O Pássaro Muxoloko

História das Bandeirantes, de 1980.

Os Metralhinhas estão, mais uma vez, atrapalhando as meninas. Mas, desta vez, a ajuda do Zorrinho não será necessária.

O fato é que a bondade dos bons é sua própria proteção, como sempre. Mesmo enganadas como patinhas que são, elas (surpreendentemente) ainda vão conseguir se sair bem na tarefa de observar pássaros.

O nome do bicho, como grafado no título da história, é (obviamente) uma referência à expressão “muito louco” para indicar algo inventado na hora, que não existe.

Uma coisa interessante é que a Margarida é instrutora da tropa de bandeirantes, enquanto o Donald nem chega perto de ser alguma coisa com relação aos escoteiros, muito pelo contrário. Quando o pato está envolvido, geralmente é na intenção de atrapalhar os meninos. Ponto para as mulheres.

A ideia de transformar a pata em chefe das bandeirantes vem de uma história estrangeira de 1963, que papai certamente leu em uma das republicações subsequentes aqui no Brasil. Mas pelo menos ele “liberta” as meninas da maçante tarefa de vender biscoitos e coisas assim, e as coloca na mata para observar pássaros, exatamente como os Escoteiros na história chamada “O Pássaro Não Identificado”, que ele criou dois anos antes desta.

E a pitada de futurismo fica por conta da máquina fotográfica no estilo “polaróide“, aquela que revela as fotos instantaneamente, mas em um formato mais compatível com as modernas câmeras digitais. Um prodígio! 😉

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Um Tremendo Furo

História do Peninha, de 1977.

A palavra “furo”, como quase todas elas, tem mais de um significado. Tudo depende do contexto, é claro. Em jornalismo, um “furo” é uma notícia inédita e exclusiva, aquela que ninguém mais tem para dar. Já em outros contextos ela pode significar um rasgo, buraco ou orifício, uma depressão que atravessa de um lado a outro de um objeto. Hoje, papai brincará com todas estas acepções da palavra.

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Além disso, para engrossar um pouco mais esse caldo, ele usará a noção dos sonhos proféticos que “emprestou” ao Peninha. Por ser totalmente “lado direito” do cérebro, o pato abilolado tem também, na visão de papai, uma intuição bastante desenvolvida expressada em sincronicidades e sonhos no mínimo curiosos que acabam se manifestando na realidade desperta. Esse, aliás, é um talento que ele próprio tinha e que associou também a outros dos seus personagens prediletos, como o Zé Carioca.

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A minha teoria quanto a esse assunto é a de que, em uma noite bem dormida, as pessoas que se lembram dos seus sonhos com facilidade (todo mundo sonha, mas nem todos se lembram deles ao acordar) imaginarão quase todos os desfechos possíveis para algum problema ou preocupação que esteja ocupando suas mentes. Isso acontece por causa da capacidade analítica do cérebro humano, que nunca para de funcionar, mesmo quando adormecido.

Assim, quando um dos desfechos imaginados acaba se realizando a pessoa pode se convencer de que previu os acontecimentos antecipadamente, e na maioria dos casos foi isso mesmo o que aconteceu, mas não por causa de algum fenômeno sobrenatural. A coisa só se complica quando aparecem, nos sonhos, informações das quais a pessoa não poderia ter conhecimento por vias normais. Mas esse é assunto para um outro dia.

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Pra Que Serve O Invento?

História do Professor Pardal, de 1972.

Antes de começar a usar a magia para inverter as personalidades dos personagens, como fez algumas vezes ao longo de sua carreira, papai primeiro tentou a tecnologia.

Esta é mais uma variação sobre o tema das famosas Leis de Clarke, já comentadas neste blog, com mais uma pitada de ficção científica, um pouco de filosofia oriental e até mesmo um caso de “abdução” por uma força misteriosa e desconhecida que compele o Pardal a fabricar uma máquina sem explicar para o que ela serve.

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Quando é revelada a função do invento, que a princípio consegue transformar o Tio Patinhas de pão duro em perdulário e o Lampadinha de dócil em agressivo, vemos o uso de uma antiga máxima budista transposta para a alta tecnologia.

Assim, a misteriosa máquina passa a se comunicar com o inventor e estabelece que “para tudo o que existe no universo há o inverso”, o “anti”, que se expressa em coisas que vão desde a antimatéria e até as personalidades das pessoas.

