A Cozinheira Extraterrestre

História da Turma do Lambe Lambe, de Daniel Azulay, escrita em janeiro de 1983 e publicada pela Editora Abril na revista da turma em maio do mesmo ano.

Esta é uma criação conjunta, a quatro mãos, de meu pai e de minha mãe. Eu me lembro bem de que ela ditou a ele a maior parte da história, enquanto ele rascunhava e dava os seus toques pessoais na trama. São definitivamente dele as cenas da abdução da galinha Xicória, dignas do filme Contatos Imediatos. Já a parte da culinária é 100% coisa de minha mãe.

Na vida de qualquer família, decidir o que cozinhar para as refeições muitas vezes envolve alguma negociação, para que o cardápio saia ao gosto de todos os envolvidos. Em casa não era diferente, especialmente no que tocava algumas verduras e legumes.

Por exemplo: mamãe adora quiabos. Eu não os como. Ela gosta de jiló, já eu não posso nem ver em um prato. A mesma coisa acontece com berinjelas: para ela, um patê de berinjela bem temperado é uma iguaria. Eu não vejo graça nenhuma na coisa.

Meu pai não comia frango de jeito nenhum. Eu nunca tive problemas com pratos à base do ingrediente. Já para minha mãe uma galinhada com jiló é um prato perfeitamente aceitável que eu não comeria por causa do jiló e meu pai recusaria por causa do frango. E por aí vai.

A ideia para esta história surgiu de uma conversa entre minha mãe e eu, em uma das vezes em que ela gentilmente tentou me convencer a experimentar algum prato feito à base de quiabo ou jiló. Foi daí que surgiu a ideia de um “ensopado de jiló com quiabo” como algo possivelmente repugnante.

Vai daí, ela e papai passaram a tentar imaginar quem, de bom grado, comeria uma coisa dessas. E deu em uma das mais divertidas histórias que eu já vi da Turma do Lambe Lambe.

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Ih, Deu Bolo!

História da Turma da Fofura, de Ely Barbosa, escrita em maio e publicada na revista da personagem de número 8, em outubro de 1987.

Hoje em dia “dar bolo” significa algo como “faltar a um encontro”, mas, naquele tempo, “bolo” tinha a conotação de “embolado”, de confusão, de “tudo junto e misturado”.

Com ideia da minha mãe, a história é ao mesmo tempo mais uma defesa da tese de que não existe brincadeira “de menino” e “de menina”, e uma hilária aula de como (não) se faz algo.

E a ideia da minha mãe foi inspirada em um bolo que fizemos juntas naquele tempo. Ao ler a receita, eu fiquei imaginando como seria se as instruções fossem levadas ao pé da letra e alguém tentasse fazer “chá de açúcar” e “sopa de manteiga”.

(E é por isso que a página dos créditos, no final das revistas do Ely, citava a nós quatro como colaboradores: chegamos a um ponto no qual tudo o que fazíamos em família servia como ideia para papai transformar em mais um roteiro engraçadíssimo.)

Rimos muito. O bolo ficou delicioso. E o mundo dos quadrinhos ganhou mais uma história engraçadíssima.

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A Empada Era A Lei

História do Zé carioca, de 1979.

Todo mundo, ao que parece, tem direito a um dia de fúria uma vez na vida, incluindo este nosso velho conhecido. Desgostoso porque a Agência Moleza de Detetives não está dando dinheiro algum, ele passa a mão em um machado e resolve quebrar tudo.

Já o Nestor faz hoje o papel do “cara do deixa disso”, que vai inspirar o Zé a mudar de ramo, e não apenas fechar definitivamente a barraquinha: já que é preciso tentar ganhar dinheiro, o jeito é investir no ramo dos alimentos. Afinal, se nem todo mundo precisa dos serviços de um detetive, ninguém passa muito tempo sem precisar comer um pouco. Mas convenhamos que é difícil vender comida quando o próprio cozinheiro não comeu nada o dia todo. Assim como na história “O Tesouro de Tortuga”, já comentada aqui, o Nestor até muda de cor, dessa vez de fome.

A inspiração para o nome da história vem de “A Espada Era a Lei”, outro grande clássico da Disney. E agora que já temos as empadas, chega a hora de a lei entrar em ação, na figura de um personagem novo inventado especialmente para esta história.

Mas, entre uma empada e outra, nem tudo são rosas. Os nossos amigos vão aprender, como sempre na marra, que é preciso muito mais, para abrir um negócio do ramo alimentício, do que simplesmente uma banquinha e uma fornada de guloseimas.

Isso tendo sido dito, um último conselho aos cozinheiros amadores de plantão: sempre prove o que acabou de preparar, antes de sair vendendo.

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Zé Bolinha

História do Zé Carioca, de 1975.

(Ao escrever esta história mal sabia papai que, após deixar os quadrinhos, ele próprio se veria trabalhando como segurança, inclusive no turno noturno.)

Mas ao contrário do Zé, ele não fazia a “proeza” de acordar de hora em hora para bater o ponto. Sempre foi um segurança muito sério, e gostava de sua nova profissão. Mas é claro que os quadrinhos sempre foram a paixão de sua vida.

