A Máquina Do Tempo Perdido

História do Lampadinha, de 1983.

(Sim, eu achei mais uma revista “perdida” no meio da coleção). E sim, você leu certo: esta história é muito mais do Lampadinha do que de qualquer dos outros personagens, o Professor Pardal incluso.

O que papai faz, aqui, é inverter a “ordem natural das coisas” estabelecida por Carl Barks: na maioria das histórias deste tipo, a ação é do inventor maluco e de seus coadjuvantes, e o robozinho é a diminuta estrela de uma trama paralela que corre literalmente em segundo plano e ao pé dos quadrinhos.

Hoje veremos algo diferente: a trama principal, a da máquina do tempo para curtas viagens ao passado, mais exatamente ao dia anterior, cede um espaço considerável à trama “secundária”, que acaba ganhando a mesma importância dentro da história.

A luta do Lampadinha contra as formigas chega a dominar de tal maneira a coisa toda, que o Donald, o Peninha e o Tio Patinhas nem aparecem. Eles, a princípio, são meramente citados pelo Pardal em uma conversa por telefone e na continuação tudo o que se vê deles são os diálogos nos balões.

Esta é mais uma daquelas “sacadas” geniais de papai, que, ao que tudo indica, com o tempo passou a ter um sentimento especial pelo pequeno e humilde ajudante robótico.

Se estivesse vivo, ele estaria completando hoje 78 anos de idade. Eu peço a você, leitor destas linhas, que dedique a ele um momento de oração.

Obrigada.

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As Aventuras De Pena Rubra

História do Peninha, de 1983.

Depois de fazê-los descobrir o norte do continente americano, onde Patópolis seria fundada mais tarde, papai leva seus Vikings muito loucos para mais uma aventura.

Trata-se de uma brincadeira sobre o tema, sem muita preocupação em ser fiel a verdades históricas e outros “detalhes pouco importantes”. Como sempre, o objetivo da história é menos dar uma aula e mais divertir e estimular o leitor a pesquisar um pouco sobre esses grandes bárbaros do norte.

Papai manda a realidade histórica às favas em dois pontos principais. O primeiro diz respeito à religião dos Vikings na época de suas grandes navegações: apesar do uso somente de nomes de deuses da mitologia nórdica, como Thor, Odin e Wotan (outro nome de Odin, só para variar), nas exclamações dos viajantes, quando começaram a se espalhar pelo mundo eles já haviam tido contato com a religião Cristã, e muitos já haviam se convertido.

Em segundo lugar está a tentativa de chegar à China. Os Vikings foram realmente grandes viajantes, estiveram inclusive no Oriente Médio e até mesmo na Rússia, mas os primeiros europeus a visitar a China foram mesmo os portugueses, em 1513.

Um terceiro ponto de sátira está na descoberta feita pelo Pena Rubra (cujo nome, aliás, é uma referência ao célebre Erik O Vermelho) de que a Terra deve ser na realidade redonda. Com efeito, teria sido muito difícil para os Vikings viajarem tanto pelo mundo sem saber dessa valiosa informação, e papai concordava com os pesquisadores ao desconfiar que eles sabiam, sim.

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Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Um Entregador Sob Encomenda

Publicada pela primeira vez em 1974.

A versatilidade do Pato Peninha como “faz tudo” do Tio Patinhas se presta a miríades de tratamentos. Desta vez, ele está atuando como entregador.

Enquanto isso, o Dr. Estigma e o Prof. Gavião estão atrás de roubar os planos dos inventos do Prof. Pardal, que Tio Patinhas ficou de industrializar.

Não deixa de ser uma noção interessante, já que geralmente é o próprio Prof. Pardal quem constrói os seus inventos em sua oficina. Vai ver, foi por isso mesmo que a cobiça dos bandidos foi aguçada: se dessa vez é o Patinhas quem vai manufaturar, é porque é algo importante, grande e valioso.

A trama toda gira em torno de variações sobre o tema entregador-pacote-bandidos, com estes últimos trocando de disfarces o tempo todo. Primeiro, se dizem fiscais. Depois, têm uma “encomenda” para o Patinhas. A relação Peninha/pacote também vai variando: ou ele quebra o conteúdo, ou o Patinhas não aceita a entrega. E aconteça o que acontecer na história, volta e meia alguém é jogado escada abaixo, seja o Peninha com a encomenda quebrada, os bandidos disfarçados, ou o Peninha e a “encomenda” dos bandidos.

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Seus planos malignos são frustrados em todas as tentativas, ora pela incompetência do desastrado Peninha, ora pela desconfiança ou avareza do Tio Patinhas. Mas dentre todos, o único que tem a cabeça no lugar e acaba dando uma dentro é o Donald, que desconfia da situação toda e chama a polícia.