O Expresso Do Fim-Do-Mundo

História do Pena Kid, de 1984.

Depois do advento do “Torniquete”, o cavalo de brinquedo “Alazão de Pau” feito cavalo de verdade, papai se animou a escrever apenas quatro histórias para o personagem. A ideia decididamente não foi dele, mas foi imposta a ele por uma decisão da chefia da redação, e ele se ressentia disso.

O nome do personagem é uma brincadeira com Tornado, o cavalo do Zorro, mas eu acredito que isso também não foi ideia de meu pai. A transformação do cavalo de madeira em de verdade, além disso, parece (pelo menos para mim) algo inspirado na história de Pinóquio (o que também não é nada lá muito original, para se dizer o mínimo).

Esta é, para todos os efeitos, a última história do Pena Kid escrita por papai. Depois disto, ele não voltou mais ao seu Vingador do Oeste. Ele faz questão de levar o personagem literalmente até o fim do mundo para uma aventura tão inglória que o fará até mesmo desistir de ser um vaqueiro errante. (E de quem foi a ideia de desligar o Pena Kid da turma de Pacífica City, afinal???)

Acho que a cena abaixo define muito bem o resumo dos sentimentos que ele nutria pela descaracterização imposta ao seu personagem mais querido:

Realmente, se a ideia era fazer papai desistir do personagem, já que a proibição anterior não funcionou (o personagem era criativo e divertido, mas as vendas não eram lá essas coisas e a direção da redação não gostava de “gastar papel” com ele por esse motivo), então desta vez conseguiram.

O que papai fez, aqui, foi “matar”, ao menos simbolicamente, os dois personagens. RIP, Pena Kid e Alazão de Pau.

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As Aventuras De Pena Rubra

História do Peninha, de 1983.

Depois de fazê-los descobrir o norte do continente americano, onde Patópolis seria fundada mais tarde, papai leva seus Vikings muito loucos para mais uma aventura.

Trata-se de uma brincadeira sobre o tema, sem muita preocupação em ser fiel a verdades históricas e outros “detalhes pouco importantes”. Como sempre, o objetivo da história é menos dar uma aula e mais divertir e estimular o leitor a pesquisar um pouco sobre esses grandes bárbaros do norte.

Papai manda a realidade histórica às favas em dois pontos principais. O primeiro diz respeito à religião dos Vikings na época de suas grandes navegações: apesar do uso somente de nomes de deuses da mitologia nórdica, como Thor, Odin e Wotan (outro nome de Odin, só para variar), nas exclamações dos viajantes, quando começaram a se espalhar pelo mundo eles já haviam tido contato com a religião Cristã, e muitos já haviam se convertido.

Em segundo lugar está a tentativa de chegar à China. Os Vikings foram realmente grandes viajantes, estiveram inclusive no Oriente Médio e até mesmo na Rússia, mas os primeiros europeus a visitar a China foram mesmo os portugueses, em 1513.

Um terceiro ponto de sátira está na descoberta feita pelo Pena Rubra (cujo nome, aliás, é uma referência ao célebre Erik O Vermelho) de que a Terra deve ser na realidade redonda. Com efeito, teria sido muito difícil para os Vikings viajarem tanto pelo mundo sem saber dessa valiosa informação, e papai concordava com os pesquisadores ao desconfiar que eles sabiam, sim.

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Um Natal Do Passado

Publicada pela primeira vez em dezembro de 1982, a história mescla acontecimentos do tempo presente com as lembranças de Natais passados da Vovó Donalda.

Assim, temos os personagens que já conhecemos, juntamente com suas versões mais jovens e outros, apresentados hoje ao leitor, que são antepassados dos atuais, mais ou menos como aconteceu na saga da História de Patópolis (que foi publicada, aliás, no mesmo ano). Seria esta uma história de Natal não oficial da série?

Não há menção à Pedra do Jogo da Velha, mas temos um mapa das minas de ouro da cidade, encontrado e muito bem oculto pelo jovem Patinhas que, na época, era apenas um patinho, assim como a Donalda. Outros personagens são tios avós dos metralhas atuais, e alguns parentes da Vovó, como sua própria avó, de nome Hortênsia, e um tio chamado Donaldo.

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O trunfo da história, o detalhe central que denota a esperteza precoce do Patinhas e leva à derrota dos bandidos, gira em torno do boneco de neve que a jovem Donalda, na época com 5 anos de idade, está fazendo quando a história começa. Papai confia na atenção do leitor para que ele perceba o que está acontecendo.

