O Zorrinho Não É De Fritar Bolinho

História do Zorrinho, de 1982.

Hoje papai aborda o tema das brincadeiras infantis, que era um de seus favoritos, de um modo um pouco diferente. A pergunta que se faz é: existe brincadeira “de menino” e “de menina”? Ou: por que os meninos não podem brincar de casinha com as meninas? Que mal há nisso?

A verdade é que, e isso logo ficará muito claro, somente meninos muito maus, como os Metralhinhas, enxergam algum problema na situação. Outra verdade é que os meninos bonzinhos só não brincam mais frequentemente com as meninas por medo de serem ridicularizados pelos outros.

“Ser de fritar bolinho” é uma expressão popular que significa: não ser de nada; ser incapaz; ser fraco. Ela é usada aqui para mostrar, justamente, que um menino não é, necessariamente, “de fritar bolinho” só porque está brincando com as meninas.

As próprias meninas também não são “de fritar bolinho” só porque estão, bem… fritando bolinhos. Não há demérito algum em ser menina, em brincar de casinha, ou em ser um menino que brinca de casinha. Além disso, frigideiras podem ser usadas para um pouquinho mais do que simplesmente cozinhar, e as meninas logo vão mostrar que também sabem brigar tão bem quanto os meninos, quando necessário.

Nada, nesta história, é exclusividade só dos meninos ou das meninas. Todos são iguais, na hora da brincadeira e também na hora da briga, para o azar dos maus.

Nesta revista temos novamente a aparição de uma história promocional de papai para as Meias Lupo, chamada “O Bicho Saltador”, que chegou a aparecer bastante nas revistas Edição Extra da época.

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Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

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A Montanha Enfeitiçada

História dos Escoteiros Mirins, de 1982.

Voltamos à Floresta Negra, onde (pelo menos nas histórias de papai) acontece a maioria das coisas misteriosas nas cercanias de Patópolis. Como todos sabem, é uma floresta enfeitiçada habitada por bruxas e outras pragas, na qual se passa boa parte da história da Branca de Neve e onde até as árvores costumam agarrar e morder os desavisados.

A missão dos meninos é chegar do Pico do Rola-Rola, que nunca foi escalado com sucesso. (No processo descobriremos também por que a montanha tem esse nome.) Os alpinistas que já tentaram juram que a montanha é enfeitiçada, mas os nossos racionais Escoteiros não acreditam em bruxarias. (O problema é que não acreditar nunca protegeu ninguém delas…)

Me parece que papai é um dos poucos que usam sempre os títulos de “G.E.N.E.R.A.L” e “C.H.E.F.E” como código para uma descrição bem mais detalhada das patentes dos adultos. O primeiro é “Grande, Enérgico, Nobre Escoteiro, Realmente Apto a Liderar”. O outro é “Combatente Heroico e Entusiasta Formidável do Escotismo”.

Uma vez iniciada a escalada coisas estranhas começam a acontecer, como pedras e tocos de árvores rolantes  que aparecem do nada, e vão machucando e tirando menino após menino da aventura. À medida que os obstáculos vão ficando cada vez mais misteriosos e perigosos, o leitor começa a se sentir convidado a investigar o que está acontecendo.

Mas é só quando os meninos são atacados por um misterioso pássaro que o leitor atento vai matar a charada. Há uma determinada bruxa que é mestra em transformações, mas que nunca consegue disfarçar muito bem a sua cabeleira cor de lavanda. E se nem os Escoteiros conseguem identificar o tipo do pássaro, é porque boa coisa não pode ser:

Escoteiros Montanha

Desta vez papai coloca o General e o Chefe para trabalhar também, eles que na maioria das histórias só ficam de longe observando com seus binóculos e distribuindo medalhas ou broncas. Que façam um pouco de esforço, para variar. E que, de quebra, deem de cara com aquelas mesmas coisas nas quais eles não acreditam. Afinal de contas (e como diz o velho ditado) “não creio em bruxas, mas elas existem sim”.

Escoteiros Montanha1

E agora, uma palavrinha de “nossos patrocinadores”: na revista Edição Extra número 137, onde esta história aparece pela primeira vez, temos um anúncio em forma de história em quadrinhos das Meias Lupo, de duas páginas. Esta história, e todo o desenvolvimento do personagem Coelhinho de Mola, também é de papai. Pelo que me consta, ele escreveu três destas peças promocionais, intituladas “A Lebre e a Tartaruga”, “Uma História de Amor” e “O Bicho Saltador”.

Lupo Bicho Lupo Bicho1

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Minha biografia de papai está à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam. E não percam também a tarde de autógrafos na Livraria Monkix em São paulo no próximo sábado, dia 27 de junho:

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