O Bicho Papão

História da Turma do Lambe Lambe, de Daniel Azulay, escrita em maio de 1982 e publicada pela Editora Abril na revista da turma de número 10, em fevereiro de 1983.

Esta história é uma variação sobre o tema da “fórmula de fazer crescer árvores” que papai criou para o Professor Pardal alguns anos antes e que foi publicada em 1980 na trama intitulada “Sementes da Confusão”. O problema básico é o mesmo: o desmatamento rápido e crescente que está acabando com a floresta e ameaçando os animais de extinção.

A solução proposta, também: uma fórmula química e meio mágica criada pelo cientista para promover o crescimento super-rápido de plantas dos mais variados tipos para recompor a floresta devastada.

Mas é claro que papai não se limitaria a fazer uma mera cópia de outra história. Aqui ele coloca elementos novos, como o Bicho Papão em pessoa (e também os Sacis, mostrados como animais da floresta, além de coelhos e outros bichos mais comuns) como vítima e queixoso do desmatamento, e a distribuição das sementes preparadas com a fórmula por via aérea.

O elemento que liga o começo ao final da história é o nervosismo de galinha da Xicória, que tem medo de tudo e de todos, pelo menos até a metade da história. Quando ela finalmente perde o medo, a situação então surpreendentemente se vira ao contrário, “contra” ela, para a diversão do leitor.

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Os Metralhas De Roma

História dos Irmãos Metralha, de 1979.

Trata-se de mais um dos “causos” do Vovô Metralha sobre os antepassados dessa família que também é uma quadrilha.

O ano em que a trama se situa é 64 dC. Isso é importante porque é a primeira e mais importante pista sobre o final da história. Quem prestou atenção nas aulas de História da escola já vai saber o que é logo de cara, e quem não sabe vai aprender, mas só no final.

Uma segunda pista é o nome do Imperador romano, “Nerusca”, que é uma brincadeira com o nome Nero. Mesmo quem não sabe exatamente o que aconteceu em Roma no ano 64 já ouviu falar desse infame imperador e da lira que dizem que ele tocou na ocasião.

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Como papai já fez em outras histórias semelhantes, os números nos peitos dos Metralhas estão em algarismos romanos que podem até ser lidos por quem sabe (e papai sempre confiava que o leitor iria saber, ou pelo menos se interessar em aprender), e ele vai “semeando” palavras e expressões em Latim ao longo do texto na esperança de ensinar mais alguma coisa ou duas ao jovem leitor.

De resto também aqui o Azarado 1313 é o personagem principal e figura central na bagunça toda. Tendo se aliado a uma antepassada da Madame Min (sempre ela e sua predileção por “amores bandidos”) de nome Locusta, e estando sob a proteção dela, ele até começa a história sortudo, mas só começa. Já a bruxa em questão era uma especialista em venenos que existiu de verdade e fornecia suas poções mortais ao próprio Nero, que as usava para eliminar desafetos.

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“Locusta” é também o nome científico (portanto, latino) de um tipo de gafanhoto. Dada a má fama desses insetos destruidores, que atacam aos milhares e costumam comer toda a vegetação que encontram pela frente, é fácil entender o motivo pelo qual a bruxa da História clássica foi associada a eles.

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A Sócia Contratada – História inédita

História do Urtigão, com nove páginas, escrita e rascunhada em 03/04/1993 e nunca publicada.

Ela provavelmente foi devolvida para reformulação, e acabou não sendo comprada. Naquela época havia a revista do Urtigão, e o clube das “Solteironas Anônimas” foi uma ideia que veio do estúdio para papai desenvolver.

Aqui ele faz mais um dos cross-overs que gostava de criar, misturando personagens de universos diferentes. A comparação entre as solteironas e a (também solteira) bruxa Madame Min não é nada lisonjeira, é claro. Toda essa coisa de fazer o velho matuto ser perseguido por um bando de mulheres a fim de casar também é bastante machista, mas se era isso que o estúdio queria… fazer o quê?

Os ingredientes da poção, na segunda página, lembram bastante os de outra “poção de amarração” que a Min preparou em 1982 para o Mancha Negra na história “Os Sete Anões Maus”, já comentada aqui. São eles: cola-tudo, visgo, goma arábica, fita adesiva, bigodes de gato vesgo e pó de agarrar marido.

Outro detalhe interessante está ao pé da página 4. É uma das famosas instruções que ele costumava dar ao desenhista (que, naquele momento, papai nem sabia quem seria), neste caso dando a ele liberdade para mudar a aparência da bruxa, caso considerasse que o Urtigão já a conhece bem. Afinal, eles já se encontraram pelo menos uma vez nas histórias de papai, como em “As Urtigas da Ira”, de 1983, também já comentada aqui.

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A Festa Dos Vampiros

História do Pena das Selvas, escrita em 1982 e publicada pela primeira vez em 1987.

Dizem que os mais assustadores filmes de terror começam com alguma situação bem tranquila, idílica mesmo. Esta história não é diferente. A paz da floresta é interrompida pela chegada de um bando de vampiros, magicamente transportados para o cume do monte “Kilomanjaram” com castelo e tudo.

O nome do monte já foi comentado aqui, e foi usado algumas vezes por papai como trocadilho para Kilimanjaro. Mais interessante é o nome do vampiro invasor que ameaça tirar a paz dos habitantes da floresta: “Ivan Pyro” é mais uma maneira que papai encontrou para “assinar” sua obra.