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O resto é a história da luta de uma família desarmada contra bandidos ferozes, com o uso de um engraçado detalhe, que é o que vai finalmente colocar os vilões para correr sem que os patos precisem recorrer à violência. Uma vez derrotados os bandidos, a história pode então terminar enquanto começa a festa de Natal da Família Pato, com direito a votos de Boas Festas aos leitores.

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Irmãos Metralha… E Outros Bichos!

História dos Irmãos Metralha, de 1981.

Acho que todo mundo conhece a lenda do pote de ouro no final do arco-íris. Esta é uma variação sobre o tema, com direito à aparição do gnomo que é dono do pote de ouro e a um violento duelo de magia dele com a Madame Min. Os Metralhas só estão aqui hoje para se dar mal.

A inspiração parece vir de uma história fantástica que eu lembro vagamente de ter lido na época em que esta HQ foi escrita, justamente sobre um rapaz que entra em uma floresta e acaba presenciando (ou até participando de) uma batalha de magia com múltiplas transformações. Quando ele finalmente consegue fugir de tudo aquilo e sair da floresta, ele nota que as pessoas que ele encontra pelo caminho se assustam ao vê-lo. Ao chegar em casa e olhar no espelho, ele também grita de susto. O conto termina assim, dando a entender que ele havia sido transformado em algo horripilante.

O duelo de magia é algo recorrente em histórias das bruxas, e especialmente as da Madame Min. Quando ela enfrentou o Mago Merlin, o desafio era transformar a si mesma para melhor lutar. Em outros duelos, como este, o que acontece é uma batalha de raios mágicos, atirados como se atiram granadas, por exemplo. Como todos nós sabemos, ficar perto demais de uma “troca de tiros”, real ou virtual, é algo que acarreta um grande perigo de ser acertado por uma “bala perdida”.

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Esta é mais uma daquelas histórias nas quais todos os personagens são vilões, exceto a polícia, é claro, e desta vez as árvores da floresta, que hoje não estão mordendo. O gnomo Babuque parece ser um personagem italiano, mais um dos “adotados” de papai.

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O Jardim Das Maçãs De Ouro

História do Tio Patinhas, de 1973.

Esta é uma das primeiras histórias que papai escreveu, ainda em 1971. Publicada somente dois anos depois e republicada somente uma vez, em 2012, a inspiração vem da antiga mitologia grega.

O Jardim das Hespérides é onde a Deusa Hera guardava prodigiosas árvores que davam maçãs de ouro como frutos. Esse jardim e seus frutos foram os protagonistas de várias outras histórias da mitologia, como o 11º Trabalho de Hércules e o Julgamento de Páris.

Já no primeiro quadrinho, papai dá a “cartada” que vai fazer o leitor pensar e suspeitar de tudo, menos do que realmente está acontecendo. O resfriado do Tio Patinhas é cuidadosamente orquestrado para que ele não consiga sentir o cheiro do ouro, e o fato de ele pensar que não havia visto antes a mansão com o jardim de frutos dourados e portão entreaberto faz o leitor atento (e culto) logo se lembrar das maçãs de ouro da mitologia.

Patinhas jardim

Mas será isso mesmo? Será um golpe das bruxas, ou algo mais prosaico? Enquanto o leitor espera pelo desfecho, para ver se acertou em suas suposições, segue-se uma sequência muito engraçada que envolve o Patinhas, o Donald e um psiquiatra um tanto amalucado chamado Dr. Papanotas, até o surpreendente desfecho.

Patinhas jardim1

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook.

Zorro Contra Dom Del Oro

História do Zorro, de 1974.

O tema de hoje é uma crítica sutil ao racismo do qual eram vítimas os nativos norte americanos por parte dos conquistadores brancos europeus. Antes o único povo a habitar essas terras, eles acabaram tratados como verdadeiros intrusos em seu próprio território, que ia encolhendo ano a ano como resultado da colonização branca.

Até mesmo guerras aconteceram por causa disso (um povo guerreiro como os “peles vermelhas” não seria conquistado sem luta), e nos filmes de faroeste até a década de 1950 eles eram sempre os vilões, que atacavam cruelmente os acampamentos e vilarejos dos brancos, sempre retratados cheios de inocentes mulheres e crianças.

