Invasores e Cobradores – Inédita

História do Zé Carioca, composta em 19 de julho de 1993 e nunca comprada ou publicada.

Ela na verdade se parece um pouco com a história chamada “Os Invasores”, de 1984, já comentada aqui, que foi a última história deste tipo escrita por papai e publicada oficialmente.

Mais uma vez, depois de muito conspirar, os perigosos alienígenas transmorfos resolvem colocar em prática seu plano maligno de invadir a Terra. Novamente, eles vão pousar justamente na Vila Xurupita. E de novo, se deparam com o Zé e o Nestor, e tomam a aparência e o lugar deles. Além disso, como sempre, eles não têm a menor capacidade de entender a cultura e os costumes, e se acham superiores a todas essas coisas “primitivas”.

Para complicar, papai reabre a “Escola de Heróis” e ainda por cima convoca os cobradores da Anacozeca, só para chatear. Como se não bastasse, ao que parece, está todo mundo sem dinheiro na Vila, porque a cada vez que os terráqueos avistam notas “dando sopa” é um deus-nos-acuda. E como se tudo isso não fosse o suficiente para criar a maior confusão e fazer o leitor rir, papai usa liberalmente uma cacofonia de palavras e onomatopeias de sons terminados em “um”, como “fium”, “zum” e outros, que só adicionam à confusão e à graça da coisa toda.

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É uma espécie de “apanhado” e “concentrado” final das outras histórias da série, a tentativa de invasão definitiva, a invasão para acabar com todas as invasões. Interessante é a similaridade das cenas onde o invasor disfarçado de Zé enfrenta os Anacozecos. É só pena que voa.

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Escola De Heróis

História do Zé Carioca, de 1984.

“Quando está muito duro, mas muito duro mesmo, o Zé Carioca resolve dar duro”. As palavras de abertura da história descrevem muito bem a personalidade do Zé, que tem fama de folgado, mas que sabe trabalhar (ou algo parecido) quando precisa muito.

O Inducks nos informa que esta seria a última história de papai pela Editora Abril (provavelmente como contratado), mas já vimos que ele continuou escrevendo com menos frequência até 1988, como freelancer.

A história é bem criativa, e os novos heróis criados, hilários. O mais engraçado deles é o alter Ego do Afonsinho que, fantasiado de “Pato Aranha”, consegue escalar paredes após “tomar aulas” com uma lagartixa. Ao que parece o bobinho do Afonsinho é tão sugestionável que consegue convencer a si mesmo que é capaz de fazer qualquer coisa. Se o Zé Morcego Verde tivesse dito a ele que o ensinaria a voar, ele estaria voando só com o poder da mente. Além disso o Pato Aranha chega, inclusive, a usar o bordão “Bandidos Tremei” do Morcego Vermelho, o que só adiciona mais graça ainda à coisa toda.

Pato Aranha Afonsinho

Os outros heróis criados para esta história são o Robin Nestor, o Rei das Selvas Pedrão e o General América Zé Galo. A confusão fica completa com a presença dos cobradores da ANACOZECA, já que o Zé cobrou dos amigos pelas aulas e está com dinheiro no bolso.

O preço do curso, aliás, cinco mil Cruzeiros, pode soar salgado para os ouvidos atuais. Mas é só quando o Zé se refere ao preço pago pelo Zé Galo (10 mil) como “Dez Barões” que percebemos que não era tanto assim. Naqueles tempos de inflação galopante, 1000 unidades da moeda tinham o poder de compra de uma só. Tudo era precificado aos milhares de Cruzeiros.

Para uma “última” história, esta ainda se parece bastante com um “auge de carreira”, para mim. É uma pena que esses 10 anos de Disney tenham passado tão rápido, e terminado tão bruscamente. Se apenas as coisas tivessem sido diferentes, papai ainda teria décadas de boas histórias para criar.

Em 1993, com a retomada da colaboração, lá de Israel mesmo, papai voltaria ao tema da Escola de Heróis, em uma história ainda inédita:

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