A Volta Do Dr. Tempo

História do Superpateta, de 1975.

Enquanto, aqui na região Sudeste do Brasil, a previsão do tempo está anunciando uma forte frente fria que irá derrubar bastante as temperaturas deste nosso inverno neste final de semana, em países como Grécia, Israel e Irã (entre outros no Mediterrâneo e no Oriente Médio), que ficam no hemisfério norte e estão agora no verão, há previsões de fortíssimas ondas de calor para os próximos dias.

Aqui no Brasil é comum, também, que haja seca em alguns lugares e enchentes em outros, tudo na mesma época do ano. O clima de nosso planeta é um sistema caótico por definição, e desde tempos imemoriais tem sido fonte de angústia e até mesmo de temor para os seres humanos, sempre expostos aos seus efeitos.

Tanto, que nossos sentimentos de impotência frente os caprichos das intempéries já deu origem a sistemas de crenças (quem nunca ouviu falar no “Deus do Trovão“?), ciências (como a meteorologia), e até mesmo práticas mágicas e supersticiosas (como a Dança da Chuva).

Poder controlar o clima é um sonho antigo da humanidade que nunca foi realmente realizado, apesar de práticas como a “semeadura de nuvens” como controverso esforço para fazer chover, por exemplo. Ao que parece, o que o ser humano está “conseguindo”, na verdade, é tornar as condições climáticas de nosso planeta ainda mais caóticas.

É de tudo isso que vem o baixinho Doutor Tempo, um vilão criado no exterior para ser inimigo do Superpateta, e alegremente adotado por papai para mais esta história. Com sua arma de raios congelantes, ele costuma tocar o terror nos céus de Patópolis, congelando o Super em pleno ar e fazendo nevar no verão, entre outras coisas.

A história de hoje nos mostra mais um épico embate entre herói e vilão, devidamente “semeado” com liberais pitadas de piadinhas sobre tempo e temperatura.

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…Fica Assim De Gavião!

História do Professor Pardal, de 1973.

A inspiração para o título vem da letra de um antigo samba de Pedrinho Rodrigues, chamado “Ninguém Tasca (o Gavião)”. Mas as semelhanças com a canção (muito machista, por sinal) param por aí. A brincadeira, aqui, será bem mais literal e vai girar em torno do grande número de robôs com a aparência do Professor Gavião que vão circular por Patópolis. (Se um elefante incomoda muita gente…)

Outras noções interessantes que podemos ver são coisas como uma “entressafra” de superamendoins (o que impedirá o Pateta de se transformar e salvar a cidade, no que seria uma solução fácil demais), uma alusão à Cornucópia da Fartura (reza a lenda que quanto mais se tira coisas dela, mais ela produz) na máquina multiplicadora de robôs, e o comportamento limitado e repetitivo característico dos robôs de papai que seria usado novamente pouco tempo depois em “O Invencível Mancha Negra”, já comentada aqui.

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Por fim temos, como em “A Guerra dos Mundos”, outra referência bastante usada por papai, um “monstro” que contém em si a chave para sua própria destruição. Essa é realmente uma solução útil para se lidar com um problema dessas proporções sem precisar recorrer à obviedade de um super herói.

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De todas as referências, para mim a mais original é a da falta de superamendoins. Aqui descobrimos um ponto fraco do Superpateta que é tão óbvio quanto surpreendente. Papai já deixou o Super sem seus amendoins mágicos de muitas maneiras diferentes, mas uma entressafra é coisa que pouca gente imagina, na quase absoluta segurança alimentar deste nosso (quase primeiro) mundo pós-moderno.

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Se formos pensar em termos de amendoins comuns, no estado de São Paulo temos duas safras anuais. Uma de janeiro a fevereiro, e outra de junho a julho. Assim, é preciso ser realmente muito “pateta” para ficar completamente sem eles. Mas talvez os pés de superamendoins sejam diferentes, e produzam uma vez só por ano (ou nem isso, ou não seriam assim tão raros e especiais).

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Mas Que Bronka!

História do Peninha, de 1984.

A trama em si é a confusão de sempre feita por 00-ZÉro e Pata Hari em suas disputas contra a Bronka, que é inspirada em séries e filmes de espionagem como “Agente 86”, por exemplo. É claro que tudo está bem trabalhado, com muita ação e suspense, como nas melhores obras do gênero.

