A Feiticeira Eletrônica

História da Maga Patalójika, de 1975.

Apresentando “Bruxax”, o bruxo robô computadorizado, este é mais um engraçado exercício em tecnofobia. Mas o fato é que, apesar de tudo, o tema desta história também é bastante profético. (E sim, apesar de ainda não estar creditado no Inducks, esta história é de papai.)

Dizem os atuais futuristas que, em 20 anos, mais ou menos, metade das profissões que temos hoje já serão exercidas por robôs e que 95% dos carros nas ruas serão autônomos. Ninguém mais precisará levantar caixas pesadas em almoxarifados, fazer tarefas perigosas em indústrias, tirar carteira de motorista, ou mesmo ter um carro particular em casa. Quem viver, verá.

Mas a verdade é que, já agora, neste exato momento, muitos sites especializados em direito, por exemplo, contam com robôs para responder perguntas simples (ou vocês achavam mesmo que há um advogado de plantão o tempo todo do outro lado da telinha só esperando alguém acessar a caixa de diálogo “fale com um advogado”?).

A própria Internet é a maior biblioteca de todos os tempos, com milhões de conteúdos sobre todos os assuntos que qualquer pessoa pode consultar a qualquer momento, sem nem mesmo sair de casa. Se bem que papai colocou na biblioteca cheia de traças da Maga alguns volumes interessantes, como um tomo sobre Kabala.

E para profissionais de muitas profissões que se baseiam na consulta constante a livros, como tradutores, escritores, médicos, os já citados advogados, professores, historiadores, etc. etc., hoje em dia já é mais fácil e rápido encontrar esses conteúdos auxiliares online. Isso, enquanto os próprios conteúdos ainda não são capazes de fazer o trabalho por si sós, tornando os profissionais humanos redundantes.

Os trabalhos que sobrarão para os humanos, em 30 anos, serão as artes e as humanidades, para os quais as máquinas não terão “alma” e sensibilidade suficientes. A própria bruxaria, no exemplo desta história, apesar de contar com uma biblioteca virtual armazenada em um grande computador e fornos elétricos e alambiques industriais no lugar do velho caldeirão, ainda terá um elemento muito humano, apesar do que possa parecer.

Mas tudo isso vem com um preço, é claro, e dos bem monetários, que o velho laboratório cheio de traças e aranhas pelo menos não tinha.

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“Bruxo-Padrinho”

História da Maga Patalójika, de 1975.

A Maga é uma bruxa malvada, disso não há dúvida. E o Tantã é um bruxinho bonzinho, disso todo mundo sabe. Assim, quando ele aparece no laboratório dessa que é tia dele para fazer um estágio ao final do curso na Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o leitor pode ter certeza de que vem chumbo grosso por aí.

A coisa mais fácil de acontecer em um lugar onde se fazem poções, e que é o que acaba acontecendo, é uma grande bagunça, com líquidos esparramados e frascos quebrados. Nesse sentido, um laboratório de magia de uma bruxa de histórias em quadrinhos não é lá muito diferente de uma grande cozinha daquelas antigas, nas quais a presença de crianças não era bem aceita, justamente por causa do risco de acidentes com grandes panelas e fogões a lenha.

É óbvio que um acidente doméstico em um lugar cheio de feitiços prontos para serem lançados vai acabar causando uma transformação maluca, especialmente se, na bagunça, eles se misturarem todos de algum modo imprevisível.

Fácil, também, seria inverter a personalidade do Tantã, de bonzinho para temporariamente mau. Na verdade, isso seria um pouco fácil demais, e um pouco “manjado” demais. É por isso que papai escolheu um caminho diferente e, por isso mesmo, totalmente hilário. Afinal, até mesmo para um bruxo bom, sair por aí transformado em “fado” (uma espécie de fada do sexo masculino) é um pouquinho de humilhação demais.

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A Sociedade Protetora Dos Morcegos

História das bruxas Maga e Min, de 1976.

Uma coisa é certa: Maga Patalójika consegue transformar qualquer situação em um plano para roubar a moedinha número um do Tio Patinhas.

A bola da vez é a “Sociedade Protetora dos Morcegos”, uma entidade que a Madame Min está sonhando em fundar. A Maga a princípio não tem tempo para morcegos, nem para sociedades protetoras, mas só até ouvir os planos da colega. O fato é que a Min entende muito desses bichos, começando com os cuidados que se deve ter com um deles como bicho de estimação ou “familiar”, e sabe até fazer bruxarias inspiradas nos mamíferos voadores, como por exemplo se transformar num deles.

Maga Min morcego

O conceito de familiar, nas lendas sobre bruxaria, é bastante interessante: o animal que acompanha a bruxa não é apenas um bicho de estimação, mas também um “ajudante” nas magias, e haveria uma relação profundamente psíquica entre a bruxa e seu animal. Esse bicho poderia inclusive incorporar espíritos ou elementais, “canalizando” o poder deles, e a bruxa poderia até mesmo tomar a sua forma para sair por aí disfarçada.

É exatamente isso que a Maga resolve fazer, convencendo a Min a lhe ensinar o segredo da transformação com a promessa de que fará parte da tal sociedade, em troca. (É claro que ela não tem intenção nenhuma de cumprir essa promessa.) Transformada em morcego, a Maga consegue passar pelos alarmes e colocar finalmente as garras na moedinha. Mas como sempre, a pressa é inimiga da perfeição e a Maga se vê de repente como vítima de um pequeno detalhe não considerado que faz toda a diferença.

Maga Min morcego1

O mal perdeu novamente, mas isso já era de se esperar. Engraçado, mesmo, é ver de que modo a bruxa se dá mal mais uma vez.