A Volta Do Conde Cordeiro

História do Mickey, de 1977.

Chefe de uma perigosa organização criminosa e outro dos arqui-inimigos do Mickey e do Esquálidus, o Conde Cordeiro é mais um daqueles personagens promissores mas mal aproveitados criados no exterior e adotados por papai para mais uma aventura, pelo menos.

A inspiração veio da história “Esquálidus Contra O Conde Cordeiro”, com roteiro de Bill Walsh e desenho de Floyd Gottfredson, originalmente publicada em tiras entre 1949 e 1950, que papai provavelmente leu na Edição Extra 67, de 1975.

Esta é uma daquelas batalhas épicas cheias de reviravoltas surpreendentes, grandes sustos e boas risadas, com tentativas de assassinato bem sérias, muito suspense e forte inspiração da história original. Algumas das armas não letais usadas na história são bastante futuristas e muito usadas nas histórias de meu pai, como a arma grudenta, por exemplo, que já existe hoje em dia.

Na companhia do amigo Esquálidus e seu gazecaradraursa Pflip, e apesar dos esforços de proteção por parte da polícia de Patópolis em uma ação comandada pelo próprio Coronel Cintra (para que o leitor sinta a gravidade do drama), o nosso herói se vê sequestrado e levado ao covil dos bandidos, onde ficará cara a cara com um perigoso tigre de bengala e ajudará a libertar alguns cientistas aprisionados.

Um dos cientistas, aliás, de nome Professor Zarrolhos, devido ao destaque que recebe, pode até mesmo ser uma representação do próprio autor, já que papai também gostava de se colocar nas histórias para poder contracenar com os personagens.

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O Mistério Do Ano-Novo

História do Mickey, de 1974.

É véspera de ano novo, Patópolis está toda enfeitada, e o Mickey vai dar uma festa de Réveillon em sua casa. Todos os amigos mais chegados estão convidados, e o Pateta é um dos mais animados. Assim, quando ele desaparece de repente sem deixar vestígios, a turma toda se mobiliza para encontrá-lo. O fato de que o Mancha Negra está à solta só serve para complicar a situação.

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Papai compõe aqui, em breves 8 páginas, um conto policial digno de um romance inteiro. Todos os elementos que caracterizam uma história do tipo estão presentes, incluindo várias pequenas pistas verdadeiras e algumas pistas falsas das grandes. A tarefa do leitor será descobrir qual delas é qual, e a chave para a solução do mistério está na segunda página. Na quarta página papai dá mais uma pista importante mas, é claro, não suficiente por si só.

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Quem conhece esse tipo de história policial sabe que nelas “motivo” é tudo: por que motivo o Pateta deveria sumir justamente neste momento? Quem teria interesse nisso? O que o Mancha está realmente fazendo pela cidade? E o que há na caixa comprida, afinal?

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O Dia Dos Mascarados

História do Mancha Negra, de 1973.

Esta não é, de modo algum, uma história de Carnaval, mas seu título é uma brincadeira com o nome da canção “A Noite dos Mascarados”, lançada por Chico Buarque em 1967.

O fato é que há um novo “mascarado” em Patópolis, e em franca competição com o Mancha, ainda por cima. Ele usa um capuz negro que se auto-replica ao ser retirado, de modo que ninguém jamais será capaz de desmascarar o bandido. A coisa é tão eficiente que nem mesmo ele consegue mais ver o próprio rosto. O nome “Tomaz Carado” dispensa explicações, sendo mais um dos famosos trocadilhos que papai usava para criar os nomes de seus personagens coadjuvantes.

Pateta Mascarados

Para piorar, e para o desgosto do Coronel Cintra, o Mickey está fora da cidade. Assim, o Pateta resolve investigar o caso no lugar do amigo, usando o Manual do Mickey como guia. No processo, ele se compara com detetives famosos, como “Berloque Gomes” (Sherlock Holmes) e Hércules Poirot, chegando até mesmo a se auto-intitular “Hércules Patetô”.

Pateta Mascarados1

Os métodos um pouco, digamos, “tradicionais demais” de investigação do Pateta não renderão, é claro, o resultado desejado, mas isso não quer dizer que os dois bandidos não vão se dar mal no final. O interessante, como sempre, é ver exatamente como.

Além de humor, também não falta ação nesta história. Desde a cruel guerra travada entre os dois bandidos e até a perseguição que levará à prisão dos dois, a confusão será grande.

A mesma revista onde esta história foi publicada pela primeira vez contém mais uma de papai, curtinha, de uma página só, que faz piada com as tentativas de assalto dos Irmãos Metralha à Caixa Forte do Tio Patinhas. Ela pode ser vista no site do Inducks, aqui.

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Amigo É Pra Essas Coisas

História do Pateta, de 1980.

Esta história combina vários dos temas que papai gostava de trabalhar: narrativas das origens ou da infância dos personagens, brincadeiras de crianças dos tempos de infância dele, e temas inspirados na História do mundo e nos clássicos da literatura.

Aqui vemos Pateta, Mickey e sua turma quando crianças, enfrentando os valentões do bairro, um bando de gatos gatunos comandados por um jovem João Bafo de Onça. O Pateta é alvo de bullying mas, mesmo com todas as trapalhadas que faz, tem no Mickey um amigo inteligente e sensível que finalmente o fará sentir-se acolhido. Com esse histórico, fica fácil de entender o motivo de tanta amizade e parceria na idade adulta.