Já no caso do Zé, parecia o trabalho perfeito. Mas só parecia. Patrão nenhum gosta de ver seus empregados dormindo em serviço, o Tio Patinhas que o diga.

O fato é que, logo após ser demitido, o papagaio malandro começa a engordar misteriosamente. Quem prestar bastante atenção ao primeiro quadrinho, como em um jogo dos 7 erros, já vai ter uma ideia do que pode estar acontecendo.

ZC bolinha

A história segue entre as gozações da turma da Vila Xurupita, que logo o apelida de “Zé Bolinha” por conta do formato da barriga, e os esforços da Rosinha para tentar ajudar o Zé a emagrecer. Interessante é o nome de um impresso que cai de suas mãos quando ela entra no barraco do namorado.

Anos mais tarde, em 1982, mamãe viria a colecionar os fascículos de um livro publicado pela Editora Abril e chamado, justamente, “Coma e Emagreça”. (Se eu ainda tivesse alguma dúvida de que papai era, além de tudo, “meio vidente”, agora não teria mais.) Este livro, completo e já encadernado, está em nossa estante até hoje.

ZC bolinha1

Ao que parece não foi só papai que achou que este seria um nome sugestivo para um livro de receitas “light”, dado o aparente paradoxo entre os conceitos “comer” e “emagrecer”.

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Um Bolo Na Festa

História das bruxas, de 1979.

Em gíria, a expressão “deu bolo” significa que algo deu errado, falhou de alguma maneira, ou se transformou em uma grande confusão. No caso desta história, estaremos lidando com todas essas definições ao mesmo tempo.

É época de festa novamente em Bruxópolis, e bruxos do mundo inteiro estão se reunindo para participar de corridas de vassouras voadoras, concursos de bruxedos, e demais atividades afins. Algumas bruxas gostam da brincadeira, mas outras (como a Maga e a Min) ficam perfeitamente entediadas com isso tudo.

Pensando nisso, o Bruxomestre, que é o organizador da coisa toda, resolve inovar com um concurso de bolos à moda mortal, ou seja, feitos sem usar magia. Para quem está acostumada a ter todo o serviço de casa feito com a ajuda de bruxaria, isso será realmente um desafio, o que só vai aumentar a confusão, é claro.

Bruxas bolo

Na verdade existe na bruxaria da vida real, e especialmente na religião Wicca, uma modalidade de “magia na cozinha“, que tem toda uma abordagem bastante peculiar aos quatro elementos clássicos e às propriedades sobrenaturais de ervas, temperos e demais ingredientes.

Bruxas bolo1

Voltando à história, ela acaba sendo uma mistura de comédia pastelão, com bruxas caindo de cara nos bolos o tempo todo, com um festival de tombos e encontrões, especialmente com a Maga e a Min sendo atropeladas pelo Bruxinho Peralta e sua vassoura a jato pelo menos uma vez em quase todas as páginas. Há também um elemento das antigas brincadeiras de casinha das crianças de outrora, mas se eu disser o que é, vou estar dando spoiler…

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Tortas E Pastelões

História do Peninha, de 1974.

Eu já comparei, em postagens anteriores neste blog, certas histórias de papai a receitas culinárias: basta combinar as características já conhecidas dos vários personagens da maneira correta, temperar com um pouco de humor, mistério ou drama, dar uma agitada e voilà! Temos uma história em quadrinhos.

E ele também tinha plena consciência dessa analogia, e aqui não é diferente. Pense bem, leitor: se misturarmos o Peninha, o Ronrom, uma torta de peixe e um concurso de culinária, o que teremos? Uma comédia pastelão, é claro!

O concurso é concorridíssimo, e todo mundo que cozinha, ou acha que cozinha em Patópolis está concorrendo. A Vovó Donalda com sua famosa torta de maçãs, o Donald com uma torta gigante, e até o Tio Patinhas, com uma torta econômica que não leva ovos, nem leite, nem recheios caros. Cada personagem tem uma torta ao seu estilo, e que combina com a sua personalidade predefinida.

Como mais uma pitadinha de humor, os cacófatos e trocadilhos abundam nos nomes dos jurados, bem ao estilo de papai.

Peninha tortas

Piadas recorrentes, como as várias cenas nas quais o gato é escorraçado de perto da torta do Peninha também são salpicadas aqui e ali como se fossem sal ou até algo mais fino, como lascas de trufas negras. Por fim, a ideia fixa do Ronrom por peixes vai eliminar qualquer possibilidade de que esta história não termine em confusão.

Peninha tortas1

O leitor atento já deve ter adivinhado como esta história termina, afinal, não se pode colocar uma torta salgada para assar e esperar retirar do forno um bolo doce, mas até aí isso é o de menos, e a própria previsibilidade faz parte da graça.

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Minha biografia de papai “saiu do forno” recentemente e está à espera de vocês nas melhores livrarias, sonhando em ser vendida tão facilmente quanto biscoitos fresquinhos. E faltam só dois dias para a tarde de autógrafos na Livraria Monkix em São paulo no próximo sábado, dia 27 de junho:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Amazon:http://www.amazon.com.br/Ivan-Saidenberg-Homem-que-Rabiscava/dp/8566293193/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1427639177&sr=1-1