O Navio-Fantasma

História do Donald e do Peninha, de 1977.

Enviados pelo Tio Patinhas a uma localidade no litoral para um trabalho, os dois primos se vêm às voltas com o que parece ser um caso de aparição de fantasmas, completo com uma misteriosa caravela que aparece e desaparece aparentemente do nada.

Como sempre fazia quando compunha esse tipo de história, papai faz o mistério e o suspense aumentarem a cada quadrinho que se adiciona aos demais, mas também deixa pistas para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões, com uma série de silhuetas escuras à espreita pelos cantos (mesmo que nosso amigo leitor precise, talvez, de uma lente de aumento para perceber do que se trata).

Quem serão essas pessoas, e quais serão as intenções delas? Também como sempre, nada nem ninguém é o que parece ser, e é melhor que o leitor atento desconfie de tudo e de todos, porque tudo é muito misterioso e muito suspeito. Na verdade, nem mesmo a função dos repórteres de A Patada na trama é o que parece ser.

Uma pista bastante óbvia do que pode realmente estar acontecendo é a ausência do pato muquirana do escritório, quando o Donald finalmente consegue encontrar um telefone fixo para tentar falar com o tio. (Pois é, houve um tempo em que nem se sonhava com telefones celulares, e esse tipo de desencontro era algo muito comum.) Se o Patinhas não está onde deveria estar, então onde está ele?

É preciso não esquecer que, na literatura de mistério policial na qual esta história se insere e à qual faz homenagem, nada acontece por acaso e o vilão é geralmente o personagem que menos levanta suspeitas.

Papai tira sua inspiração não apenas das tramas clássicas de estilo policial, de suspense, de terror e de mistério, mas também das histórias de piratas e ilhas do tesouro, completas com mapas antigos e grandes pedras em forma de caveira.

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O Misterioso Bobo Da Corte

História do Morcego Vermelho, de 1976.

Mais uma vez estamos às voltas com um sonho, mas agora da maneira “correta”, do ponto de vista do conceito de papai de processo criativo ideal. Ele tinha grande curiosidade pelos aspectos mais psicológicos e até mesmo “esotéricos” desse fenômeno, e várias de suas histórias tinham algo a ver com um sonho de algum personagem. O Zé Carioca de papai também tinha esse “dom”, por exemplo, e várias de suas histórias para o papagaio malandro tiveram os sonhos como ponto de partida.

Sua indagação era: até que ponto eles são um mero processo de “backup e desfragmentação mental” (quer dizer, esses seriam os termos que ele usaria, se eles já existissem na década de 1970), ou será que eles podem ser uma conexão com algo maior, e quem sabe até proféticos?

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O Peninha/Morcego Vermelho (e o leitor junto com ele) vai ser atormentado por essa dúvida durante todo o decorrer da história. Será o sonho do Bobo da Corte mera autossugestão, ou será este um caso de profecia autorrealizável?

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E quando ele finalmente se materializar diante de nossos olhos, será uma manifestação sobrenatural, ou algo bem mais mundano? Quem se fantasiaria de Bobo da Corte, e por qual motivo? Papai, é claro, deixa pistas desde a primeira página, e o leitor atento não se furtará em segui-las para chegar à solução antes dos personagens.

De resto, hoje temos também a simpática participação do Ratchinho, como ajudante e fiel escudeiro do herói. Este é mais um daqueles coadjuvantes criados por papai que, aparentemente, só ele sabia usar. Outro exemplo notável e igualmente charmoso é o Soneca, o cachorrinho do Zé Carioca. São poucas as histórias de outros autores onde eles aparecem, e quando são usados por outros quase nunca têm a mesma graça.

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