A Visita Dos Manchinhas

História do Mancha Negra, de 1975.

Bem, se todos os personagens Disney (ou pelo menos muitos dos mais importantes) têm sobrinhos, por quê o Mancha Negra também não poderia tê-los?

É sob essa premissa que papai criou estes três “Manchinhas” e os usou em duas de suas histórias. A ideia era que eles não fossem personagens fixos, mas aparecessem de tempos em tempos para complicar a vida do tio.

Eles aparentemente vivem com um outro membro da “família Mancha”, um obscuro “Tio Manchado”, que é especialista em teorias e táticas criminosas. O problema (para os Manchinhas que, como todo pré-adolescente, já querem ser precocemente adultos) é que ele raramente parte para a ação.

Os meninos malvados querem “aulas práticas”, querem já começar uma carreira de crimes, sendo que o direito de toda criança é justamente o contrário, é ir para a escola e aprender a ser uma boa pessoa. É exatamente por ceder às vontades maléficas dos sobrinhos que o Mancha será humilhado mais uma vez.

Papai deixa transparecer uma certa tensão entre esses dois “tios”, com os Manchinhas mencionando que o Manchado haveria criticado o Mancha (seria algo como o “sujo criticando o mal lavado”?) por não observar certas táticas maléficas básicas e, por isso, acabar sempre preso pelo Mickey.

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O Clube Dos Peraltas

Publicada ela primeira vez em 1975, é uma história dos Metralhinhas, outra daquelas nas quais todos os personagens são vilões.

Cansados de serem os únicos peraltas do bairro e de brincar só entre eles próprios, os Metralhinhas resolvem criar um clube e angariar novos sócios. O problema é que as outras praguinhas atraídas pela placa são bem mais “barra pesada” do que eles, já que todo mundo sabe que a Família Metralha é composta em sua maior parte por ladrões “pé de chinelo”, que se acham espertos, até praticam assaltos, mas que não são realmente maléficos.

Os três sobrinhos do Mancha Negra (que aliás só aparecem em duas histórias, as duas de autoria do meu pai, o que me leva a crer que foram criados por ele) metem medo, como o tio, basicamente por causa da capa preta e aura misteriosa, mas os vilões  “de verdade”, especialmente por causa de seus poderes mágicos e falta de escrúpulos em usá-los, são realmente os bruxinhos Peralta e Perereca.

A trama se baseia na crença que “chefs demais entornam o caldo”, no sentido de que quando todos querem chefiar, a situação se complica. As regras estabelecidas pelos fundadores do clube são questionadas pelos recém-chegados, e os métodos para tentar resolver o impasse são tudo, menos honestos.

Clube Peraltas

É claro que não poderia dar certo, mas até aí o leitor já riu da situação até ficar com a barriga doendo, e na verdade é isso o que realmente importa.