Um Dia, Um Gato…

História do Zé Carioca, de 1979.

O conceito do “gato que imita passarinho” é antigo, e já foi assunto para muitas piadas. Há quem diga que é lenda urbana, que gato nenhum consegue realmente imitar um pássaro, enquanto outras pessoas associam as vocalizações dos felinos quando avistam um pássaro próximo (mas obviamente inacessível) com alguma espécie de imitação ou chamado para a improvável presa.

Os muitos sons que os gatos produzem já foram exaustivamente estudados pelos mais diversos cientistas e especialistas em animais, mas ainda assim muita coisa sobre eles permanece um mistério.

A história de hoje se baseia em uma antiga piada sobre uma pessoa que leva seu gato a um show de calouros com a alegação de que o bicho saberia imitar passarinhos. Quando o animal não consegue cantar a pessoa é expulsa do palco sob gargalhadas, antes que possa demonstrar o “outro” talento do animal que se parece com o comportamento de um pássaro.

A graça da piada se baseia no fato de que a maioria das pessoas associa “imitar passarinho” com a reprodução do canto do pássaro em questão, mas a verdade é que aves têm mais características que podem ser imitadas, além dos sons que produzem.

O gato preto de miado diferente apelidado de “Duzentão” (por ser o ducentésimo gato adotado pelo Afonsinho) e levado na coleira em uma noite de lua cheia logo levantará as suspeitas do leitor atento, ainda mais quando coisas esquisitas começam a acontecer em sua presença. Parece que ele sabe fazer bem mais do que simplesmente “imitar passarinho”.

Mas tudo isso não quer dizer que os gatos em geral, e especialmente os pretos, ao que parece, não consigam produzir sons realmente admiráveis, como este gato no link que sabe latir como um cachorro.

Em todo caso, “saber falar mais de um idioma” não é privilégio dos gatos. Certos pássaros também vocalizam sons inusitados que imitam palavras humanas, cantam, sabem contar, rir, chorar e até mesmo “devolvem a gentileza”, imitando gatos e cachorros.

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O Prefeito Perfeito – Inédita

História do Urtigão contra as Solteironas, composta em 25 de julho de 1993.

Esta é, de modo definitivo, a última história escrita por papai para este personagem. Trata-se, também, da grandiosa (tanto quanto possível) “batalha final” entre o velho matuto e o bando de mulheres que só pensam em casar. Hoje, finalmente, acontecerá o tão esperado (para alguns, e temido para outros) casamento do Urtigão.

A história é uma espécie de continuação e deve ser lida após “A Sorterona Prefeita”, já comentada aqui. Portanto, se você, leitor, ainda não fez isso, está na hora de fazer.

O título é um jogo de palavras entre os sons “pre” e “per”, só pela graça da coisa. De resto, a trama retrata bem, e sempre de maneira satírica, o jogo político de qualquer cidadezinha dos cafundós do Brasil. Governada por decretos, com “baile de posse” para um vice que simplesmente está assumindo temporariamente por uma doença do titular que nem é tão grave assim, fraudes com o papel timbrado da prefeitura, uma concorrência feroz entre “situação” e “oposição” e legislação em causa própria por parte de quem detém o poder. Qualquer semelhança com a política brasileira desde sempre não terá sido mera coincidência.

Será também “por decreto” que a bagunça toda vai se resolver, já que hoje nem a Amazona Solitária conseguirá salvar o Urtigão.

Na página 8, quadrinho no centro da página, há uma piada talvez não muito conhecida, por ser muito antiga, marcada com um ponto de interrogação em azul. Pois é, a pessoa da lapiseira azul não poderia faltar, depois de ter ficado “ausente” por algumas histórias.

A expressão “Tarde piaste” é uma piada malvada que se contava no interior de São paulo quando papai era criança, sobre um homem que, ao comer ovos crus, acaba engolindo um pintinho vivo. Ao que parece, é um provérbio originário de Portugal. Significa “chegar atrasado”, ou “protestar tarde demais”.

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Os Homenzinhos Verdes Da Lua

História do Mickey, de 1976.

Esta história de aventura espacial foi premiada, segundo as anotações de papai, com o II Prêmio Abril de Artes Gráficas de 1977.

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Ela faz alusão à teoria de que existem bases alienígenas secretas na Lua, hipótese aventada desde os tempos em que os primeiros astronautas visitaram o nosso satélite natural e voltaram com relatos de sons estranhos vindos do lado oculto. Aqui é também oferecida uma explicação simples sobre o porque de os astronautas nunca falarem de seus avistamentos de OVNIs, com base no fato de serem histórias nas quais é difícil acreditar.

