Robinson Peninha

História do Peninha, publicada pela primeira vez em 1974.

O título é uma alusão à história de Robinson Crusoé, e uma indicação do que vai acontecer com o nosso pato predileto. Mas não apenas com ele. O Ronrom, gato do Pato Donald, também vai estar envolvido na confusão.

Uma coisa interessante é que esta história não tem “splash panel“, aquele primeiro quadrinho que geralmente engloba as duas primeiras tiras da primeira página de uma HQ. Muito pelo contrário, são quatro quadrinhos, dois por tira, onde o leitor vê o Peninha saindo de casa de fininho com seu caniço de pesca e bolsa de apetrechos, trocando de veículos pelo menos uma vez e olhando por cima do ombro o tempo todo, como se temesse estar sendo seguido.

De quem, exatamente, ele está fugindo é revelado no quadrinho seguinte, quando “aquele gato” finalmente aparece, de clandestino no para choque do táxi. O Ronrom também não gosta nadinha do Peninha, mas adora peixes, que o Donald nunca serve a ele. Vai daí…

Assim, a primeira página é usada para apresentar tanto o tema da história quanto os personagens, e o “conflito” inicial em toda a sua rica complexidade. É um bocado de informação para 7 quadrinhos, mas mesmo assim a coisa toda parece bastante natural e fluida.

É no final da segunda página que o caldo engrossa: não apenas o Ronrom não foi despistado, como o Peninha se esqueceu de checar a previsão do tempo antes de sair. Quando ele finalmente liga o rádio, já é tarde demais. Outra coisa interessante é aquele “sexto sentido” que o Peninha tem, que é mais ou menos o mesmo que a sensação que o Mickey tem quando o Mancha Negra está por perto.

Robinson Peninha

O resto da história dá conta de como os dois, que certamente não se bicam, vão conseguir se virar juntos em uma ilhota que não é muito maior do que uma mesa de festa até serem finalmente resgatados. A sequência de quadrinhos que começa ao final da sexta página, com a descoberta do segundo par de pegadas na areia, e que continua por toda a sétima, na qual o Peninha passa por algumas das fases do Modelo de Kübler-Ross, desde a negação, passando pela negociação e até a constatação da chocante realidade, é francamente hilária.

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Zé Crusoé

Esta história de 1977 é muito livremente inspirada na história de Robinson Crusoé, o romance de Daniel Defoe de 1719.

Alguns dos detalhes originais estão certamente presentes, como o naufrágio, a ilhota deserta, as roupas improvisadas com materiais encontrados no local, tentativas de fazer fogo e outros clichês do gênero. Aliás, o próprio Zé Carioca menciona “o filme que ele viu” para o Nestor em vários momentos durante a história.

A aventura tem até momentos de suspense, quando nossos heróis percebem que não estão sozinhos na ilha. Para dois pássaros do morro carioca, a “natureza selvagem” da ilhota é certamente assustadora. Mas é claro que, tendo saído da costa num pequeno bote construído pelo próprio Zé (chamado, aliás, de “Zé I”), eles não podem estar assim tão longe, e são logo encontrados.

O detalhe curioso desta história fica por conta da cena de “nudez” dos nossos heróis entre as pedras da praia.

ZC Nu