O Clube Dos Garotos

História da turma das crianças, de 1983.

Note-se, para começar, que o clubinho se chama “Dos Garotos”, mas inclui também as meninas com muita naturalidade. “Garotos” aqui, é sinônimo de “crianças”, de “garotada”. É a mesma lógica, aliás, das pessoas que usam a palavra “menino” para significar crianças de ambos os sexos.

O problema aqui, diga-se de passagem, passará longe do velho clichê do “menina não entra” do Clube do Bolinha nas histórias em quadrinhos da Luluzinha. A “guerra” aqui, não será a fútil “guerra dos sexos”, mas uma muito mais séria batalha do bem contra o mal.

Formar clubinhos é mais um dos aspectos das brincadeiras de crianças de outros tempos que papai gostava de abordar em suas histórias. Já vimos, por exemplo, o “Clube dos Peraltas”, que foi uma espécie de “antítese” do de hoje, no qual os Metralhinhas, os Manchinhas e os Bruxinhos disputam para ver quem vai mandar.

E hoje também veremos a questão da desunião e falta de harmonia nas brincadeiras infantis. Uma das coisas mais complexas que uma criança tinha de aprender, logo cedo, era como negociar as brincadeiras com outras crianças. Nem sempre todos queriam brincar da mesma coisa, e algumas crianças podiam ser bem teimosas na hora de defender suas próprias escolhas.

Significativamente, é justamente quando a criançada do bem não consegue decidir qual será o objetivo do clube que elas abrem a brecha para o ataque dos Metralhinhas, que vêm para “tomar o poder” no clubinho, assumindo a presidência na marra e tentando forçar as outras crianças a fazer suas vontades.

O desafio, hoje, será arranjar um jeito de expulsar os indesejáveis sem precisar partir para uma briga violenta.

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O Circo Dos Horrores

História do Tio Patinhas, de 1976.

Os assim chamados “shows de horrores” ou circos de horrores eram uma forma de entretenimento que foi muito popular nos EUA do século XIX, mas eu desconfio que é algo que vem desde a Idade Média, ou até antes na História.

Nas cortes dos reis medievais e renascentistas europeus eram muitos os contratados para entreter os nobres, entre palhaços, mágicos, músicos e pessoas portadoras de deficiências, como o nanismo, por exemplo.

O fato é que, por falta total de tecnologia médica para ajudá-las e pelo forte preconceito que essas pessoas sofriam, os deficientes físicos em geral não teriam outra condição de trabalhar e se sustentar, a não ser que se juntassem a algum tipo de “circo” ou se colocassem sob a “proteção” de algum explorador inescrupuloso.

No Novo Mundo, os shows itinerantes que viajavam pelos EUA eram um misto de zoológico humano e museu de bizarrices: pessoas deformadas, objetos estranhos usados em shows de mágica, e animais mitológicos empalhados. Desses bichos empalhados, as mais famosas talvez sejam as Sereias de Fiji, que nada mais eram do que carcaças de macacos costuradas em rabos de grandes peixes.

(Aliás, se você ainda não clicou nos links, eu recomendo cautela: algumas das imagens são um pouco fortes.)

Com o início do Século XX e os avanços da medicina e da cultura esses espetáculos deploráveis foram caindo em desuso. Mas algo inspirado nisso que ainda circula por todo o Brasil em circos e parques de diversões itinerantes é o show da “Monga, a Mulher Gorila“.

Na história de hoje, os monstros bizarros que povoam o circo “Gorlando, O Feio” (mais uma brincadeira com o famoso Circo Orlando Orfei) são na verdade bruxos vindos de Bruxópolis para ajudar a Maga Patalójika em mais um plano para tentar roubar a Moedinha Número Um.

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Essas Crianças…

História do Professor Pardal, de 1974.

A história em si se baseia na facilidade que as crianças em geral têm em lidar com tecnologias de todos os tipos. Enquanto os adultos se esforçam para entender como se usa alguma coisa (e nem precisa ser eletrônica), as crianças frequentemente já pegaram o jeito. No passado era o controle remoto da TV, e hoje em dia vemos seres humanos de 3 anos de idade completamente à vontade com tablets e smartphones.

Outros elementos da trama são a costumeira piada recorrente com o Lampadinha, que hoje é chutado e atropelado de todos os modos possíveis, e os vários usos de um mesmo invento: a mesma engenhoca em forma de foguete que substitui um empregado doméstico e serve o café também pode, com pequenas adaptações, refrescar a cuca do inventor com um regador de jardim.

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Além disso, temos também uma referência ao mundo real. Papai esperava que seus leitores fossem pesquisar o que é um “moto-contínuo” (também chamado de moto-perpétuo) para, assim, ganharem um pouco mais de conhecimento. Quadrinhos também são cultura, e sempre se pode, sutilmente, ensinar alguma coisa ao leitor.

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Ciência E Escotismo

História dos Escoteiros Mirins, de 1980.

Esta história é inspirada em outra, feita nos EUA e publicada no Brasil pela primeira vez em 1979. Isso mostra que papai lia frequentemente as histórias de outros autores, e se inspirava nelas (entre outras coisas) para suas próprias criações.

Em “O Mentiroscópio”, o Pascoal inferniza a tropa com um detector de mentiras. É uma boa ideia, é claro, mas não tem lá muito a ver com escotismo, necessariamente. O sobrinho do inventor mais maluco de Patópolis poderia ter aplicado seu invento em qualquer reunião de pessoas, com efeitos semelhantes.