Mas a parte mais importante da história não é essa. O mais importante, hoje, está nos detalhes, a começar pelo “transplante” do Parque Taquaral, que fica em Campinas (onde morávamos na época) para Patópolis. Está tudo lá: a lagoa, a Caravela, e até o bonde turístico, que havia mesmo acabado de ser inaugurado.

Apresentado o parque, na primeira página, papai então começa a trabalhar as livres associações que vão ligar o local à trama de espionagem. Para começar, ele transforma um antigo anúncio do remédio Rum Creosotado, que com o tempo se transformou no símbolo da era dos bondes no  Brasil, em uma espécie de senha entre espiões.

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Em seguida, ele faz da Caravela o veículo mutante dos agentes secretos, como o leitor atento logo vai desconfiar, pela cor e pelos remendos metálicos no casco, que não existiam nas naus de madeira do século 16.

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Por fim, a disputa da vez é sobre um produto químico perigoso que existe de verdade, de nome hidrazina. Consta que, além de ser tóxica, ela também é explosiva e usada inclusive como combustível para foguetes. Com um pouco de calculado exagero, papai faz com que o líquido se comporte como outro explosivo famoso, a nitroglicerina.

É óbvio que toda essa correria com e atrás de uma garrafinha contendo algo tão perigoso não pode acabar bem. Mas até aí a homenagem a Campinas, cidade que o viu crescer e na qual ele desenvolveu todo o seu talento para os quadrinhos, está feita.

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A Volta Triunfal Do Vespa Vermelha

História do Vespa Vermelha, de 1975.

Geralmente, em histórias de super heróis, ele aparece para salvar alguém ou alguma coisa de um ataque. E esse ataque pode ser desde um mero assalto e até algum tipo de ameaça envolvendo toda uma cidade, ou até mesmo o mundo inteiro.

Mas, no caso de hoje, o atacado será o próprio herói. Além disso, em mais uma inversão de papéis, ele será ajudado e até mesmo salvo por dois amigos que não são super heróis. Hoje, pelo menos, o Pateta esqueceu os super amendoins em casa.

Esta é uma história de ficção científica com um toque de tecnofobia. A ameaçadora “nuvem negra” que não depende da direção do vento para se locomover e lançar raios é na verdade um helicóptero camuflado e armado com tecnologias avançadas, e até o monte onde está esculpido o rosto de Cornélius Patus, fundador de Patópolis, foi transformado pelos bandidos para ser usado como esconderijo e também como foguete para a tentativa de fuga.

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Mas o mais surpreendente é o “chefe” dos vilões, e é nele que reside a tecnofobia da história. Ele é um cérebro eletrônico tão perfeito e tão inteligente que acabou tomando o controle do bando de seus inventores humanos, passando a mandar neles.

Esse cérebro eletrônico tem qualquer coisa do “Grande Cérebro” que manda no mundo do Esquálidus e também algo de grandes chefes mafiosos como o Grande Bronka e até mesmo o chefe da Anacozeca, ambos inspirados em O Poderoso Chefão e nos vilões dos filmes de James Bond. Principalmente, temos a relutância em aparecer, sendo visto sempre de costas, a revelação no final e a poltrona que é usada quase como se fosse um trono.

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Em todo caso não devemos nos esquecer que os computadores são apenas tão bons quanto sua programação e que algumas características humanas, como a criatividade e a capacidade de lidar com problemas imprevistos, não são o forte das inteligências artificiais. Pelo menos, não por enquanto.

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A Indústria De Chapéus Voadores

História do Professor Pardal, de 1973.

Depois do humilde e acidentado início do chapéu voador, a segunda história feita para a engenhoca nos mostra um grande desenvolvimento: o dispositivo se populariza em Patópolis, e vira uma “coqueluche” que rivaliza até com a popularidade do Morcego Vermelho.

Até o herói, aliás, vai adotar a hélice em sua touca, e finalmente se transformar no Morcego Voador que sempre sonhou ser. Ele, e todo o resto da população de Patópolis, é claro. Papai aproveita para “passear” com o conceito do chapéu, ou melhor, “deitar e rolar”, e vai explorando todas as possibilidades de uso da coisa. No final, até os passarinhos da cidade estão usando as hélices em lugar das próprias asas.

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Tem o cavalheiro que tira o chapéu para a moça e leva um tombo, tem o homem que vai dependurado na alça do chapéu como quem anda de ônibus, por força do hábito, e até a Maga Patalójika adere à moda.

