Mas Que Bronka!

História do Peninha, de 1984.

A trama em si é a confusão de sempre feita por 00-ZÉro e Pata Hari em suas disputas contra a Bronka, que é inspirada em séries e filmes de espionagem como “Agente 86”, por exemplo. É claro que tudo está bem trabalhado, com muita ação e suspense, como nas melhores obras do gênero.

Mas a parte mais importante da história não é essa. O mais importante, hoje, está nos detalhes, a começar pelo “transplante” do Parque Taquaral, que fica em Campinas (onde morávamos na época) para Patópolis. Está tudo lá: a lagoa, a Caravela, e até o bonde turístico, que havia mesmo acabado de ser inaugurado.

Apresentado o parque, na primeira página, papai então começa a trabalhar as livres associações que vão ligar o local à trama de espionagem. Para começar, ele transforma um antigo anúncio do remédio Rum Creosotado, que com o tempo se transformou no símbolo da era dos bondes no  Brasil, em uma espécie de senha entre espiões.

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Em seguida, ele faz da Caravela o veículo mutante dos agentes secretos, como o leitor atento logo vai desconfiar, pela cor e pelos remendos metálicos no casco, que não existiam nas naus de madeira do século 16.

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Por fim, a disputa da vez é sobre um produto químico perigoso que existe de verdade, de nome hidrazina. Consta que, além de ser tóxica, ela também é explosiva e usada inclusive como combustível para foguetes. Com um pouco de calculado exagero, papai faz com que o líquido se comporte como outro explosivo famoso, a nitroglicerina.

É óbvio que toda essa correria com e atrás de uma garrafinha contendo algo tão perigoso não pode acabar bem. Mas até aí a homenagem a Campinas, cidade que o viu crescer e na qual ele desenvolveu todo o seu talento para os quadrinhos, está feita.

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Inventos Fraudulentos

História do Professor Pardal, de 1983.

O tema, aqui, é definitivamente “fraude”. Não apenas os inventos que estão sendo vendidos na rua são fraudulentos, porque são inventos defeituosos vendidos baratinho como se fossem bons, mas também a própria pessoa que os está vendendo, apesar de se parecer perfeitamente com o Pardal, é um tipo de fraude.

Mas isso é algo que, em um primeiro momento, o leitor não vai saber. Nem o leitor, e nem os personagens, que serão todos levados no bico, e não por acaso. A coisa começa a se esclarecer quando vão, todos os cidadãos lesados de Patópolis, ao mesmo tempo até a porta da casa do inventor para reclamar. É aí que o leitor atento verá uma silhueta que pode muito bem passar despercebida por olhos menos alertas, e que é a chave para tudo.

Pardal inventos

Já a pista do que possa ser o “invento secreto”, roubado do laboratório assim que a porta se abre, está nos nomes do cliente que o encomendou e da cidade onde ele mora. “Nitrus” e “Glicerius” vão lembrar, para quem conhece um pouco de química, tem bons conhecimentos gerais, ou era fã de quadrinhos e dos desenhos animados que passavam na TV naqueles tempos, a palavra “Nitroglicerina“, e também não por acaso.

Outro detalhe interessante nesta história, que já é alicerçada em tantos deles, é uma rara trégua entre Donald e Silva. Eles chegam a concordar, enquanto colaboram com o inventor e o resto da turma para tentar entender o que havia acabado de acontecer.

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E como também acontece frequentemente, há toda uma ação secundária protagonizada pelo Lampadinha, enquanto a trama principal se desenrola. Isso tudo junto, com toda certeza, fará o leitor voltar atrás e folhear a história várias vezes, em busca de todos os detalhes que deixou escapar, alguns deles bastante discretos, mas não menos engraçados.

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Marinheiro Só

História do Zé Carioca, de 1973.

Há um antigo ditado que diz que não se deve subir num navio sem antes saber para onde ele está indo, e esta parece ser a base da trama. O nome desta história vem de uma canção tradicional de Capoeira, que pode ser ouvida aqui.

As coisas acontecem mais ou menos como consequência umas das outras, uma situação vai levando a outra, até que, por um belo acaso, tudo no final se ajeita.

O Zé está fugindo de um cobrador, que o persegue até o cais do porto. Lá, o papagaio entra num navio e é tomado por marujo, numa situação que nos lembra as clássicas aventuras de piratas que papai costumava ler quando criança, como por exemplo “A Ilha do Tesouro”.

ZC Cap Arara

Ele até pensa em pular e voltar nadando, mas até aí o navio já está longe do cais e o tal cobrador está lá à espera. O jeito é ficar, e dar um duro danado como marujo, se bem que meio contra a vontade. É só aí que o Zé lembra que está mesmo sem dinheiro, que não faria diferença se o cobrador o alcançasse, e começa a imaginar se precisava mesmo estar ali. O problema é que o Zé descobre um pouco tarde demais que o navio está levando uma perigosa carga de nitroglicerina que pode explodir a qualquer momento.

ZC Nitroglicerina

Marinheiro de primeira viagem, primeiro se amotina contra o trabalho e é mandado descascar batatas, só para ter uma crise de enjoo e ser preso no porão juntamente com a carga explosiva. É só quando a tripulação abandona o navio por causa de uma tempestade que pode mandar tudo pelos ares que o Zé consegue se soltar e chegar ao convés.

É neste momento que os acontecimentos convergem para algo tão aleatório que se assemelha a alguma forma de providência divina: O Zé fica preso no timão, e seu corpo serve de contrapeso para a oscilação causada pela tempestade, controlando o navio e impedindo a explosão.

O Capitão Arara pode até ser “uma arara” (no sentido de ser muito bravo), mas também sabe ser grato, e leva o Zé de volta ao porto no Rio. Surpresa maior vai ter o cobrador, que ficou lá esperando, Mas é surpresa…