacos”. Em troca da libertação dos amigos, esse “rei” exige que a onça se entregue para um “sacrifício”. Mas é também nesse momento que o “macacão” comete um erro crasso.

É um bom plano, como em todas as histórias nas quais papai usa esse expediente. Mas, no final, tudo não passa de mais uma tentativa dos Compadres de caçar o Galileu.

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Peninha e Donald Enfrentam Mortrambique, A Fera Do Mar

História dos supracitados, de 1984.

Continuando a série de sátiras de grandes clássicos da literatura, a obra “zoada” da vez é Moby Dick. De autoria de Herman Melville, o livro foi originalmente lançado em 1851.

A adaptação, como sempre, é fiel ao original “até a metade do caminho”. Uma vez apresentados os personagens e o cenário geral da história, são introduzidas várias alterações por vários motivos. Para começar, não era intenção de papai copiar a história do livro em todos os detalhes. Mais importante, para ele, era apresentar o tema aos leitores para que eles fossem pesquisar e, quem sabe, até mesmo ler o livro em si.

Outras alterações foram feitas para acomodar o “estilo Disney”, que desde sempre (ou pelo menos a partir da criação do personagem Capitão Mobidique em 1967) tem sido contra a caça de baleias e proíbe a representação da captura desses animais. Elas devem sempre vencer a parada, e escapar para a liberdade.

E há as alterações nos nomes dos personagens, é claro, em uma mistura dos nomes da Disney com os do livro. Assim, Ismael, o narrador da história, é representado pelo Donald e tem o nome trocado para “Donaldel”. O Capitão Ahab, representado pelo Patacôncio, vira “Capitão Pathab”. A alteração no nome da baleia branca é, talvez, a mais engraçada, fazendo referência aos termos “maior” e “trambique”, ou seja, uma encrenca completa.

O interessante é que o nome do personagem representado pelo Peninha não muda muito: hoje papai resolve não usar o prefixo “Pen”, ou “Pena”, de costume, e simplesmente coloca um hífen no lugar do segundo “e” em Queequeg (Qué-Queg). É a clássica piada pronta, e certamente foi a partir da semelhança do nome do habitante dos mares do sul com o grasnar de um pato que surgiu a inspiração para esta história.

O caixão no nome da estalagem na primeira página também não é coincidência, sendo mais uma referência ao personagem Queequeg. Aliás, nada mais justo que o Pato Donald participe de uma história sobre marinheiros como personagem principal, não é mesmo?

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O Conde De Montecristal

História da Família Metralha, de 1980.

Inspirada no livro “O Conde de Monte Cristo”, escrito por Alexandre Dumas e publicado na forma de capítulos em série a partir de 1844, esta é mais uma daquelas histórias que o Vovô Metralha conta e que a gente não sabe se é verdade ou inventada.

De qualquer maneira, o que o Vovô parece estar fazendo (e o que papai estava fazendo sem sombra de dúvida com os leitores) é tentar ensinar, de maneira bem indireta e divertida, alguma coisa de História e literatura aos seus desmiolados netos (até mesmo porque ensinar também é uma forma de amar).

Quando leitura é manga de colete e o interesse pelos estudos é nulo (afinal de contas, se gostassem de ler e estudar talvez os Metralhas não tivessem se tornado bandidos), um “teatrinho” e uma história bem contada podem fazer uma pessoa aprender sem perceber, enquanto pensa que está só se divertindo um pouco.

Já o “papel” de Edmond Dantés (pronuncia-se “Dantês”) é perfeito para o Metralha Azarado, já que se pode argumentar que o personagem principal do livro de Dumas também era um bocado sem sorte. Assim, ele será o personagem central e também a maior vítima de todo tipo de desventura, para a diversão do leitor.

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Quanto ao próprio 1313, além de ser a “linha de ligação” entre todas as histórias desta série, é divertido ver a paixão com a qual ele sempre defende seus vários “antepassados”, na (vã) esperança de encontrar algum que não tenha sido assim tão azarado. Ele parece pensar que encontrar um “1313 sortudo” em algum lugar do passado talvez possa redimi-lo, mesmo que seja só um pouquinho.

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Penameu E Glorieta

História do Peninha, publicada pela primeira vez em 1985.

Mais do que uma brincadeira com o tema de Romeu e Julieta, de Shakespeare, esta é uma história sobre identidades trocadas. Para começar, o nome do personagem principal é “Pena”. Somente Pena. Mas, do jeito que ele fala quando perguntam, todo mundo entende “Penameu”.

Peninha Glorieta

O nome da cidade de Verona é mantido, por uma questão de se deixar claro sobre o que é a sátira, mas até os sobrenomes das famílias rivais são trocados: os Capuleto viram “Capeletti”, e os Montecchio são os “Macarroni”. A intenção, além de romancear os nomes, é também fazer uma brincadeira com a cultura e a gastronomia da Itália.