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Referências nas falas dos personagens também são fartas. Coisas como “É a glória, é a glória”, bordão de comemoração do Morcego Vermelho, as carteiradas, no estilo “você sabe com quem está voando?”, gritos de “barbeiro”, e até uma referência ao Monumento às Bandeiras, em São Paulo, apelidado de “Vê se não empurra”, à medida que o céu acima da cidade se enche cada vez mais de cidadãos.

Esta história foi republicada recentemente no almanaque Disney Especial Os Aviadores, com uma pequena modificação: o preço da invenção sofreu com a inflação desde 1973, e passou dos 50 cruzeiros originais para atuais 200 patacas patopolenses. Interessante.

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O Dia Em Que O Carrilhão Parou

História do Professor Pardal, de 1975.

Toda grande cidade que se preza tem sua torre do relógio, pelo qual toda a população se guia, e Patópolis não é diferente. E como todo grande relógio de carrilhão, como o famosíssimo Big Ben, de Londres (que é o nome do sino, não do relógio nem da torre), ou o tão famoso quanto Relógio Astronômico de Praga, este também é um mecanismo antigo, delicado e temperamental.

Relógios mecânicos de todos os tipos podiam ser extremamente sofisticados, em seu tempo, e até mesmo os modelos caseiros (como este ou este) mais caros podiam ter alguns dos elementos dos grandes carrilhões, como um mostrador das fases da lua, o toque característico de um ou mais de seus “irmãos famosos”, ou bonecos móveis. Minha casa dos tempos de criança, em Campinas, também tinha um desses velhos relógios na parede, mas ele não chegava nem perto, em sofisticação, de certos modelos que se vê por aí. Em todo caso, alguns são mais elegantes, outros mais cafonas, mas todos são lindos.

O Relógio da Torre de Patópolis tem, por fora, a sobriedade de seu “colega” de Londres, mas por dentro ele é 100% Praga, com seus grandes bonecos móveis. A diferença é que em Praga eles são Santos da Igreja, e em Patópolis se parecem mais com algo tirado de uma caixa de soldadinhos de chumbo antigos.

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Eu gosto mais do nome original que papai deu à história, “O Carrilhão Da Confusão”, que, para mim, descreve melhor o que acontece na trama, mas o editor viu por bem mudar o nome para publicação. Paciência. Mas, se o título original houvesse sido mantido, o leitor atento de papai pelo menos teria uma chance de deduzir sozinho o que está acontecendo, e por que os esforços iniciais do Pardal para consertar o relógio não dão certo.

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A confusão é realmente grande, e quanto mais ela aumenta, mais o leitor ri. Meu quadrinho preferido da história toda está abaixo, mas há outros momentos muito interessantes, como a cena em que aparece o relógio finalmente consertado, intencionalmente muito parecida com o quadrinho de abertura. São sutilezas como essa que marcam o “estilo Ivan Saidenberg” de se fazer quadrinhos.

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Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

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Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

Gruda, Cisne!

História do Superpateta, publicada pela primeira vez em 1980.

“Gruda, Cisne!” é o nome de uma antiga fábula infantil ambientada na Idade Média: um rei, pai de uma linda mas melancólica princesa, oferece um grande prêmio a quem a fizer sorrir. De olho na bolada, chega à cidade um jovem que traz pela coleira um lindo cisne mágico que ganhou de uma fada (ou bruxa) para esse fim.

Uma a uma, ele vai convencendo várias pessoas que encontra pela rua, incluindo alguns altos dignatários locais, a tocar no pássaro enquanto pronuncia a palavra mágica: “Gruda, Cisne”, e as pessoas vão ficando grudadas, sendo obrigadas a seguir o rapaz pela cidade.

Quando seu “séquito” já está grande o suficiente, o rapaz se dirige ao castelo, onde faz a princesa rir e exige sua recompensa. Mas o rei tenta se esquivar de pagar, e como punição o rapaz leva para longe a moça grudada também ela ao cisne. Quando ele finalmente resolve libertá-la, a princesa havia se divertido tanto que não quis mais sair de perto dele e concordou em casar-se com ele.

Na história de papai o rapaz pobre mas abençoado pela fada é substituído por um vilão hipnotizador que vai grudando pessoas ao pássaro por sugestão hipnótica com o objetivo de se tornar o dono de Patópolis.

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Assim, ficam grudados até o Prefeito Leitão, o Coronel Cintra e o próprio Superpateta.

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Mas, mesmo grudados, os bons da cidade são mais espertos que o vilão e conseguem virar o feitiço contra o feiticeiro.