Uma História Que Desanda

História do Pena das Selvas, criada em 1983 e publicada em 1987.

O título original de papai para esta história era “O Espírito Que Desandou De Vez”, certamente porque ela foi aparentemente criada para ser a última do Penado, O Espírito que Desanda, ainda que tenha sido na verdade apenas a segunda delas. A primeira já foi comentada neste blog.

Como vimos anteriormente, O Pena resolve se fantasiar de algo diferente para melhor poder bancar o herói, e acaba sendo confundido com um mítico herói “de verdade” cuja volta os nativos da selva esperam há séculos. Vimos também que este personagem foi inspirado em um clássico dos quadrinhos dos anos 1930: Fantasma (The Phantom), o Espírito que Anda.

Após ser chamado do pejorativo “herói de história em quadrinhos” pela Patrulha das Selvas, nosso atrapalhado herói se magoa e resolve se vestir novamente como um herói mais respeitado, e acaba sendo um pouco “respeitado demais”, quando a própria Patrulha o adota como fundador e chefe supremo. Mas isso, pelo menos, permite a ele desfazer a bagunça que causou na primeira página, mesmo que para tanto ele tenha precisado criar mais algumas confusões.

Penado Metralhas

O mais engraçado, e que ninguém se dá conta, nem o Pena e nem o leitor, é que, se ele vive sendo confundido com um “herói de verdade”, quem é esse herói, e onde ele está? A resposta “vem a cavalo” no final, depois que o Pena é desmascarado pela Patrulha e desiste de vez de bancar o Penado, na figura do próprio Espírito que Desanda, o tal que é esperado há séculos. (Coitado, que hora ele foi escolher para aparecer…) 😉

O Biquinhoboy atua nesta história meio como um comentarista, sempre observando as trapalhadas do tio de fora da cena e tecendo seus comentários, um mais engraçado que o outro. O alter Ego do Biquinho tem também uma participação mais ativa, quando salta das moitas fazendo como os meninos da época da infância de papai, imitando os filmes clássicos de mocinho e bandido do cinema, incluindo as falas, naquele inglês capenga de quem só ouviu, mas nunca leu ou estudou o Idioma do Bardo. (Sei que não precisa, mas aqui vai a “tradução” da fala do patinho: “Come on, boy! Hands up!”)

Penado Biquinhoboy

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Aviso aos navegantes: este blog não comenta desenhos. Meus comentários aqui dizem respeito somente aos argumentos/roteiros escritos por papai para suas histórias em quadrinhos. E acreditem, já há bastante o que comentar só nessa parte. Os desenhos das histórias de papai, via de regra, eram feitos por outros artistas, tão talentosos quanto, mas que não são o foco deste blog. Se o leitor quiser saber quem desenhou esta história, por favor acesse o link do Inducks, que fica na data de publicação da HQ, no início deste comentário.

Penado, O Espírito Que Desanda

História do Pena das Selvas, publicada em 1984.

Este é um alter-Ego “duplo”, quer dizer, é um alter-Ego do Pena das Selvas, que é um alter-Ego do Peninha. A ideia é que, assim como o Peninha se transforma no Morcego Vermelho, o Pena das Selvas se transforme em Penado, o Espírito que Desanda. Só que, bem no estilo do Morcego Verde, alter-Ego do Zé Carioca, todo mundo sabe quem ele é.

Trata-se, é claro, de uma paródia de um clássico dos quadrinhos dos anos 1930: Fantasma (The Phantom), o Espírito que Anda. O trocadilho aqui é com a palavra “alma penada”, que também é sinônimo de fantasma. Até o uniforme do nosso “genérico” é parecido com o original, além de vários outros elementos “emprestados”, como o lobo que acompanha o herói, e nomes como Guran, o chefe dos pigmeus e amigo do Fantasma.

O caldo aqui começa a engrossar quando o bruxo-doutor da aldeia reconhece o Pena das Selvas fantasiado como uma figura mítica que é esperada há séculos, e passa a tratá-lo de acordo, ao ponto dos nativos amigos do pato também passarem a acreditar que o Pena realmente se transformou.

Penado

Como não poderia deixar de ser, uma história de um personagem nesse estilo não seria completa sem a presença de piratas (aqui com a participação especial do Capitão Gancho e sua tripulação), e da indefectível mocinha em apuros, uma certa Diana Palmeira, inspirada na Diana Palmer, namorada do Fantasma original.

O resto são as hilárias trapalhadas de praxe. Tantas, aliás, que o Pena logo desiste da ideia de “encarnar” o Penado algum dia novamente.

Penado piratas