Tio De Peixe, Peixão É

História do Zé Carioca, de 1984.

Não é nenhuma novidade que o Zé é “vida mansa”. Também não é segredo que, para ele, a vida é um eterno domingo. Ele também já está até acostumado com a implicância do pai da Rosinha, mas a verdade é que tudo tem limite, e ele tem toda a razão de se revoltar, principalmente quando, repreendido por estar indo pescar em plena segunda feira, ele descobre que o Rocha Vaz pretende fazer a exata mesma coisa no exato mesmo dia.

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Até aí, tudo bem… O problema é que o velho tucano praticamente intima a filha a ir com ele. Desconfiada, a Rosinha dá um jeito de levar o Zé com ela, no que faz muito bem. Já no avião ela descobre que tudo não passa de um plano do chato Zé Galo e de seu pomposo tio, Epaminondas, para dar o golpe do baú.

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A história contém também vários elementos de antigas piadas de pescador, e a ambientação de selva, com a pescaria no Rio Araguaia, lembra bastante também antigas histórias do Luis Carlos, rival anterior do Zé pela mão da Rosinha. Mas é claro que, se ele não conseguiu nada com ela, por que o galo conseguiria? A diversão não é saber se o plano vai ou não dar certo, mas sim como é que vai dar errado.

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A Volta De Luís Carlos

História do Zé Carioca, de 1977.

Luís Carlos, antigo pretendente da Rosinha, volta do exterior para atazanar o seu rival. Arrogante como sempre, não perde a oportunidade de tentar humilhar o Zé, comentando sobre o quanto ele é pobre, e exibindo um carro esporte enorme.

O fato é que o vilão menciona o “estratagema”, nas palavras da Rosinha, que o Zé usou para conquistá-la, ou seja, o fato de ele ter se passado por rico para poder se aproximar da moça. Enquanto isso, ele próprio afirma estar mais rico do que nunca.

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A história mexe bastante com aquele estereotipo que os brasileiros têm, aquela impressão de que basta sair do Brasil por alguns anos para se voltar podre de rico.

Interessante, aqui, é que a Rosinha está morando em uma casinha de alvenaria, simples mas arrumadinha, com um belo jardim de margaridas, e não na mansão de seu pai. Essa casinha não parece ficar muito longe do Morro do Papagaio, aliás.

E por falar em margaridas, o leitor vai perceber que a periquita parece estar se comportando mais ou menos como uma certa pata com nome de flor que mora em Patópolis. Ela aceita passear de carrão com o Luis Carlos, mas a verdade é que dá um jeito de fazê-lo levar o rival com eles. Parece estar bastante atraída pelo tucano arrogante, mas insiste em ter um cada vez mais enciumado Zé ao seu lado o tempo todo. Qual é a dela, afinal?

E para coroar a tarde dos comportamentos estranhos, quando o Zé volta ao morro recebe do Nestor a notícia que eles têm um novo vizinho, e que ele tem um carro “maior do que o barraco onde mora”. É aí que todas as peças do quebra-cabeças se juntam: o Luis Carlos está tentando fazer o mesmo que o Zé fez, mas com uma diferença… ele não tem amor pela Rosinha. Apenas uma grande vontade de dar o golpe do baú.

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E antes que os machistas de plantão venham atacar a reputação da Rosinha, ela logo aparece para se explicar: já estava sabendo do plano todo pelas amigas (o que seria de uma mulher chique sem suas amigas fiéis?) e só fingiu se interessar pelo pilantra para ganhar tempo e desmascará-lo. Seu coração sempre foi e sempre será do Zé Carioca, mas acontece que ela é uma moça fina demais para fazer barracos, e prefere esperar o momento certo para agir.

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O Amigo Da Onça

História do Zé Carioca, publicada em 1984.

Mais uma vez o papagaio malandro se vê às voltas com uma onça, e com um rival. Apesar de o Zé Galo já existir desde o ano anterior, papai preferiu usar aqui o Luis Carlos, certamente por causa da ligação do personagem com a amazônia e aventuras de caça na floresta.

