Eh, eh, eh, Fumacê

História da Fofura, de Ely Barbosa, escrita em março de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista Fofura número 2 em julho do mesmo ano.

O tema é ambiental, com um grande enfrentamento entre os bons, eternos defensores da floresta e de seus amigos bichinhos, e os maus, que querem instalar uma fábrica de fazer fumaça no meio da mata. Nem é preciso dizer quais seriam as nefastas consequências de uma coisa dessas, não é mesmo?

O conceito de “fábrica de fazer fumaça” é uma tentativa de mostrar as fábricas em geral pelos olhos de uma criança. Afinal, o “produto” mais visível que sai de muitas dessas instalações é mesmo a fumaça, pelas chaminés. A criança geralmente não vê o que é feito dentro desses prédios.

Como em toda boa história do tipo, a tensão entre os grupos adversários é crescente e os maus parecem invencíveis, mas só até o momento em que são vencidos pela astúcia e trabalho em equipe dos bons.

Já a inspiração para o nome da história vem de uma antiga canção dos Golden Boys, de 1970. A letra parece ingênua o suficiente, mas há quem já a tenha relacionado com tipos menos inocentes, e até mesmo ilegais, de fumaça. Em todo caso, o público alvo da revista é jovem demais para conhecer a música e suas possíveis interpretações, restando a eles somente a interpretação mais literal.

Hoje em dia o termo “fumacê” está mais relacionado com o combate ao mosquito Aedes aegypti, se bem que aquilo não é exatamente fumaça, mas um composto químico bastante controverso.

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O Lugar Quase Perfeito

História dos esquilos Tico e Teco, de 1974.

São só duas páginas, mas a curta aventura dos simpáticos bichinhos tem toda a força de um manifesto pela proteção do meio ambiente.

Não é de hoje que a expansão das grandes cidades, com suas obras barulhentas acompanhadas da derrubada até mesmo das últimas árvores restantes – sobreviventes – em meio ao mar de cimento, apesar de representar o “progresso” e um “avanço” para os seus moradores humanos, é um verdadeiro problema para as espécies animais que vivem (ou tentam viver) conosco no mesmo ambiente.

O que acontece “de vez em sempre” é que esses animais se vêem forçados a fugir pelo bem de suas vidinhas, abandonar suas árvores e tocas, e encontrar um novo lugar para se instalar, com resultados às vezes desconcertantes. Não é raro ver pássaros, mamíferos, insetos e até répteis fazendo seus ninhos em casas e demais construções humanas, para a surpresa e desconforto dos invasores do habitat animal.

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Esta história, aliás, contém mais uma das “sacadas proféticas” de papai, com a mudança forçada dos esquilos para um dos buracos de um campo de golfe: nas Olimpíadas deste ano no Rio, vimos, entre surpresos e divertidos, jacarés, corujas e capivaras exatamente nas imediações do local onde foram disputadas as partidas da modalidade.

A explicação, é claro, é a de que o campo de golfe olímpico invadiu o habitat dos animais, e não o contrário. Isso, aliás, porque ninguém mais se surpreende com os quero-queros nos campos de futebol.

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Tudo Em Ordem, Na Natureza

História do Professor Pardal, de 1973.

O que começa como mais uma variação do tema da “longa noite dos pernilongos” acaba tomando um viés de consciência ecológica.

Engraçada é a irritação do Lampadinha, ao ser despertado no meio da noite para ajudar o Pardal a combater os pernilongos. Por ser uma máquina, e portanto estar imune às picadas, ele não entende o porquê da comoção. É só quando o inventor faz com que os atacantes voadores tomem gosto pela solução eletrolítica do robozinho que ele sente por si mesmo qual é o problema.

lampadinha pernilongos

A princípio o professor fica empolgado com a sua mais nova invenção, mas depois percebe quais podem ser as implicações dessa intervenção para o meio ambiente:

pardal pernilongos

Outro detalhe engraçado é que ele passa  história inteira de pijama, e não se troca nem para receber o prefeito. Papai também passava muitas manhãs trabalhando em suas histórias de pijama, e recebia também de pijama algum desavisado que fosse bater lá em casa durante seu horário de trabalho.