Iau! Que Susto!

História do Zé Carioca, de 1975.

Em mais um “cross-over” entre personagens de universos diferentes, hoje a Madame Min está tentando assustar dois incautos aleatórios como tarefa em algum tipo de competição, como um concurso ou gincana.

É obvio que, para manter o suspense, a presença da bruxa vai sendo revelada aos poucos. Mas quem realmente conhece a Min vai perceber que ela está lá desde o primeiro quadrinho, na forma de um siri roxo como seus cabelos, e de enormes olhos verdes. Esta é também uma variação do “duelo de magia” contra o Mago Merlin, da história do Rei Artur na versão da Disney.

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A pergunta que parece ser o ponto de partida da trama é: o que realmente apavoraria dois folgados preguiçosos como o Zé e o Nestor a ponto de eles saírem correndo desembestados da praia? Obviamente, a resposta não está relacionada com coisas sobrenaturais. Aliás, há coisas bem reais no mundo que despertam mais medo em algumas pessoas do que qualquer assombração.

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Interessante é o que parece ser uma colaboração entre dois desenhistas na confecção da história que iria para a gráfica, de acordo com os registros no Inducks. O Canini, para a história em si, e o Sérgio Lima nas cenas onde aparece a bruxa propriamente dita. Papai realmente dava um trabalhão aos desenhistas de suas histórias, com sua fértil criatividade.

Em compensação, este sistema dos Estúdios Disney da época representa uma vantagem sobre os autores de quadrinhos independentes que costumam produzir uma história inteira sozinhos, do roteiro à arte final. Raros são os que convidam outro desenhista (um especialista em outro estilo de desenho) para colaborar com suas criações e torná-las visualmente mais ricas, preferindo tentar assumir o papel de “artista completo” ou “gênio solitário” com taxas variadas de sucesso.

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Os Sete Signos Mágicos

História das bruxas Maga e Min, de 1976.

Quando a Maga Patalójika não está às voltas com tentativas de roubar a moedinha número um do Patinhas, ela está procurando por outros amuletos que possam substituí-la, ou ajudá-la a conseguir a moedinha. É uma ideia fixa, uma mania da bruxa.

Este é um duelo de magia dos grandes, quase uma guerra total, para ninguém mesmo botar defeito. Mas, como papai indica logo na primeira página e, aliás, não poderia deixar de ser, mais este plano maligno também está fadado ao fracasso por um motivo bastante óbvio.

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A biblioteca (da Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas) de Bruxópolis é um lugar deveras curioso, com prateleiras para “livros embolorados”, “autores desconhecidos”, “autores que não vêm ao caso” (o que poderia ser pior do que um autor desconhecido, senão um cujo nome nem vale a pena citar? Seria este um protesto contra o “anonimato” imposto aos autores das histórias Disney na época?), “livros empoeirados”, “livros indecifráveis” (como o Manuscrito Voynich) e “livros inacabados”.

A viagem é difícil e a busca pelos sete signos mágicos é perigosa, mas as bruxas são poderosas e conseguem derrotar facilmente o Pássaro Roca (da história de Simbad, o Marujo), e um dragão que cospe fogo. Mas derrotar a bruxa rival em si vão ser outros quinhentos, é claro, mesmo usando todas as palavras mágicas em seu repertório. A aventura toda é, de fato, tão movimentada e cheia de reviravoltas que o leitor até se esquece do “pequeno detalhe” do início.

As bruxas de lado a lado usam também várias ferramentas místicas do mundo real, como a “forquilha mágica”, usada em radiestesia para procurar por água e metais preciosos, e a “bacia mágica”, que é algo que John Dee e Nostradamus usavam em suas previsões e investigações ocultas.

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A Sócia Contratada – História inédita

História do Urtigão, com nove páginas, escrita e rascunhada em 03/04/1993 e nunca publicada.

Ela provavelmente foi devolvida para reformulação, e acabou não sendo comprada. Naquela época havia a revista do Urtigão, e o clube das “Solteironas Anônimas” foi uma ideia que veio do estúdio para papai desenvolver.

Aqui ele faz mais um dos cross-overs que gostava de criar, misturando personagens de universos diferentes. A comparação entre as solteironas e a (também solteira) bruxa Madame Min não é nada lisonjeira, é claro. Toda essa coisa de fazer o velho matuto ser perseguido por um bando de mulheres a fim de casar também é bastante machista, mas se era isso que o estúdio queria… fazer o quê?

Os ingredientes da poção, na segunda página, lembram bastante os de outra “poção de amarração” que a Min preparou em 1982 para o Mancha Negra na história “Os Sete Anões Maus”, já comentada aqui. São eles: cola-tudo, visgo, goma arábica, fita adesiva, bigodes de gato vesgo e pó de agarrar marido.

Outro detalhe interessante está ao pé da página 4. É uma das famosas instruções que ele costumava dar ao desenhista (que, naquele momento, papai nem sabia quem seria), neste caso dando a ele liberdade para mudar a aparência da bruxa, caso considerasse que o Urtigão já a conhece bem. Afinal, eles já se encontraram pelo menos uma vez nas histórias de papai, como em “As Urtigas da Ira”, de 1983, também já comentada aqui.

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O Feitiço Da Vila

História do Zé Carioca, publicada em 1984.

O título da história é inspirado numa canção de Noel Rosa, composta em 1934 para homenagear seu bairro, Vila Isabel, e as três bruxas (na verdade Maga Patalójika, Min e Bruxa Vanda) são inspiradas nas três bruxas de Macbeth, peça teatral de William Shakespeare, considerada “amaldiçoada”, e cujo nome não deve ser dito em voz alta.

Na peça, as três bruxas abrem a trama com uma profecia: “Salve, Macbeth! Salve, Barão de Glamis! Salve, Macbeth! Salve Barão de Cawdor! Salve, Macbeth! Ainda serás rei!”

Nesta história não é diferente: “Salve, Zé Carioca, o ser mais feliz da terra. Que nunca precisou trabalhar pra viver. E que um dia será milionário!”

Elas invertem as personalidades de todos os amigos do Zé para se divertirem, o enchem de dinheiro e presentes, e ele estava até gostando da ideia, até o momento em que percebeu que a personalidade da Rosinha também havia sido invertida.

É aí que as bruxas acabam descobrindo que o nosso herói dá mais valor ao amor da Rosinha do que a todo o dinheiro do mundo.

No final, a história vale também como reflexão filosófica: o que é mais importante neste mundo? O dinheiro ou o amor?