Desde “A Onça e o Valente”, já comentada aqui, sabemos que o Zé não simpatiza muito com esses felinos, para dizer o mínimo. Para dizer a verdade, ele tem tanto pavor de onças como tem de jacarés e crocodilos, ambos animais recorrentes em suas aventuras mais selvagens.

Para fazer frente ao Luis Carlos (que na verdade nem é tão valente assim, mas costuma fingir melhor do que o Zé) e sua arma de dardos tranquilizantes, e principalmente para não fazer feio na frente da Rosinha, o nosso herói resolve usar sua fanfarronice em proveito próprio, com a ajuda dos amigos. O plano é caçar um “amigo da onça”, ou melhor, um amigo do Zé disfarçado de onça, para tentar desmoralizar o rival e impressionar a namorada. O problema é que uma trapaça dessas nunca poderia dar certo numa história Disney, e o Zé e seus amigos Nestor e Afonsinho são logo desmascarados.

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É na hora em que o Zé está mais desmoralizado (e a gente sabe que a Rosinha está realmente chateada quando ela começa a chamar o papagaio de “Senhor José”), e quando ninguém mais está esperando, que aparece… a onça! Quando a Rosinha está em perigo de verdade o Zé vira bicho, e esquece que tem medo até da própria sombra.

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Mas não é “só” porque foi obrigado a cumprir o que prometeu, salvou a namorada e realmente pegou uma onça a unha, que ele vai poder colher os louros da vitória e da glória, ou contar vantagens. A história termina como começou, com o Zé dormindo na rede acompanhado de seu cachorrinho de estimação, o Soneca, mas não exatamente por preguiça.

“Amigo da Onça”, é uma expressão que significa uma pessoa traiçoeira, uma espécie de “quinta coluna”, que trai os amigos e favorece os inimigos. Foi também um personagem clássico dos quadrinhos nacionais.

Zé Milionário

História do Zé Carioca, de 1982.

Que o Zé é um pobretão todo mundo sabe… Ou será que há quem não saiba? Papai aproveita aqui personagens e situações de uma história criada nos EUA em 1943, chamada “Aventura na Amazônia”. Nela, o papagaio malandro se passa por rico e banca o guia de um ricaço e sua filha (e flerta com ela), enquanto luta pelo amor da Rosinha com o Luis Carlos, um rival que depois seria substituído pelo Zé Galo.

O Splash Panel de papai é aliás uma perfeita cópia do segundo quadrinho da história de 1943, e isso não é nenhuma coincidência. A grafia “Horta” para o sobrenome do ricaço e sua filha Glória, e não Del Orta, como no original, pode significar que papai leu a Aventura na Amazônia nos arquivos da Editora Abril em São Paulo, mas não a levou para casa para consulta, precisando então confiar na memória para compor a “continuação”. Outra possibilidade é que ele tenha tentado “abrasileirar” os nomes dos personagens, já que a grafia original soa espanholada demais para personagens supostamente brasileiros (se bem que há sobrenomes brasileiros de todos os tipos).

A trama aqui é mais ou menos uma continuação da anterior: o Rocha Vaz está tentando acabar com o namoro entre a Rosinha e o Zé, enquanto tenta convencê-la que o Luis Carlos, que havia ficado pobre e agora voltou a ser rico, é um pretendente melhor. Enquanto isso, aparecem os Del Orta, e o Zé deixa que eles continuem pensando que ele é rico, enquanto (acreditando que a Rosinha não quer mesmo mais nada com ele) flerta com a moça.

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O desenrolar dos acontecimentos, uma comédia de erros e mal entendidos, alguns deles provocados pela falastronice do próprio Zé, acaba fazendo com que todos os personagens se encontrem no final para resolver suas diferenças. Nem o Zé e nem o Luis Carlos são lá muito corajosos, mas no embate com os bandidos o Zé (é claro) acaba se saindo melhor, até mesmo recebendo mais crédito do que realmente merece.

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E o melhor de tudo é que a Rosinha finalmente se declara ao nosso amigo papagaio. Podem até existir rivais, mas nenhum deles tem a menor chance de tomar o lugar do Zé no coração de sua eterna namorada.

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