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É claro que papai exagera um bocado com sua proposta pseudo-filosófico-científica, mas é para isso mesmo que servem os quadrinhos. Ele também não nos explica, em momento algum, quem ou o que é essa força que inspirou o inventor a construir a máquina misteriosa. O interessante é que uma explicação não faria nada de bom pela história, e só criaria um desvio desnecessário da trama. Algumas coisas não precisam ser explicadas.

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Uma Reportagem De Verdade

História do Peninha, de 1975.

O elemento central desta história é uma máquina fotográfica muito especial inventada pelo Professor Pardal. Mas para que a coisa toda tenha graça, é preciso que ela caia nas mãos do Peninha sem que ele saiba para quê ela realmente serve. Assim, a trama é distintamente dividida em duas fases bem diferentes: a primeira descreve o processo pelo qual o Peninha vai ficar de posse da máquina, e a segunda mostra o que ele vai acabar fazendo com ela.

E para aumentar a confusão, todas as situações são extremas. A balbúrdia começa com uma conveniente liquidação de inventos, tratada como as folclóricas e tumultuadas liquidações dos EUA, no estilo do que hoje é conhecido como “Black Friday”. Esse tipo de “frenesi de compras” não era conhecido no Brasil em 1975, e era visto por nós brasileiros somente nas páginas das histórias em quadrinhos. Mal sabíamos nós que essas “liquidações de histórias em quadrinhos” existiam de verdade.

A segunda situação extrema é a correria do Peninha para “encaixar” a reportagem que ele fez com o auxílio de sua máquina fotográfica nova na edição de hoje do jornal. Correria essa, aliás, bastante comum em qualquer redação de qualquer jornal naquela época.

Peninha reportagem

E é aí que está o pulo do gato pois, afinal, tendo sido inventada pelo Pardal, fica claro que esta não é uma máquina fotográfica comum. Ela é uma máquina de fotografar pensamentos. E isso pode ser um grande problema, especialmente quando as pessoas, por motivos diplomáticos ou de negócios, não dizem o que estão pensando.

Peninha reportagem1  Peninha reportagem2

Além disso, esta é uma dica de como a imprensa em geral manipula a imagem das pessoas, fazendo-as parecer o que convém aos “donos” da informação. Cuidado, crianças: nem tudo o que aparece nos jornais realmente é o que parece ser.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

Um Ataque De Consciência

História do Zé Carioca, de 1982.

Para alguém que tem fama de “preguiçoso”, “vagabundo” e “caloteiro”, eu diria que o papagaio verde do Rio de Janeiro chegou a trabalhar bastante e frequentemente, especialmente na época em que papai “cuidou” dele. Nada mais divertido, aparentemente, do que ver alguém que não gosta de trabalhar fazendo exatamente isso.

O nome “Foto Sabiá” me lembra bastante a antiga Foto Saidenberg, de Campinas, cujo dono era meu bisavô, Abraão Saidenberg. Aqui, o “biso” é representado pelo inventor Sabiá, tio do Professor Pardal.

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Diz o ditado que a ciência, quando é muito avançada, mal se distingue de magia. Esse parece ser o caso também nesta história. Usando uma nova tecnologia disfarçada em uma antiga máquina fotográfica, de um modelo, aliás, que poderia ter sido usado pelo “biso”, o Sabiá consegue produzir um efeito muito parecido com o que uma bruxa ou fada faria, “conjurando” a boa consciência de uma pessoa de modo tão intenso, que ela até começa a ver e interagir com a coisa.

ZC Consciencia1

E é positivamente forçado por essa consciência que o Zé vai dar um duro danado e de graça, ainda por cima, quando na verdade preferiria estar no Morro do Cochilo, o ponto mais alto do Morro do Papagaio, onde ele costuma tentar se refugiar quando a situação aperta, a exemplo de “A Arca do Zé Noé”, já comentada aqui.

Interessante é por quê a consciência do Zé faz “Plim Plim” a cada vez que aparece. Seria uma referência a uma certa rede de TV brasileira que sempre gostou de tentar influenciar pessoas?

Mais detalhes sobre a Foto Saidenberg e a relação da família com a fotografia e o cinema estão na biografia que escrevi de papai:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Amazon:http://www.amazon.com.br/Ivan-Saidenberg-Homem-que-Rabiscava/dp/8566293193/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1427639177&sr=1-1