Por outro lado, as invenções que papai apresenta aqui, nesta volta do Pascoal à tropa, são certamente mais adequadas a um ambiente de acampamento no meio do mato. Entre as ideias que vemos, algumas mais práticas, como uma super lanterna, e outras mais esdrúxulas, como a corda helicóptero (claramente inspirada, aliás, na corda com asinhas do Morcego Vermelho) está uma que acabou se tornando realidade com o passar dos anos, a barraca instantânea para Camping.

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Isso, por si só, já coloca a história de hoje no campo do futurismo e da ficção científica e revela papai como um “designer conceitual” de mão cheia. Ao longo dos anos ele “inventou” o conceito do canudinho de refresco dobrável, da caneta impressora 3D, da barraca instantânea e certamente muitas outras coisas úteis, revelando um jeito de pensar que estava pelo menos 30 anos à frente de seu tempo.

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O resto da história dá conta do conflito entre a ânsia por conforto do cidadão comum, que usa a tecnologia – muitas vezes indiscriminadamente – para simplificar até o que já é simples, e a visão de mundo dos fãs da vida rústica, que vêem vantagens em aprender a fazer as coisas à moda antiga, justamente para que não fiquemos dependentes demais dessa tecnologia toda.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

Quadrinhos e Adivinhos

História do Donald e Peninha na Redação de A Patada, de 1974.

Hoje vemos uma série de coisas interessantes: em primeiro lugar, a demissão do astrólogo do jornal, por pedir aumento, dá início à produção de quadrinhos de A Patada, que renderia tantas ótimas histórias ao longo dos anos.

Outra coisa interessante são os talentos do Peninha: além de desenhar, ele parece ser bom em adivinhar o futuro. Teria a criatividade amalucada do personagem alguma relação com essa intuição percebida? O Peninha parece não ter “freios” ao livre fluxo de ideias vindas do inconsciente, o que dá a ele esse “jeitão” e talentos todos. Essa criatividade toda que papai “emprestava” ao Peninha era certamente algo que ele almejava ardentemente para si mesmo.

Assim, além de desenhista das novas histórias, que em princípio deveriam ter como argumentista o Donald, ele (sem nem ao menos precisar consultar mapas astrológicos, e por meio da mais desvairada intuição) vira também um acertadíssimo escritor de previsões, algumas das quais dão certo até demais.

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E mais, hoje ficamos conhecendo os signos dos principais personagens. Assim, o Tio Patinhas é de Libra (apropriado, não?), o Donald de Leão (por força do nascimento a 13 de agosto) e o Peninha (não vamos esquecer que ele sempre foi “meio hippie”) é de Aquário (algo assim como em era de aquário”).

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Dos dois personagens inventados hoje, o Pena Kid (pelo Donald) e Xaxam, o Invencível, (pelo Peninha), só o primeiro “sobreviveu”.

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Os Pulos Do Pula-Pula

História do Professor Pardal, de 1975.

A ideia por trás da trama é a de que “menos é mais”. O inventor oficial de Patópolis está às voltas com um pedido do prefeito por um veículo pequeno e leve que ajude a desengarrafar o trânsito da cidade.

Cativado pelo pula-pula do sobrinho Pascoal, o Pardal tenta “aperfeiçoar” o brinquedo, para que se pareça mais com um veículo “de verdade”. Várias tentativas são feitas, uma mais estrambótica que a outra, para a diversão do leitor. O inventor tenta de tudo, de um simples motor a pilha até um perigoso sistema atômico de propulsão, na intenção de poupar esforço aos patopolenses que usarão a engenhoca.

Pardal pula

Mas será mesmo que é preciso isso tudo?

O pula-pula, assim como o cavalinho de madeira e outros brinquedos das crianças do passado são mais uma das “marcas registradas” de papai, que procurava relembrar e promover as antigas brincadeiras sempre que podia.

As Férias Do Prof. Pardal

História do Prof. Pardal, de 1975.

Que o inventor maluco é “workaholic” todo mundo sabe. É difícil para ele parar de trabalhar, especialmente quando está inspirado, ou tem um projeto sob encomenda para entregar. Sendo ele uma espécie de “artista freelancer” das invenções, isso é até compreensível (reza a lenda, aliás, que freelancers não dormem: se têm trabalho é porque precisam trabalhar, e se não têm trabalho ficam insones de preocupação).

No presente caso o Pardal está mais uma vez trabalhando noite adentro, enquanto o Lampadinha e o Pascoal  insistem que querem férias.

Como sobrinho de inventor inventorzinho é, o pequeno resolve passar o tempo projetando uma super barraca de acampamento, aquela barraca dos sonhos de todo “caipira da cidade” quando resolve campar. É nesse momento que o inventor “adota” o projeto do sobrinho:

Pardal barraca planos

Tem gente que sonha em acampar e ter mais contato com a natureza, mas ao mesmo tempo não suporta a ideia de ter de se separar dos confortos de uma casa “de verdade”. E esta barraca parece ser a resposta perfeita para esse dilema.

Pardal barraca

Facílima de montar ao toque de um único botão e equipada com todos os confortos de um lar da cidade, a tal barraca é tão parecida com uma casa, tão confortável, que dá ao Pardal até vontade de… trabalhar. E assim papai não apenas devolve a trama ao início como modo de terminar a história, mas também provoca surpresa e uma gargalhada final no leitor.