Tucânia Invade A Terra

História do Zé Carica, de 1979.

Este é um bom exemplo de como acontecia a colaboração e o “diálogo” criativo entre os vários artistas dos estúdios Disney na época áurea dos anos 1970/80.

Em 1973 o argumentista Oskar Kern criou os astronautas de Tucânia, um planeta onde todos são alienígenas “tucanóides”, ou seja, têm a aparência de tucanos. Esta história original é muito boa, mas é quase que somente uma grande “running gag” com o tema da localização do “botão de retorno”, um dispositivo de teletransporte localizado em algum lugar da roupa do astronauta.

Mas os personagens eram bons, realmente promissores, e o tema dos alienígenas e invasões da Terra era uma das especialidades de papai. Assim, anos depois ele teve a ideia de retrabalhar a história, adicionando às páginas todo o seu conhecimento sobre o tema.

Ele é fiel ao original do colega, mas consegue expandir, de um modo ou de outro, as noções introduzidas por ele. A nave espacial que se desmaterializa automaticamente após “alguns segundos”, por exemplo, passa a desaparecer após “cinco segundos”, em uma referência à antiga série de ficção científica “Missão Impossível“.

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Para deixar as coisas mais interessantes, papai remove o botão de retorno (pois essa piada já havia sido explorada o suficiente) e coloca um super transmissor no lugar, para que os outros alienígenas no planeta natal possam acompanhar o que está acontecendo.

Além disso ele dá um motivo à invasão, que não havia na história de 1973: os alienígenas estariam fugindo de seu planeta por causa de uma grave e prolongada seca. A velocidade da viagem também é atualizada. Se antes durava alguns dias, agora são apenas alguns minutos.

O resto é composto pelo folclore habitual sobre visitantes do espaço, com a representação da vontade de papai de quem sabe um dia ver um pouso de uma de suas naves. Ele voltaria a esta noção em outras histórias sobre alienígenas. Nesta história a invasão da Terra finalmente acontece, e o Zé está lá para receber os novos habitantes de nosso planeta juntamente com seu amigo Nestor.

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Interessante é o uso, por Oscar Kern, de nomes impronunciáveis para os alienígenas. Essa é uma noção com a qual papai já brincava nos anos 1960, em histórias como “Penso, Logo Existo”, já comentada aqui.

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