PS Vampiros

A história toda é inspirada no clássico filme de terror “A Dança dos Vampiros”, de 1967. O próprio Pena das Selvas faz o papel do “fearless” (destemido) caçador de vampiros, em uma alusão ao título original do filme em inglês. Outros elementos do filme citados aqui são os espelhos que só refletem os vivos, mas não os mortos-vivos, e a imunidade de alguns deles a clássicas “armas” anti-vampiro. No filme original era o crucifixo, mas aqui (para evitar símbolos religiosos, que não “cabem” no estilo Disney) o alho é usado.

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Outra coisa que não se pode usar em histórias Disney são balas de prata e estacas de madeira no coração (violentos demais, não pode haver sangue ou mortes), e assim papai recorre a uma solução criativa: ele dá ao Pena a ajuda de um “feiticeiro das selvas” e suas poções. É uma solução “pouco ortodoxa”, mas por isso mesmo bastante engraçada. Quem disse que só se pode lutar contra os seres das trevas (e principalmente vencê-los) da maneira tradicional?

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Sementes Da Confusão

História do Professor Pardal, de 1980.

Uma coisa que todos os que gostam de árvores (seja pelo oxigênio, ou pela fruta colhida no pé e devorada ali mesmo à sombra da mesma árvore onde nasceu), observam com frequência é a desanimadora rapidez e facilidade com que se derruba uma floresta, em comparação ao longo tempo que as árvores levam para crescer e frutificar.

Sendo assim, esta história é um exercício sobre um desejo de “diminuir a diferença”. Quem sabe, se as árvores pudessem crescer tão rápido quanto são derrubadas, o meio ambiente em nosso mundo estaria em uma situação um pouco melhor.

Interessante é o fato de o Pardal se referir à sua fórmula o tempo todo por “poção”, coisa que talvez fosse mais apropriada para um bruxo, e não um cientista. Mas até aí, como já vimos antes, há quem proponha que “uma tecnologia muito avançada é indistinguível de magia”.

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Enquanto isso, o Lampadinha passa a história toda às voltas com um marimbondo enfezado, enquanto dá palpites no trabalho de seu chefe. Desta vez, quase todas as suas falas são traduzidas de “bzz” para “língua de gente”. É possível observar que o marimbondo também faz “bzz”, o que me leva a pensar se o motivo dessa “cisma” toda não teria sido algo que o Lampadinha disse em “língua de Lampadinha” que o marimbondo entendeu como algo ofensivo na “língua” dele.

A “piada interna” da história fica por conta da maneira que papai achou para “assinar” sua criação, logo no primeiro quadrinho. “Saidebaixo” era uma das muitas variações jocosas (algumas mais inocentes, outras menos) que algumas pessoas em Campinas faziam de nosso sobrenome.

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Um Monstrengo Incomoda Muita Gente…

História do Morcego Vermelho, de 1976.

Assim como aconteceu com os superamendoins do Superpateta, a poção misteriosa do Doutor Zung também já foi distribuída por papai aos mais diversos personagens. Até o próprio Morcego já tomou uns goles dela, e hoje é a vez de todos os mais perigosos bandidos de Patópolis… juntos!

O plano, arquitetado pelo Dr. Estigma, envolve o uso da poção pelo bando para a realização de mais uma fuga espetacular da prisão, e subsequente onda de crimes pela cidade.

Vai ser um páreo duro para o nosso herói, mas nada que ele não consiga resolver. Afinal, se ele tem aquele jeitão atrapalhado em comum com o Superpateta, ele certamente não é tão bobo quanto o herói voador.

O título da história é uma paródia de uma antiga canção infantil chamada “Um Elefante Incomoda Muita Gente”, que pretende ensinar criancinhas a contar os números de 1 a 10 em ordem crescente e decrescente, enquanto usa o tema potencialmente irritante da repetição como elemento de humor. Hoje, quem canta são os próprios bandidos, mas não por muito tempo, é claro.

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O tema “cantigas infantis” continua na solução que o herói encontra para lutar contra os bandidos:

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E papai também aproveita para fazer um pouco de graça com o Telefone Morcego, que o herói atende de uma maneira um pouco coloquial demais para um “telefone de trabalho”, como se estivesse falando com um velho amigo. De quebra, ele acaba sugerindo que o Coronel Cintra pode ter uma vida que vai além da Polícia e da delegacia, inclusive com família e filhos.

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Mágica Trágica

História da Maga Patalójika, de 1973.

A bruxa está tentando atingir o objetivo de sempre – tomar a moedinha Número Um do Tio Patinhas – com os métodos de sempre.

A palavra chave deste argumento é “recorrente”. Ela tenta por duas vezes obrigar o pato a dar a ela sua moedinha predileta da mesma maneira: antes de mais nada, ela faz uma poção poderosa que “avisa que está pronta” com uma baita explosão, e depois se disfarça para tentar chegar perto o suficiente de sua pretensa vítima. O plano é ameaçar o Patinhas com a maldição contida na poção, se ele não entregar a ela a moedinha.

Maga pocao

Engraçadas são as cenas nas quais a Maga tenta passar pelo Donald e pela secretária do muquirana, que têm ordens para não deixar ninguém entrar. Hipnotizado por um olhar maléfico, o Donald passa a se comportar como uma galinha. Já a Dona Maricota é menos sugestionável e precisa ser neutralizada por métodos menos sutis.

TP Donald Maricota

Mas é claro que o Tio Patinhas não é bobo, e além disso tem as suas defesas e truques. No final, como sempre, o feitiço acaba virando contra a feiticeira.

Estranhamente bonita é a cena da Bruxa sobrevoando o mar, à noite, adicionada à trama por papai para adicionar um quê de dramático e misterioso, e tratada pelo desenhista Sérgio Lima num estilo que me lembra xilogravuras japonesas.

Maga mar