Os Sete Signos Mágicos

História das bruxas Maga e Min, de 1976.

Quando a Maga Patalójika não está às voltas com tentativas de roubar a moedinha número um do Patinhas, ela está procurando por outros amuletos que possam substituí-la, ou ajudá-la a conseguir a moedinha. É uma ideia fixa, uma mania da bruxa.

Este é um duelo de magia dos grandes, quase uma guerra total, para ninguém mesmo botar defeito. Mas, como papai indica logo na primeira página e, aliás, não poderia deixar de ser, mais este plano maligno também está fadado ao fracasso por um motivo bastante óbvio.

Maga signos

A biblioteca (da Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas) de Bruxópolis é um lugar deveras curioso, com prateleiras para “livros embolorados”, “autores desconhecidos”, “autores que não vêm ao caso” (o que poderia ser pior do que um autor desconhecido, senão um cujo nome nem vale a pena citar? Seria este um protesto contra o “anonimato” imposto aos autores das histórias Disney na época?), “livros empoeirados”, “livros indecifráveis” (como o Manuscrito Voynich) e “livros inacabados”.

A viagem é difícil e a busca pelos sete signos mágicos é perigosa, mas as bruxas são poderosas e conseguem derrotar facilmente o Pássaro Roca (da história de Simbad, o Marujo), e um dragão que cospe fogo. Mas derrotar a bruxa rival em si vão ser outros quinhentos, é claro, mesmo usando todas as palavras mágicas em seu repertório. A aventura toda é, de fato, tão movimentada e cheia de reviravoltas que o leitor até se esquece do “pequeno detalhe” do início.

As bruxas de lado a lado usam também várias ferramentas místicas do mundo real, como a “forquilha mágica”, usada em radiestesia para procurar por água e metais preciosos, e a “bacia mágica”, que é algo que John Dee e Nostradamus usavam em suas previsões e investigações ocultas.

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O Espelho De Bruxóvia

História da Maga Patalójika, de 1975.

Convencida de que encontrou um poderoso aparelho dominador de mentes, a Maga arremata num leilão um antigo espelho mágico. Para uma bruxa, até um vintém furado (sinônimo de preço irrisório – “isso aí não vale nem um vintém furado”) é dinheiro.

Esta história é inspirada em outra, de terror, publicada em 1961 pela Editora Outubro sob o nome O Bruxo!

“Bruxóvia” lembra nomes de lugares como Cracóvia, por exemplo, e poderia ser algum misterioso país/cidade/região de bruxos na exótica Europa Oriental, quase uma segunda Transilvânia. Quem já ouviu a canção russa “Oci Ciornie” (Olhos Negros) sabe de que tipo de sons eu estou falando.

Sendo um objeto mágico, é claro que esse espelho não é nada comum. Para começar, ele é feito de metal, e não de vidro. Os espelhos de vidro foram inventados no final da Idade Média e se popularizaram na Veneza do Renascimento (onde surgiu também a lenda urbana dos sete anos de azar por se quebrar um espelho: de fato, coitado do empregado doméstico que quebrasse um desses caríssimos objetos no palácio de algum nobre. Certamente nunca mais trabalharia para família rica nenhuma na cidade.)

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Mas os espelhos mais antigos de que se tem notícia eram feitos de metais cuidadosamente polidos, principalmente o cobre, o bronze e a prata. Alguns dos de bronze são inclusive citados na Bíblia hebraica, e certamente não chegam nem perto de ser os mais antigos. Assim, o “Espelho de Bruxóvia” poderia ter milhares de anos de idade.

Em seguida, há todo um conjunto de “leis da magia” que o acompanham, e a principal delas é que quem se mira no espelho fica sob o poder mental do dono do objeto. Mas como o espelho é antigo e está embaçado, precisando ser polido novamente para voltar a refletir alguma coisa, a Maga logo desenvolve todo um plano a respeito de quem ela quer que faça esse polimento.

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Curioso é o interesse (entusiasmo, até) do Tio Patinhas por métodos místicos de previsão do futuro, que inclusive parece vir de antigas histórias italianas, como por exemplo “O Espelho negro”, de 1967.

Mas o plano da Maga tem uma falha muito básica, que faz todo o plano ir por água abaixo de um jeito completamente hilário, é claro. Como sempre a bondade dos bons é a sua própria proteção, mais potente que qualquer magia negra.

A Grande Cachorrada

História da Maga Patalójika, publicada uma única vez em 1977.

A história começa com a Maga passando a pé (sua vassoura está quebrada) por um beco de Patópolis, e sendo hostilizada pelos cães de rua. De acordo com mais uma das regras da magia que papai acaba de inventar, o fato é que cachorros não gostam de bruxas, e as farejam de longe.

A solução, sugerida pelo corvo Laércio, é jogar nos bichos as suas famosas bombas bestificantes, que têm o poder de deixar qualquer um atordoado por algum tempo.

Quando a Maga vê o carro do Donald passar com o pato no volante, levando o Tio Patinhas e a redoma da Moedinha Número Um, a coisa toda vira, para ela, uma caçada ao velho muquirana e ao seu bem mais precioso.

Maga TP

Os patos estão a caminho do acampamento dos escoteiros, onde o Patinhas dará uma palestra sobre como ganhou e guardou sua primeira moeda, e como ela se tornou a base de toda a sua fortuna. Tema fascinante para ele próprio, certamente edificante aos olhos do General dos Escoteiros Mirins, mas na prática bastante maçante, por ser uma história longa e já conhecida de todos.

O elemento que vem quebrar esse tédio é a bruxa em sua sanha gananciosa, que chega ao local de táxi (algo inusitado, para uma bruxa) e “distribui” suas bombas bestificantes para todos os lados, repetidamente ouvindo e acatando as ideias sugeridas pelo corvo de como melhor levar seu plano a cabo.

Maga velhinha

A imagem da velhinha na floresta com o cesto de maçãs imediatamente lembra a Bruxa Má da história da Branca de Neve, embora o disfarce da Maga tenha pouco a ver com o da “colega”.

O plano começa a dar errado quando a “velhinha” se depara com o Sabujo, o cão dos escoteiros que, como todos os cães, não gosta de bruxas e não se deixa enganar por disfarces. Já o problema do cão são as ordens conflitantes que ele recebe dos humanos, inclusive com a ameaça de tomar dele todas as suas medalhas (seu maior medo), que não entendem o porque do ataque ao que parece ser uma velhinha inofensiva.

Maga bomba

Bombas voam para todos os lados, Tio Patinhas e o General são atingidos, a redoma com a moedinha chega a trocar de mãos algumas vezes, a correria é grande, mas quando parece que a bruxa está ganhando a parada, um “detalhe” que ela esqueceu para trás (e na verdade até o leitor) volta para atrapalhar: é o motorista do táxi, elemento surpresa, o “fio solto” que faltava atar na trama, que acordou do atordoamento e quer receber o preço da corrida em dinheiro, não em bruxarias.

Assim a bruxa é capturada, a moedinha volta ao seu legítimo dono, e tudo está bem quando acaba bem. Ou quase: o Corvo Laércio é quem vai ter de aguentar a raiva da bruxa por mais uma tentativa frustrada de roubar a Número Um.