As Carantonhas Espantosas

História do Morcego Vermelho, publicada uma vez só em 1976.

Na mesma linha das Garatujas Abomináveis e da Máquina Kar-Eta, também originalmente publicadas em 1976, hoje temos as “Carantonhas Espantosas”, que não seriam nada mais do que máscaras se não fosse uma prodigiosa máquina de controle da mente inventada por um Professor Urubulino e seu ajudante, ambos de de Urubusópolis (mais uma das cidades da região metropolitana de Patópolis). Esse vilão, aliás, aparece somente nesta história. Portanto, é mais uma criação de papai.

As máscaras de carantonha nem são tão feias assim, mas a sugestão hipnótica da máquina faz com que elas pareçam assustadoras. Além disso, em uma situação que também é recorrente nas histórias do Morcego, o plano dos bandidos é convencer o herói de que ele precisa sair da cidade, ir embora, tirar umas férias, por bem ou por mal, para que eles possam finalmente assaltar em paz.

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E também como sempre acontece, papai vai semeando pistas aqui e ali para o leitor atento que, se souber segui-las, logo adivinhará o restante da trama. A primeira pista está no último quadrinho da primeira página, no qual o fundo da lata de lixo morcego sai. Isso terá uma consequência no final da história.

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Outra cena bastante significativa é esta abaixo, quando todas as Carantonhas estão reunidas. Quem realmente acreditaria que o 1313 encolheu só por levar uma pancada na cabeça, se não estivesse sob o efeito da máquina hipnótica?

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Mas… Que Descarado!

História dos Irmãos Metralha, de 1977.

Esta é a segunda das três histórias para o Metralha Descarado, e a única que não envolve a Máquina Kar-Eta. Na verdade a história quase não envolve o próprio Descarado. Apesar de não parecer, esse personagem faz, aqui, quase que somente uma participação especial. Depois de uma breve apresentação, dele e de suas habilidades especiais, e de sua “chegada triunfal” ao esconderijo da quadrilha, a história muda sutilmente de direção.

Descarado 1313

Tão sutilmente, aliás, que o leitor talvez só perceba no final. Desta vez vai ser preciso muita atenção para entender o que está acontecendo, antes da revelação na última página. Os elementos chave da trama são a vontade do 1313 de ser tão respeitado quanto o Descarado, o prodigioso azar do 1313, e a mania do Vovô Metralha de dar bengaladas em qualquer um que diga uma “palavra proibida”.

O problema é que apesar de tudo, já que os Metralhas são todos muito parecidos e está escuro, o que dificulta bastante até a situação do leitor, que fica mais propenso a não dar importância ao episódio, só há uma pessoa no bando que é tão azarada a ponto de levar bengaladas por engano, e essa pessoa não é o Descarado. Então, quem é, se o 1313 foi deixado amarrado no esconderijo quando os outros saíram, para não atrapalhar?

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O Vovô, aliás, não perdoa nem a si mesmo, e essa é, com toda a certeza, a melhor piada da história.

Descarado 1313 b

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A Máquina Kar-Eta

História dos Irmãos Metralha, de 1979.

Esta é a continuação da história comentada ontem. Passaram-se três anos, e o Primo Descarado desta vez consegue roubar a máquina Kar-Eta do Prof. Heureko, que continua falando o seu idioma enrolado. Papai teve o cuidado de voltar à primeira história e pesquisar novamente as exatas palavras do inventor estrangeiro, que, como eu já disse, podem até ser traduzidas, com um pouco de imaginação.

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Desta vez os Metralhas não estão apenas ouvindo uma história contada pelo Vovô, e vão ter uma experiência em primeira mão com o aparelho. O Descarado leva a máquina para seus primos, os Irmãos Metralha, mas quando eles pedem para usá-la, cobra dez mil “por cabeça” literalmente. Não é só por ser um mestre em disfarces que ele tem esse nome… o descaramento está no (mau) caráter, também.

Sem muita alternativa e desesperados para mudar de aparência, os irmãos pagam ao primo usando um dinheiro “do Vovô”, que está preso e provavelmente não vai dar pela falta. Mas vejam bem, o dinheiro é *do Vovô*. Entre bandidos, isso pode ter vários significados. Essa é a primeira burrada deles, além, é claro, de pagar para ficar com cara de sei-lá-o-quê.

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Com os rostos mudados, eles tentam fugir da cidade, mas não conseguirão ir longe. Afinal, passaram-se três anos, e como acontece frequentemente com aparelhos eletro-eletrônicos de todos os tipos, nesse meio tempo o cientista maluco aperfeiçoou a máquina. O efeito dela agora dura algumas horas apenas, e não mais uma semana inteira, como antes. Mas os bandidos só vão ficar sabendo disso no momento mais impróprio, cuidadosamente orquestrado por papai para o máximo efeito cômico.

E uma vez presos, ainda terão de rever o Descarado, e prestar contas ao Vovô por causa do dinheiro “dele”, que aliás foi a causa da prisão do primo. Definitivamente, o crime não compensa.

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O Primo Descarado

História dos Irmãos Metralha, de 1976.

Aqui vemos a primeira aparição de mais um primo dos Metralhas, o Descarado-176, que é mestre em disfarces. Este personagem foi usado apenas três vezes, todas elas em histórias escritas por papai. Portanto, ele é mais uma criação original de Ivan Saidenberg.

Quanto à trama em si, papai nos mostra que o modo pelo qual se começa uma história é tão importante quanto a finalização da mesma história. Aqui temos o personagem principal entrando de supetão e aos gritos de “idiota”, colocando o leitor diretamente dentro do covil dos bandidos. O problema é que o disfarce deles já está manjado demais. Tão manjado, na verdade, que a polícia já está até fazendo cartazes de procurado para os “Metralhas disfarçados”.

O jeito é mudar de aparência novamente, mas como? Isso dá ensejo a mais uma historinha contada pelo Vovô, sobre o Primo Descarado e sua aventura com a máquina “Kar-Eta”, não por acaso uma brincadeira com a palavra “careta”. Os prodigiosos raios dessa máquina transformam os rostos das pessoas em algo completamente diferente – e feio pra burro – por toda uma semana.

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Ela é invenção do Professor Heureko (uma brincadeira com a palavra Eureka), um cientista estrangeiro que participou de um congresso internacional de ciências em Patópolis. Por ser estrangeiro, esse professor fala o idioma “Strumpf”, que, à exceção das caretas da máquina Kar-Eta, é a coisa mais engraçada desta história.

Ele lembra o Alemão ou o Yidishe, e mistura palavras totalmente desconhecidas ao ouvido brasileiro, como “Atafunder” e “Der Grunz”, com outras bastante familiares como “Itiotz” (qualquer semelhança com “idiota” não terá sido mera coincidência), “Halpf” (help, ou socorro, em inglês), e “Bestraub” (que, vinda do professor Heureko, soa como um xingamento, talvez “sua besta” – será que a mesma expressão, se colocada na história em português, passaria pela “ética” disneyana?). A verdade é que, com um pouco de imaginação, o leitor pode até traduzir as falas do cientista.

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