O Século Das Luzes

Este é o quarto (depois sexto) episódio da História de Patópolis, de 1982.

O “Século das Luzes“, a rigor, é como ficou conhecido o Século XVIII (de 1701 a 1800), que foi caracterizado pela consolidação e desenvolvimento das ideias progressistas do Renascimento. Também a rigor, ele terminou em 1789, com a Revolução Francesa, mas a verdade é que a influência das ideias cultivadas nesse período se estendeu fortemente por todo o século XIX, no finalzinho do qual esta história se passa.

Já a comoção toda a respeito da passagem de um cometa, supostamente logo antes da virada do Século, de XIX para XX (e papai faz aqui a conta certa: a virada de um século para outro se dá do ano “0”, para o ano “1”, ou seja, o século XIX terminou em 31 de dezembro de 1900 e o século XX se iniciou em 1 de janeiro de 1901), se parece bastante com todo o pânico que se desenvolveu por ocasião da passagem do Cometa Halley, mas isso aconteceu somente em 1910.

Em compensação é verdade que, em 1900, algo como 17 cometas foram observados próximos à Terra. Assim, “ajustes históricos” à parte, qualquer um desses cometas poderia ter causado uma confusão em Patópolis, quase uma década antes do que aconteceu no mundo real.

A trama em si continua contando a História de Patópolis e sua emblemática Pedra do Jogo da Velha, aqui usada por um inescrupuloso antepassado do Professor Gavião para semear o pânico na cidade, como se fosse, aliás, a pedra do Calendário Maia que supostamente previa o fim do mundo em 2012. Seria este mais um lampejo da “imaginação profética” de papai?

Patopolis Luzes

Outras piadas históricas mais sutis têm a ver com o antepassado do Professor Pardal e seus inventos. Em um canto do laboratório dele pode ser visto um protótipo do projetor sonoro para cinema (que na época em que a história se passa já existia mas era perfeitamente mudo), insinuando que ele já teria inventado o cinema sonoro uns 30 anos antes de sua popularização no mundo real.

Patopolis Luzes1

Além disso, vemos também um protótipo de aparelho televisor, e uma pequena alfinetada em uma das maiores emissoras do país. Papai não era muito fã dessa coisa toda de TV, e a chamava de “máquina de fazer loucos”.

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Nos Tempos Do Avião A Lenha

História do Professor Ludovico, publicada em 1983.

Aqui papai usa novamente dois personagens criados para o episódio intitulado “O Século das Luzes”, da História de Patópolis: o tio do Ludovico, Frederico Von Pato, e o avô do Pardal, o Professor Pardalto. Esta será a segunda e última aparição deles nos quadrinhos Disney até o dia de hoje.

A história em si é uma sátira da Revolução Industrial, que foi caracterizada pelo início da produção feita por máquinas e do trabalho feito por máquinas. E o principal motor para máquinas do início da Era Industrial foi o motor a vapor, muito popular antes do surgimento dos motores a combustão que ainda são os principais motores dos nossos meios de transporte, em pleno século XXI.

Mas nos séculos XVIII, XIX e início do XX, o motor a vapor (ou “a lenha”, como ficou conhecido no Brasil) reinava supremo. Começou sendo usado em bombas para extrair a água acumulada dentro de minas de carvão, e rapidamente se espalhou para todo tipo de máquina, desde os grandes teares para tecidos que foram o símbolo supremo da mecanização da indústria e até os meios de transporte.

Na verdade a locomotiva e os trens não teriam sido possíveis sem o motor a vapor, e barcos de todos os tipos e tamanhos, com toda a certeza, se beneficiaram muito da nova tecnologia. Até mesmo os primeiros modelos dos então recém inventados automóveis eram a vapor. Alguns desses carros ainda existem e funcionam, e os carros movidos a gasogênio foram populares no Brasil até mesmo durante o período da Segunda Guerra Mundial, quando faltou gasolina.

O único meio de transporte motorizado da atualidade que não teve uma versão anterior movida a vapor, mas já surgiu movido pelo motor a combustão, foi o avião. É aqui que entra papai, imaginando o que teria acontecido se algum inventor do século XIX houvesse tentado construir um avião com a tecnologia para motores existente na época.

Ludovico lenha

O resultado, é claro, não poderia ser mais hilário. O título desta história é também uma expressão muito usada para denotar “um tempo antigo”, como “mil novecentos e bolinha” para se referir ao ano 1900, ou “mil novecentos e minha avó mocinha”, por exemplo.

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