Iau! Que Susto!

História do Zé Carioca, de 1975.

Em mais um “cross-over” entre personagens de universos diferentes, hoje a Madame Min está tentando assustar dois incautos aleatórios como tarefa em algum tipo de competição, como um concurso ou gincana.

É obvio que, para manter o suspense, a presença da bruxa vai sendo revelada aos poucos. Mas quem realmente conhece a Min vai perceber que ela está lá desde o primeiro quadrinho, na forma de um siri roxo como seus cabelos, e de enormes olhos verdes. Esta é também uma variação do “duelo de magia” contra o Mago Merlin, da história do Rei Artur na versão da Disney.

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A pergunta que parece ser o ponto de partida da trama é: o que realmente apavoraria dois folgados preguiçosos como o Zé e o Nestor a ponto de eles saírem correndo desembestados da praia? Obviamente, a resposta não está relacionada com coisas sobrenaturais. Aliás, há coisas bem reais no mundo que despertam mais medo em algumas pessoas do que qualquer assombração.

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Interessante é o que parece ser uma colaboração entre dois desenhistas na confecção da história que iria para a gráfica, de acordo com os registros no Inducks. O Canini, para a história em si, e o Sérgio Lima nas cenas onde aparece a bruxa propriamente dita. Papai realmente dava um trabalhão aos desenhistas de suas histórias, com sua fértil criatividade.

Em compensação, este sistema dos Estúdios Disney da época representa uma vantagem sobre os autores de quadrinhos independentes que costumam produzir uma história inteira sozinhos, do roteiro à arte final. Raros são os que convidam outro desenhista (um especialista em outro estilo de desenho) para colaborar com suas criações e torná-las visualmente mais ricas, preferindo tentar assumir o papel de “artista completo” ou “gênio solitário” com taxas variadas de sucesso.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

 

Nos Tempos Do Rei Artur

História do Superpateta, de 1972.

Esta é a terceira história que papai escreveu para os personagens Disney, logo após começar a trabalhar para a Editora Abril, lá nos idos de 1971. Aqui vemos a primeira vez na qual papai mistura personagens de “universos” diferentes, algo que, com o passar dos anos, ele trabalharia e aperfeiçoaria bastante.

Precisando de ajuda para enfrentar um exército em nome do Rei Artur, o Mago Merlin viaja no tempo e no espaço e vai a Patópolis da atualidade recrutar o Superpateta. A ajuda do Super pode ser bem vinda, decididamente, mas usar magia para ganhar guerras não seria a coisa mais “honesta” a se fazer. Além disso, se o plano do Mago Merlin der certo logo de cara, não teremos uma história que se apresente. Assim, haverá várias complicações e reviravoltas na trama antes que o Pateta possa usar os seus poderes, que tanto servem para entreter e divertir o leitor quanto para aguçar sua curiosidade sobre o que vai acontecer.

O Rei Artur apresentado aqui é um homem bem mais velho do que o menino que conhecemos no clássico “A Espada Era a Lei”, algo que vemos raramente em histórias do tipo. Esta representação em especial do Rei, aliás, aparece somente nesta história.

Super Artur

 

De resto a história termina como começa, no meio da noite, com o Pateta em sua cama. Será que tudo não passou de um sonho? Papai desde as primeiras histórias deixa claro que esta seria uma solução “fácil demais” para ele. Mas uma mente mais racional, como a de seu sobrinho Gilberto, consideraria que sim, e até o próprio Pateta, confiando na superioridade intelectual do menino, se deixa convencer de que nada daquilo aconteceu realmente. Em todo caso, um pequeno detalhe não deixará dúvidas ao leitor sobre a veracidade dos fatos. Afinal, a magia torna a tudo possível.

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