Nozes Com Mel

História dos esquilos Tico e Teco, de 1974.

Com apenas duas páginas, esta história é mais simples e mais infantil do que a maioria das histórias que papai costumava escrever, mas é também uma pequena aula sobre como funciona (ou deveria funcionar) o Sistema Judiciário de um país.

Logo de cara há um conflito, quando o urso Zé Grandão arromba a porta dos esquilos à procura de algum lugar de onde possa retirar mel. Para se vingar, os esquilos então o dirigem a uma colmeia guardada por “perigosas abelhas africanas”. E não, as flechas não são uma intervenção do desenhista. Isso é parte integrante da trama, e papai sempre dava instruções muito exatas aos seus desenhistas sobre como ele queria que as coisas fossem feitas, até mesmo quando era ele que fazia o rafe.

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Mas é somente após a intervenção do Seu Corujão, o “juiz da floresta” que as coisas se resolvem e a paz volta a reinar.

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Curta, simples, direta e educativa. O que mais se pode esperar de uma história infantil?

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Um Presente Para Puff

Esta é uma história do Ursinho Puff, publicada pela primeira vez em 1976.

É o aniversário do Ursinho, mas ele está triste. Aos amigos Tigrão e Abel ele confidencia que não está feliz porque só ganha mel, todos os anos, de todos os amigos, no seu aniversário. É verdade que os ursos gostam de mel, mas tudo o que é demais cansa.

Puff mel

Houve uma época em que os adultos costumavam dar muitas roupas às crianças como presente no aniversário e no Natal, mas com o desenvolvimento da indústria e do comércio de brinquedos nos anos 1970, a maioria das crianças passou a preferir os últimos às primeiras.

A crescente popularidade das revistas em quadrinhos, que também continham doses cavalares de páginas de anúncios de brinquedos e demais produtos infantis, certamente contribuiu para essa tendência. Esta história, então, pode ser lida como uma alusão a este fato.

O Tigrão então deduz que ele e os amigos devem dar ao Puff outras coisas que não mel, e ele acaba ganhando muitos brinquedos.

Puff brinquedos

É uma trama bastante simples e direta, adequada para uma história com personagens que são destinados a um público alvo um pouco mais jovem do que os leitores do Zé Carioca e do Morcego Vermelho, por exemplo.

A graça maior da coisa, depois da proposição do “problema” do Puff, que é engraçado por si só, fica por conta da surpresa final, o desfecho da trama.

Certo de que iria ganhar potes e mais potes de mel, nosso aniversariante comeu tudo o que tinha na despensa, para abrir espaço para os novos potes, e ficou sem nem uma gota do doce para servir às visitas. É aí que o Coelho Abel, o mais bobinho da turma, depois de não conseguir se decidir sobre o que deveria dar, chega com o presente que vai salvar o dia: um enorme pote de mel.

A mensagem para as crianças parece ser a de que ganhar brinquedos é legal, mas as roupas também são importantes, e não devem ser motivo de cara feia.

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