Pé de Sapo, Mangalô Três Vezes!

História da Patrícia, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 12 em março de 1988.

Hoje papai trata de explicar a origem do Sapo Urucubaca, que diz ter sido um marinheiro enfeitiçado por uma bruxa. Como em toda boa história de marinheiros e piratas de todos os tipos, a trama envolve também um tesouro enterrado e a busca por ele.

Levado pela bruxa a uma ilha cheia de sapos, ele é persuadido a desenterrar um baú cheio de coisas preciosas com a promessa de que poderá ficar com ele, mas acaba transformado em sapo pela maldição do tesouro.

A referência, além de às histórias da literatura sobre viajantes do mar e tesouros enterrados, é também à história da Odisseia, especialmente a passagem que coloca Ulisses na ilha da feiticeira Circe, que se divertia transformando homens em animais diversos, e especialmente porcos.

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Taca Sal no Sapo

História da Turma da Patrícia, publicada na Revista Patrícia número 5, em 1987.

Na lista de papai há um (L) antes do nome da história, o que indica que fui eu quem deu a ideia, e foi isso mesmo. Papai gostava de ouvir qualquer nova gíria ou expressão que meu irmão e eu aprendêssemos com os colegas na escola, e na época os meninos de minha escola em Campinas se saíram com essa, para perseguir e fazer bullying com qualquer pessoa que eles não quisessem ouvir.

Patricia sal

Essa pessoa era então tachada de “chata” e de “sapo”, e calada e afugentada na marra sob muita gritaria de “taca sal no sapo”. Era uma maneira muitíssimo antipática e mal educada de se calar os outros, menos “populares” na turma, e ainda tinha o “conveniente” de poder ser passada por “brincadeira”, se a vítima reclamasse. Mas a minha sugestão parou por aí. A história em si é 100% obra de papai.

No universo da Patrícia temos o Sapo Urucubaca, que diz (sim, ele fala) ter sido um marinheiro transformado em sapo por uma bruxa. Como se não bastasse, ele tem fama de ser muito azarado, mais ou menos como um certo membro da família Metralha no universo Disney. E é justamente esse sapo que o menino praguinha chamado Terremoto resolve perseguir, saleiro na mão, aos gritos de “taca sal no sapo”, por puro preconceito e antipatia. É claro que a falta de educação do Terremoto não passará impune no final.

Patricia sal1

A palavra “urucubaca” é sinônimo de “mau agouro”, “azar”, etc. Além disso, papai usa outras expressões populares e mais antigas, mais conhecidas dele, como “sapo de fora não chia”, para enriquecer um pouco mais o tema “sapo” da história.

Mas a verdade é que a mensagem, hoje, é justamente “não jogue sal no sapo”, pois eles são animais inocentes dos nossos preconceitos, e o sal em contato com suas peles de batráquio pode até matar. Fazer isso é uma maldade imensa com o bichinho. Eles são feios, mas não merecem tamanha tortura. E, é claro, também não se deve calar pessoas na marra por bullying, já que isso é uma falta de educação e uma grosseria das grandes.

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Marinheiro Só

História do Zé Carioca, de 1973.

Há um antigo ditado que diz que não se deve subir num navio sem antes saber para onde ele está indo, e esta parece ser a base da trama. O nome desta história vem de uma canção tradicional de Capoeira, que pode ser ouvida aqui.

As coisas acontecem mais ou menos como consequência umas das outras, uma situação vai levando a outra, até que, por um belo acaso, tudo no final se ajeita.

O Zé está fugindo de um cobrador, que o persegue até o cais do porto. Lá, o papagaio entra num navio e é tomado por marujo, numa situação que nos lembra as clássicas aventuras de piratas que papai costumava ler quando criança, como por exemplo “A Ilha do Tesouro”.

ZC Cap Arara

Ele até pensa em pular e voltar nadando, mas até aí o navio já está longe do cais e o tal cobrador está lá à espera. O jeito é ficar, e dar um duro danado como marujo, se bem que meio contra a vontade. É só aí que o Zé lembra que está mesmo sem dinheiro, que não faria diferença se o cobrador o alcançasse, e começa a imaginar se precisava mesmo estar ali. O problema é que o Zé descobre um pouco tarde demais que o navio está levando uma perigosa carga de nitroglicerina que pode explodir a qualquer momento.

ZC Nitroglicerina

Marinheiro de primeira viagem, primeiro se amotina contra o trabalho e é mandado descascar batatas, só para ter uma crise de enjoo e ser preso no porão juntamente com a carga explosiva. É só quando a tripulação abandona o navio por causa de uma tempestade que pode mandar tudo pelos ares que o Zé consegue se soltar e chegar ao convés.

É neste momento que os acontecimentos convergem para algo tão aleatório que se assemelha a alguma forma de providência divina: O Zé fica preso no timão, e seu corpo serve de contrapeso para a oscilação causada pela tempestade, controlando o navio e impedindo a explosão.

O Capitão Arara pode até ser “uma arara” (no sentido de ser muito bravo), mas também sabe ser grato, e leva o Zé de volta ao porto no Rio. Surpresa maior vai ter o cobrador, que ficou lá esperando, Mas é surpresa…