Uma máquina Muito Louca

História da Turma do Lambe Lambe, de Daniel Azulay, composta em maio de 1982 e publicada pela Editora Abril na revista da turma número 10 em fevereiro de 1983.

Esta é bastante original pela participação do personagem do próprio Daniel Azulay como parte da turma que criou (e principal herói da trama, é claro). O Daniel aparece também em outras histórias de outros autores, então acredito que essa participação especial foi ideia do próprio.

O resto é a brincadeira tecnofóbica de praxe, com a dificuldade da Xicória em lidar com um par de máquinas malucas enquanto tenta limpar o laboratório por ocasião do aniversário do Professor Pirajá.

E por falar em aniversários, fiquei sabendo (como todo fã de quadrinhos, aliás) que o Daniel completou 70 anos de vida recentemente. Deixo aqui meus parabéns ao artista, e o meu obrigada por ter deixado papai brincar com os seus brinquedos. 😉

Algodão doce para você, Daniel!

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

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De Volta Ao Mundo De Esquálidus

História do Mickey, de 1979.

Com uma generosa dose de tecnofobia e muito humor, ela foi premiada com o 5º Prêmio Abril de Jornalismo em 1980 como Melhor História em Quadrinhos.

Com o advento dos computadores, nos anos 1960, e com os avanços da tecnologia que já se via nos anos 1970, surgiu em algumas pessoas uma certa paranoia de que, algum dia em um futuro não muito distante, essas máquinas todas se tornassem “inteligentes demais” e passassem a nos dominar. Essa ideia foi muito alardeada por sensacionalistas de todos os tipos, desde jornalistas até cineastas e afins.

E apesar de todos os avanços, e da atual crença de que máquinas super inteligentes podem nos libertar e não escravizar, se usadas corretamente, essa tecnofobia ainda existe. Uma noção que já está caindo em desuso, mas que foi muito usada como “bicho papão” nos anos 1990 e 2000 é a de que a Internet seria algo “viciante”, e que os computadores e depois os dispositivos portáteis nos transformariam em seres “antissociais”, e que, para evitar essa desgraça, precisaríamos evitar usar as máquinas a todo custo.

Mas, com o advento das redes sociais, e com a tecnologia se tornando cada vez mais indispensável na vida das pessoas tanto para o trabalho como para o lazer, não há mais como tentar nos amedrontar para nos influenciar a ficarmos longe da conectividade. Isso, aliás, acontece porque essa facilidade toda de comunicação entre as pessoas comuns é algo de que os políticos e demais poderosos do mundo têm muito medo. Mais do que uma “ditadura de máquinas”, os grandes vilões da atualidade morrem de medo da verdadeira democracia participativa que a tecnologia vem tornando cada vez mais possível.

Voltando à nossa história de hoje, um desses avanços da tecnologia era a TV em cores, por exemplo, que hoje nos parece até prosaica, mas que só começou a se tornar realmente acessível para a maioria da população brasileira na época da Copa do Mundo de 1974. Em 1979 a coisa toda ainda era uma grande novidade mas, é claro, o Mundo do Esquálidus está sempre um passo ou dois à frente.

Lá, não apenas a TV é tridimensional, como também as máquinas já tomaram o poder. (Note-se, por favor, as designações de algumas das máquinas. Qualquer sigla que pareça conhecida não terá sido mera coincidência.) Mas, por mais avançada que uma máquina seja, um cérebro eletrônico sempre será somente tão bom quanto a sua programação. E é com esse detalhe que papai conta para introduzir um elemento imprevisto que vai “fundir a cuca” das tiranas e permitir a volta dos nossos heróis Mickey e Pateta à superfície.

Mickey Esqualidus

Aqui, pelo menos, as máquinas (ainda) não mandam na gente… ou será que mandam?

Mickey Esqualidus1

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O Inventor Eletrônico

História do Professor Pardal, de 1974.

Cansado de tanto inventar inventos, o nosso inventor freelancer resolve inventar um invento de inventar inventos, para que a máquina faça o seu trabalho inventivo por ele, que assim poderá descansar um pouco.

Com um formato de caixa quadradona, a hilária máquina tem o mesmo chapéu, corte de cabelo, bico e óculos do Pardal.

Pardal eletronico

Mas mais engraçada ainda, aos olhos dos leitores de hoje, é a totalmente obsoleta tecnologia dos cartões perfurados usada para programar – neste caso alimentar, literalmente – o aparelho com os dados dos inventos a inventar.

A linha criativa, aqui, se baseia numa pergunta bastante óbvia, e que talvez por isso mesmo as pessoas naquele tempo não se faziam muito: se todas as máquinas são programadas por meio desses cartões e fitas de papel perfurados, desde as máquinas de telex aos computadores dos bancos e da loteria esportiva, o que aconteceria se os cartões de uma máquina fossem inseridos em outra? Seria possível “fundir a cuca” de um computador dessa maneira?

Outra premissa da história é baseada no velho preconceito contra as máquinas inteligentes, e no medo que temos de que elas venham a tomar o nosso lugar no mundo do trabalho e emprego, um dia. Ao fazer uma máquina de inventar, o Pardal não estaria tornando a si mesmo obsoleto? Será que é por isso que ela se parece tanto com ele próprio?

O caldo engrossa, e por fim entorna completamente quando o Pateta passa pela casa do inventor e, ao vê-lo desmaiado de sono no chão, pensa que a máquina é uma caixa de correio e entrega os papéis que trouxe a ela. O pobre inventor eletrônico bem que tenta acordar o seu mestre, mas quando não consegue joga o professor para fora de casa e começa a inventar sozinho, tresloucadamente.

Pardal eletronico 1

Como todo bom criador de monstros, o Pardal tem um trabalhão para conseguir entrar novamente (com uma “ajudinha” da Cia. Elétrica de Patópolis) e desativar o aparelho, que realmente havia feito os inventos encomendados, mas todos misturados. É aí que o Pateta volta e revela o que aconteceu, para a suprema frustração do inventor, num final tão óbvio quanto surpreendente e engraçado.