Antes das histórias do Zorro ganharem popularidade na TV, nos anos 1960, era a história de Davy Crockett, herói nacional, matador e pacificador de índios e “Rei das Fronteiras” (título de um filme – baseado em uma série de TV – de 1955) que tinha maior visibilidade, e com ela, o racismo contra os índios.

Considerados “ladrões, vagabundos e imprestáveis” pelos brancos, e muitas vezes confinados às suas reservas, desempregados, segregados e abandonados a vícios adquiridos dos próprios conquistadores, como o alcoolismo, eles rapidamente se tornaram uma população vulnerável, em situação de risco, e presa fácil de todo tipo de golpe e exploração. Afinal, a quem eles poderiam recorrer, se fossem chantageados ou extorquidos? (Qualquer semelhança, aliás, com a situação dos indígenas brasileiros, desde aqueles tempos do Regime Militar e até os dias de hoje, não terá sido mera coincidência).

São presas fáceis, em suma, para qualquer bandido covarde que apareça. É neste ponto que entra o personagem “Dom Del Oro” (em espanhol “senhor do ouro”, em tradução livre), um pretenso ser sobrenatural que faz aos índios exigências que ele sabe que eles não poderão cumprir, sob pena de terríveis consequências, supondo que eles não poderão se defender, não terão a quem recorrer.

Ou será que terão? Ao ver a injustiça acontecendo bem debaixo de sua janela, Dom Diego, o Zorro, eterno defensor dos fracos e oprimidos, logo se lança escadaria abaixo em defesa de seus amigos.

Zorro DomDelOro

A inspiração vem de mais um seriado cinematográfico, “Zorro’s Fighting Legion”, (ou “A Legião do Zorro” no Brasil), uma produção da Republic Pictures de 1939, na qual Dom Diego luta contra Dom Del Oro no México (se passa quatro anos após a história original, quando a Califórnia estava nas mãos do México). Nesse seriado o Zorro tem, curiosamente, um cavalo branco.

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Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

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Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

O Ouro De Serra Peluda

História dos Irmãos Metralha, de 1983.

Se existe (existiu) um garimpo em Serra Pelada, será que não poderia então existir uma “Serra Peluda” com um garimpo semelhante? Quando esta história foi escrita o garimpo de Serra Pelada estava a todo vapor, e o assunto dominava as notícias dos jornais e da TV. Foi uma verdadeira corrida do ouro, e inspirou até mesmo documentários e filmes de TV e cinema. E (por que não?) histórias em quadrinhos, como esta.

A mera noção de um garimpo tão rico mexeu muito com o imaginário de todo mundo, na época. Só se falava disso. Ou muito me engano, e minha memória me falha desastrosamente, mas há lá no fundo de minha mente uma vaga lembrança de meu irmão e eu na frente da TV brincando de trocar o nome “Serra Pelada” por “Serra Peluda”, e rindo a valer com a patacoada. Era um jogo de palavras de um tipo que ele, então com 12 anos de idade, costumava fazer muito. Só não sei se brincávamos de “Serra Peluda” antes ou depois da criação desta história.

O carro dos Metralhas na primeira página, laranja como a roupa dos ladrões e com um boné azul sobre a capota me parece algo inspirado em histórias Italianas. A ordem no estúdio a partir da virada da década, de 1970 para 1980, era “renovar, renovar, renovar”: no figurino dos personagens, em detalhes como este carro, na maneira de organizar os quadrinhos, etc.

Quanto à história em si, a presença do Primo 1313 pode até explicar alguns dos desastres e acontecimentos estranhos iniciais, mas com o passar dos quadrinhos as coisas começam a ficar estranhas demais para serem “obra” da prodigiosa falta de sorte do Azarado.

Metralhas peluda

É aí que entram os duendes peludos dotados de poderes mágicos (que são os verdadeiros donos do lugar) com seu arco íris direcionável usado para tomar todo o ouro escavado dos humanos, considerados invasores pelos seres elementais. Além de servir para sacanear os Metralhas, a teoria dos duendes serve para explicar de um modo romanceado por que é que muito pouca gente dentre aquele mar de formigas humanas que víamos na TV voltou rica do garimpo.

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Já eu não me importaria nem um pouco se houvesse uma corrida às livrarias atrás de minha biografia de papai que está à espera de vocês, não percam:

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