Mas o “Pena, Meu” não é integrante de nenhuma das duas famílias. Ele é simplesmente um forasteiro que chega à cidade e de repente se vê no meio da bagunça. Por uma série de coincidências, é “adotado” pelos Macarroni, e é nessa condição que ele acaba indo parar no baile dos Capeletti.

De qualquer maneira, como no Ato II, Cena II da peça, ele não é “nem um, nem outro”, e isso é uma referência à fala do próprio Romeu. Outras referências e citações estão espalhadas ao longo das páginas, algumas de Shakespeare, outras de outros poetas e até mesmo de contos de fadas, como por exemplo uma menção à fábula de Rapunzel, uma brincadeira com a cena do balcão e menções ao rouxinol e à cotovia.

Peninha Glorieta1

Apesar das gargalhadas que a paródia de papai provoca, é preciso lembrar que a peça original é uma tragédia, que no espaço de 5 dias narra um mal fadado romance entre um rapaz de 17 anos de idade e uma menina de 13, e termina com cinco mortos. Por isso é óbvio que esta história também não poderá ter um final feliz, ainda que não termine em morte, coisa que não “cabe” em uma história Disney.

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Zezi E Rosi

História do Zé Carioca, de 1984.

Em mais uma produção do tio cineasta da Rosinha, Cecilio B. de Milho, hoje temos uma filmagem baseada no livro “O Guarani” de José de Alencar. Este clássico da literatura brasileira teve tanto sucesso em seu tempo que virou ópera ainda no século XIX, pela batuta do maestro Carlos Gomes, além de ser realmente adaptado para o cinema e a TV em várias ocasiões ao longo do século XX.

Por tudo isso é claro que não poderia faltar uma adaptação para os quadrinhos, e é também claro que várias delas foram feitas ao longo dos anos. Se bem que, como papai sempre fazia, este não é um retrabalho rigorosamente fiel do clássico, mas uma variação sobre o tema. É um convite para que o leitor pesquise mais. Ele aproveita aqui alguns dos personagens e cenas do livro, mas a história, na verdade, é outra.

O que temos aqui é mais um dos mistérios “policiais” de papai, que o leitor atento é sutilmente convidado a investigar. Uma série de acidentes estranhos está acontecendo no set de filmagem. Enquanto isso, e como se não bastasse, o Zé Galo está sendo chato como sempre, se intrometendo e querendo tomar o lugar do Zé no filme só para poder beijar a Rosinha, que está fazendo o papel de mocinha.

Será o Zé Galo o vilão que está sabotando as filmagens? Quem está acostumado com as histórias de papai não vai ter dificuldade nenhuma em descobrir a verdade, apesar das investigações atrapalhadas do Zé.

E temos também mais algumas referências. O braço do sabotador é mostrado lançando uma lata de biscoitos da marca “Aymoré“, popular nos anos 1970, na cena do “ataque dos índios”, que faz parte do livro.

ZC Rosi

Já a menção a uma fictícia empresa chamada “Xanxada Filmes” é referência a uma filmagem de O Guarani, ainda recente naquela época, feita em 1979 por um cineasta especializado em filmes eróticos, as chamadas “Pornochanchadas”. A “Chanchada” é um estilo cinematográfico genuinamente brasileiro, caracterizado por um humor às vezes ingênuo, às vezes até de mau gosto, e em estilo de paródia ou sátira de outras produções.

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O Cavaleiro Da Patética Figura

História do Pateta, de 1974.

Aqui papai combina alguns de seus temas favoritos em um criativo mistério policial de ficção científica. Há um pouco de tudo, nesta história: um convite aparentemente inocente para o museu, uma referência ao clássico da literatura “Dom Quixote” (também conhecido como o cavaleiro da triste figura), sugestão hipnótica, sonhos induzidos e até mesmo um estranhíssimo invento tecnológico, o “televisor de sonhos”.

Pateta figura

Como nas melhores histórias de suspense e mistério, tudo se inicia de uma maneira bastante tranquila, aparentemente inocente. É só lá pela segunda página que o leitor atento vai começar a achar que algo está errado. E a sensação de estranheza vai se intensificar ainda mais quando nossos heróis voltarem ao museu para falar com o diretor do lugar.

Pateta figura1

O plano do vilão não é de todo ruim, mas ele logo descobre que “ler sonhos” não é a mesma coisa que controlar sonhos. A indução hipnótica foi bem sucedida em fazer o Pateta e seu sobrinho Gilberto sonharem, mas o vilão Dr. Estigma não contava com o fator da sugestão, que pode ter desdobramentos imprevisíveis. O vilão vai perceber, da pior maneira possível, que não há garantia nenhuma de que a vítima da bisbilhotice dos sonhos vai sonhar aquilo que ele quer ver.

Interessante é o fato de os dois, tio e sobrinho, sonharem juntos a mesma coisa. Isso é aparentemente impossível, mas há relatos de eventos paranormais dessa natureza. O Gilberto pode ser mais inteligente e ter mais estudo formal do que seu tio, mas tudo indica que ele é tão sugestionável quanto o outro. Mas neste caso, pelo menos, essa vai ser a sorte deles.

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