Pateta amigo

A brincadeira de “Legião Estrangeira” é um tema retirado do cinema e da literatura (bons tempos aqueles nos quais as crianças liam livros) para enriquecer as brincadeiras de mocinho e bandido. Naqueles tempos era comum as crianças montarem algum tipo de barricada com qualquer material que tivessem à mão, como tábuas velhas e caixas de papelão, à qual davam o nome de “forte” (podia também ser Forte Apache, ou Caverna dos Piratas) como um refúgio para descansar um pouco da brincadeira e território a defender, atirando mamonas com seus estilingues nos “bandidos” de plantão. Ir “se alistar na Legião Estrangeira” era também o plano da maioria dos meninos que cismavam em querer fugir de casa por motivos de “dá cá essa palha”.

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Os 30 Anos Da Revista Mickey

Papai participou em grande estilo das comemorações dos 30 anos da Revista Mickey, em um especial publicado em 1982.

Não apenas a “história de ligação” entre os vários clássicos apresentados é dele, mas além disso as únicas duas histórias nacionais que aparecem na revista também são dele. Nada mau para um personagem com o qual se dizia que papai tinha “pouca afinidade”.

A “história de ligação” como eu a chamo, é muito original e interessante. Ela vai acontecendo em partes, entre uma história e outra da coletânea, e além de ter a sua própria trama, vai apresentando as demais histórias da revista. À medida que o Professor Ludovico, (que é especialista em tudo, e por isso em Mickey também), vai relembrando as várias HQs que marcam a história do personagem, eles vão aparecendo, em miniatura, saltando de dentro dos gibis para a estante e fazendo a maior bagunça nas prateleiras.

MK 30 anos

O Mickey, sempre sério e lógico, apressado para não se atrasar para a sua festa, a princípio não vê nada e até chama um médico para ver o Ludovico, o Doutor Cura Andeiro (jogo de palavras com “curandeiro” – olhem só papai deixando sua marca registrada de novo), que não apenas não acha nada além de um galo na cabeça do nobre colega Ludovico, como também vê a sala cheia de personagens de histórias em quadrinhos, para desespero do rato.

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É só quando a Minnie chega e alega também estar vendo os personagens nas prateleiras, que o segredo de como vê-los é revelado para o Mickey. Esse era também o maior segredo de todo o processo criativo de papai, que ele “entrega de bandeja”, aqui, para quem quiser ler e entender:

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No final tudo não passava de um plano do Ludovico para segurar o Mickey ali mesmo e fazer a festa com os amigos que vão todos chegando no decorrer das páginas e se reunindo, dentro de uma biblioteca cheia de gibis e na presença de todas as histórias mais marcantes e de todos os personagens em suas mais variadas versões e estilos, do mais antigo ao mais recente. É uma homenagem à altura do “personagem maior” da Disney, aquele por causa do qual tudo começou.

O Fantasma Do Castelo

História do Pateta, de 1982.

Para começar, esta história foi criada em 1973. Será que alguma outra história de papai passou esse tempo todo, nove anos, esperando numa gaveta até ser publicada?

Outra coisa interessante aqui é que o cachorro Pluto, que acompanha o Pateta na aventura, faz comentários em pensamento sobre o que vê, no mesmo estilo de outros personagens animais de papai, como o Alazão de Pau, o Cão do Urtigão, e até o gato Ronron.

Pateta nanico

 

Uma das marcas registradas do estilo de escrita de papai também está presente, nos trocadilhos usados nos nomes dos personagens. Assim, temos os primos (aparentemente escoceses) Macnan Nico, um baixinho, e Mac Chato (por motivos óbvios).

A Escócia, aliás, tem uma longa tradição de castelos assombrados, talvez com a maior concentração deles em todo o mundo. E além disso, se a “Ratagônia” é uma referência a ratos, já que o Mickey está lá, o quê seria a Patagônia?

A história em si usa vários dos elementos das antigas histórias de terror: uma noite chuvosa, um castelo lúgubre, um fosso cheio de jacarés ferozes e uma história de fantasma. Há também elementos de história policial, ou de mistério, onde dois primos disputam a propriedade do imóvel, que ganharam de herança.

Pateta nanico castelo

O elemento de humor fica por conta da comédia de erros e das trapalhadas. Não há uma página sem uma queda de alguém por cima dos outros e/ou sem alguém que venha rolando escada abaixo.

Pateta nanico escadas

 

O Pateta também chega perto de solucionar o mistério várias vezes, sempre meio por acaso,  mas nem mesmo com tudo concluído ele é capaz de “juntar os pontos” e entender o que aconteceu.

Patetoque, O Detetive

História do Pateta, publicada em 1974.

Desta vez os papéis de Mickey e Pateta estão trocados em relação ao usual. Quem está em apuros é o Mickey, sequestrado pelo Mancha Negra com a ajuda do Dr. Estigma, e é o Pateta quem vai precisar investigar o desparecimento do amigo.

Patetoque policial

A referência, mais do que óbvia, é às histórias de mistério policial e investigação de Sherlock Holmes. O problema é que o Pateta não consegue seguir as pistas mais óbvias, nem raciocinar o suficiente para chegar a alguma conclusão. Quem faz, realmente, o trabalho de detetive nesta história é o cachorro Pluto, enquanto o leitor vai, este sim, vendo as pistas deixadas não por acaso ao longo da história e desvendando, aos poucos, o mistério.

Patetoque pistas

O plano dos bandidos é atrair a polícia toda de Patópolis para o pântano onde esconderam o Mickey, e então sair sorrateiramente de helicóptero e ir roubar a cidade à vontade. Mas é claro que nada sai como o esperado, e mesmo quase sem querer o Pateta acaba desvendando o mistério e levando à prisão dos bandidos. E pior: ainda por cima diz aos vilões no final o que está errado com o plano deles e como ele faria melhor, provando que pode ser um bobão, mas ainda é mais inteligente do que o povo do mal.

Nota para a cobra que o Pateta encontra no pântano:

Patetoque cobra