O Outro

História do Terremoto, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista Patrícia em Quadrinhos número 3, de novembro de 1987.

Na lista de trabalho consta que a ideia foi de minha mãe, mas esta história também se parece bastante com “O Irmão Gêmeo do Biquinho”, escrita em 1984 e publicada no mesmo ano de ’87. É uma variação sobre o mesmo tema.

Como na outra história, esta também tem toques de temas como o “gêmeo mau” (e bem mau, diga-se de passagem) e referências à literatura como em “o príncipe e o mendigo”. O Terremoto chega até mesmo a ser perseguido pelas traquinagens do “outro”, e a pensar que está endoidando, mas só se encontrará com ele, oficialmente, no último quadrinho.

Mas ao contrário do Biquinho, que queria um gêmeo para poder “aprontar melhor”, o Terremoto só queria outro tipo de vida, com menos responsabilidades, e não exatamente um companheiro de traquinagens. Daí o choque.

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O Irmão Gêmeo Do Biquinho

História do Biquinho, publicada pela primeira vez em 1987.

Esta é mais uma boa sacada de papai: a maioria dos sobrinhos dos personagens Disney existe aos pares e até mesmo às trincas. Os sobrinhos do Donald são 3. As sobrinhas da Margarida, também. Até os vilões têm sobrinhos múltiplos, como por exemplo os Metralhinhas. Os sobrinhos do Mickey e do Zé Carioca são 2 para cada tio. As bruxas também têm sobrinhos de sobra, com as bruxinhas Perereca e Magali (era uma bruxinha só, mas papai acabou desdobrando a personagem em duas) representando o tema “gêmeos”.

Os que têm um sobrinho só são o Pateta, com o Gilberto, o Professor Pardal e seu sobrinho Pascoal, o Gastão com o Trevinho, e por fim o Peninha que, com o Biquinho, foi provavelmente o último a ganhar um sobrinho.

O interessante é que a descrição do personagem, o patinho nascido de um ovo abandonado ao sol e criado por porcos-espinho, em uma alusão ao Tarzan, o órfão criado pelos macacos da floresta, deixa espaço para a interpretação que é feita hoje: se havia um ovo abandonado ao sol, será que não poderia haver outros? Afinal, pássaros como galinhas e patas costumam botar um ovo por dia, às vezes até dois.

Muitas crianças, aliás, já sonharam em ter um irmão gêmeo só para poder “aprontar” melhor. Esse parece ser o caso do Biquinho, que acaba vendo o seu desejo ser realizado logo na esquina de casa. A história tem toques de temas como o “gêmeo mau” (se bem que, aqui, é difícil dizer quem é o pior… o Trambique que o diga) e referências à literatura como em “o príncipe e o mendigo”.

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O Cisquinho, patinho parecido com o Biquinho e seu tio Penald (uma mistura dos nomes do Peninha e Donald) são, por definição, “personagens de uma história só”, criados especialmente para esta história.

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O Pé De Feijão

História do Tio Patinhas, publicada uma vez só em 1975.

A trama é uma mistura entre as fábulas “João e o Pé de Feijão” e “O Príncipe e o Mendigo“, em duas linhas que se entrelaçam: ao mesmo tempo em que o pato muquirana está cansado de todos os pedintes que fazem fila na porta da caixa forte e pensando em tirar férias, as bruxas Maga Patalójika e Min estão pondo em prática mais um plano para se apoderar da Moedinha Número Um.

Até o Primo Nadinhas está na fila. Enquanto o pé de feijão mágico plantado pelas bruxas cresce, o Patinhas dá tratos à bola para encontrar um jeito de “escapar” por algum tempo, de preferência despercebido. Ele tem uma ideia, desce as escadas, e quando sobe de volta já está bem diferente, menos ranzinza, delegando tarefas, mais simpático… até folga ele dá aos empregados no final do expediente.

Patinhas feijao

Mais tarde ele sai para dar uma volta, e finalmente se depara com o pé de feijão em uma versão moderna, com elevador e tudo. Ávido pela galinha dos ovos de ouro ele sobe, e lá nas nuvens encontra o castelo, uma velhinha baixinha e um suspeito gigante de barba e cabelos roxos, que não enganam ninguém.

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O problema é que o suposto Patinhas topa fácil demais trocar “a moedinha” pela galinha, o que deve dar ao leitor, que até aqui já precisa estar com uma séria pulga atrás da orelha, a certeza de que este é ninguém menos do que o primo pobre do velho pato. Ao que parece, os dois são bem parecidos no que diz respeito a gostar de riquezas. Será que é o temperamento mais generoso do Nadinhas que o impediu de ficar rico? Enquanto isso, o verdadeiro Patinhas nem viu o pé de feijão, e está aproveitando seu dia de folga por aí, disfarçado de mendigo.