Cavalheiros do Ar

Além de histórias de terror, papai também escrevia histórias de guerra, antes começar a trabalhar com quadrinhos infantis. Desta vez apresento uma história publicada na Revista Combate número 5 da Editora Taika, de 1971.

Os créditos no primeiro quadrinho mencionam que esta é uma adaptação de “um diário de guerra”. Muitas das histórias de papai sobre este tema são adaptações desse diário, embora eu não saiba exatamente que publicação é essa. Não há créditos ao desenhista, mas no canto inferior direito do primeiro quadrinho da última página há um discreto “J”, que pode ser uma inicial do Ignácio Justo.

A Capa é dele, sem dúvida:

Combate 5

A história narra um possível episódio de combate aéreo da Primeira Guerra Mundial, talvez verídico, mas provavelmente fictício entre um piloto inglês, de nome William Forbes e um piloto alemão, chamado Ernest Schultz. Entre um habilmente desenhado “Dogfight” e outro nos céus da Europa, os dois pilotos inimigos acabam forjando um “quase relacionamento” baseado em honradez e retidão de caráter. Estão lutando por lados opostos do conflito, mas não se odeiam: estão apenas cumprindo os seus papéis, dadas as circunstâncias. Mas antes de serem soldados, são homens de verdade, e por isso têm a hombridade de se respeitar mutuamente.

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A Volta De 00-ZÉro

História do Pato Donald, publicada em 1975.

Trata-se, muito provavelmente, da primeira história de 00-ZÉro e Pata Hari escrita no Brasil. Os personagens já eram conhecidos do público brasileiro há pelo menos 10 anos, das histórias estrangeiras traduzidas, mas certamente ganharam uma nova graça ao serem “adotados” por papai.

As muitas variantes do nome da personagem feminina, nos diferentes países em que ela é conhecida, são uma referência a Mata Hari, uma figura bastante controversa da história da Primeira Guerra Mundial. A variante brasileira é, além de tudo, um trocadilho muito engraçado. Pena que as chances são poucas de que papai tenha participado dessa escolha. Esse trocadilho é a cara dele.

O Donald vai ao cais do porto na função de repórter fotográfico de A Patada para fotografar um milionário estrangeiro que teoricamente estaria chegando a Patópolis, e acaba descobrindo que o suposto milionário e sua esposa são, na verdade, os agentes secretos disfarçados. Até o Lobo, que é um cão de pequeno porte, está disfarçado de gato.

00zero hari

A primeira das trapalhadas dos agentes na história acaba entregando o Donald nas mãos da Bronka, o que faz com que os heróis tenham de voltar para resgatá-lo. E isso, é claro, dá ensejo a mais trapalhadas, cenas de perseguição, tiros, quedas de aeronaves mutantes e demais confusões com engenhocas de todos os tipos, claramente inspiradas nas invenções usadas pelo Agente Secreto James Bond, o 007. Uma das mais engraçadas é certamente esta aqui:

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O interessante é que todos os agentes da Bronka têm o mesmo rosto de cachorro do nariz comprido, incluindo o chefe deles.

00zero qg bronka

E “A História dos Quadrinhos no Brasil” está esperando a visita de vocês, lá no site da Marsupial.