“Verdolengos” e “Esverdeados”, os dois grupos de extraterrestres mencionados, são algo mais ou menos como “o roto e o rasgado”, já que as duas palavras fazem referência à cor verde de suas peles. Eles são mais parecidos do que diferentes, o que só reforça a futilidade da briga entre eles.

A história tem partes bem distintas, com as primeiras páginas descrevendo como o Mickey vai parar na Lua com o Esquálidus e o Dr. Kopenuper, e como os dois descobriram os seres do espaço. Em seguida papai habilmente faz, em uma única página, o resumo do problema a ser enfrentado e do papel proposto para o Mickey na coisa toda, e a partir daí temos finalmente todo o entrevero entre os nossos heróis e os alienígenas.

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“Caranga” já foi uma gíria para “carro”, especialmente os mais desejados pelos rapazes descolados da época. É bem possível que tenha sido essa a inspiração para o nome “Karangola”, da estranha nave espacial dos amigos cientistas do rato.

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O Banho De Lua

História do Zé Carioca, de 1975.

O mais comum é as pessoas tomarem banho de sol, mas há também quem tome “banho de lua”, que é um tratamento estético para clarear os pelos do corpo. O nome da técnica vem, muito provavelmente, de uma canção dos anos 1960, Interpretada por Celly Campello.

E é muito provavelmente na canção, cuja letra contém palavras como “magia” e “noite de esplendor”, que papai também se inspirou para compor esta história.

Aparentemente a data é a noite das bruxas (já que acontece num dia 13, e não no dia 31 de outubro, que é o dia das bruxas), mas o Zé e o Nestor não sabem disso. Eles estão simplesmente procurando por um clube de campismo específico, porque o Zé achou um título de sócio jogado na rua.

ZC Lua

O plano é acampar e tomar um banho de sol, mas, como eles chegam lá só à noite, resolvem aproveitar para dormir e ir tomar sol só no dia seguinte. Mas, nem bem eles chegam, e coisas estranhas começam a acontecer.

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Afinal, quem, além de um bando de bruxas, faria um acampamento noturno num dia 13 de lua cheia para “tomar banho de lua”? É claro que elas não ligam a mínima para tratamentos estéticos, mas se há “magia” relacionada a uma atividade, elas certamente estarão lá.

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O Misterioso Sr. Bzung

História do Zé Carioca e Nestor, de 1984.

O Nestor faz um daqueles cursos por correspondência, desses que a gente cresceu a vida toda vendo nas páginas de anúncios das revistas em quadrinhos, e resolveu abrir uma oficina de consertos em sua casa. Apesar da gozação do Zé, que tem alergia a trabalho, as perspectivas do Nestor são boas. E o melhor, os amigos da turma já trouxeram um monte de coisas para ele consertar.

A única coisa com a qual o nosso profissional dos consertos não esperava é a chegada de um cliente muito especial, que pede ajuda para… ser consertado! É um robô, que não sabe de onde veio, ou qual é o seu nome. Por conta das letras gravadas em seu corpo, e do som que ele faz, o Nestor o apelida de Sr. Bzung. Em seguida, ele sai para procurar ajuda, pois teme que o robô possa ser perigoso.

Nestor Bzung

O mistério vai sendo revelado aos poucos, devagar o suficiente para que o leitor possa tecer as suas próprias teorias, e a resposta sobre a identidade da máquina vem do jornal com o qual o Zé se cobriu para tirar uma soneca no banco da praça. Da leitura do jornal aprendemos que é um robô lunar lançado do “Cabo Canavial”, que caiu do foguete sobre o Brasil por causa de uma falha mecânica, e que uma agência espacial dos Estados Unidos – uma tal de NAZA – está oferecendo uma recompensa milionária (em dólares!) pela devolução do equipamento.

Parece a chance de uma vida de finalmente ficar rico, e o Zé dá um jeito de reivindicar para si mesmo metade da grana, pela ajuda em contactar a agência espacial. O problema é que o Sr. Bzung tem seus próprios planos. Ele pode não saber quem é ou de onde veio, mas ele sabe muito bem para onde deve ir.

Nestor Bzung ZC

Enquanto os dois amigos tentam controlar o robô e impedir que ele escape – sem sucesso nenhum – discutem sobre a partilha do prêmio e como entrar em contato com a NAZA, o robô tem seus próprios planos de como chegar à lua sem a ajuda da agência espacial que o criou.

Interessante é a maneira gradual pela qual o visitante é revelado: ele aparece pela primeira vez no último quadrinho da primeira página, apenas uma silhueta e um “bzung”. O leitor desatento talvez nem note a presença, que vai então se intensificando nos quadrinhos seguintes. O próprio Nestor demora a perceber, e é possível que o leitor note que há mais alguém ali antes mesmo do personagem.

Nestor Bzung 1

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