Acampamento Ideal

História do Peninha, de 1975.

O outro personagem principal da história é o Ronron, que segue o Peninha até o Acampamento Municipal de Patópolis porque acha que viu uma vara de pescar entre os apetrechos do pato, e espera conseguir roubar um peixe.

Mas só espera, pois o que ele realmente encontra é uma situação bem diferente. Como ele está fazendo algo errado em seguir o Peninha, já que os dois realmente não se bicam, é claro que os planos do Gato não podem dar certo.

Ronron acampamento

Em todo caso, e apesar da confusão causada pelo atrapalhado treinamento de golfe do Peninha, tudo está bem quando acaba bem e – pasmem – o Ronron acaba até ganhando um peixe do pato.

Nesta história podemos ver que o Ronron não é realmente mau: ele pode ser arisco, saber usar as unhas, mas na verdade só segue os seus instintos de gato faminto por peixes. No momento em que o Peninha se vê numa grande encrenca, o gato encontra o jeito de salvar-lhe as penas.

Na página 5 temos uma homenagem ao Jorge Kato, colega de papai na Abril, talvez inserido pelo Euclides Miyaura, que é o desenhista desta história, ou até mesmo por papai, numa de muitas “cutucadas” bem humoradas que ele dava nos amigos.

Jorge Kato acampamento

O Monstro Do Lago

História do Morcego vermelho (na verdade Peninha e Ronron) publicada pela primeira vez em 1974.

As tramas envolvendo esses dois personagens têm alguns itens fixos e outros variáveis: a história (quase) sempre começa com o Peninha indo pescar, crente de que não está sendo seguido, mas sempre levando o Ronron na bagagem de algum modo. Além disso, por mais que o gato dê sinais de sua presença, com miados e coisas do tipo, o pato quase nunca nota a sua presença, num primeiro momento.

Peninha Ronron lago

Depois de estabelecida a parte fixa do roteiro, papai começa a brincar com o tema. Desse ponto em diante tudo pode acontecer, e acontece. Aqui temos os nossos heróis às voltas com um terrível “bicho de sete cabeças”, um monstro que habita o lago da pescaria, e que está aterrorizando toda a região.

Isso, é claro, é um trabalho para o Morcego Vermelho, que não se furta de investigar o mistério e usa até o escafandro morcego, um equipamento dos inventados pelo Prof. Pardal visto pela primeira vez em 1973 no livrinho infantil “Morcego Vermelho Contra Mancha Negra”, também de autoria de papai. O próprio monstro do lago não me é estranho, e provavelmente também foi usado mais de uma vez.

MOV monstro lago

O que se segue é uma heroica perseguição sub aquática e enfrentamento cheio de reviravoltas com o tal monstro, que depois se revela ser um disfarce do Dr. Estigma, em mais um de seus planos maléficos. Na hora da captura e prisão do vilão até o Ronron faz a sua parte, provando que ele pode ser tão terrível quanto qualquer monstro.

O final da história é uma volta ao início, o que a meu ver estabelece uma relação de comparação: o Ronron está para o Peninha assim como o Monstro do Lago está para o Morcego Vermelho. E como todo “bom” monstro, o Ronron sempre volta.

Sauna, Suor E Lágrimas

História do Peninha contra o gato Ronron, publicada pela primeira vez em 1984.

O nome da história é derivado de uma frase retirada de um discurso de Winston Churchill, no qual ele conclamava os ingleses ao sacrifício na Segunda Guerra Mundial (“só tenho a oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor”), e que no Brasil, se não me engano, virou até letra de samba. O fato é que esta frase, e o sentimento de sacrifício que ela representa, marcou muito o imaginário coletivo do mundo ocidental nos anos do pós guerra.

Já as saunas em geral são derivadas de uma antiga tradição que remonta aos tempos dos antigos romanos, que passavam muito mais tempo por dia imersos em água do que todos os outros povos antigos… juntos. Elas já foram bastante populares no Brasil, antes de entrarem em decadência e ficarem com má fama.

O Peninha é o tipo de aloprado que não perde a esperança de dar certo na vida um dia, e por isso vive iniciando novos negócios que nunca dão certo, e na maioria das vezes nem é por culpa dele. Desta vez o Ronron, com sua ideia fixa por peixes, é o principal vilão da história.

Enquanto o Donald e o Peninha são primos e se adoram, o mesmo não pode ser dito do “relacionamento” entre Peninha e Ronron. Nenhum dos dois vai com a cara do outro. O Peninha, aliás, tem verdadeiro pavor do Ronron, e não sem motivo.

Nesta história até o Donald tem de reconhecer, depois de finalmente flagrar o gato na sauna, que seu primo tem razão em não gostar de seu animal de estimação. O bichano ouviu falar em “aquário” (que é apenas mais um dos equipamentos de uma sauna), e imediatamente o associou com “peixe”, é claro.

Ronron sauna 1

O mais engraçado da história toda é que o Ronron não faz, em momento nenhum, nada que um gato de verdade não faria, exceto talvez mergulhar na piscina em busca dos tais peixes que ele acredita haver lá e morder algumas patas de alguns patos.

Ronron sauna

O resto, como se esgueirar sorrateiramente, passar por entre as pernas das pessoas tão rápido que nem é visto, ou tentar se esconder nos lugares mais inesperados, é coisa que qualquer dono de gato vai reconhecer na hora, e rolar de rir.

Peninha sauna

A piada interna fica por conta de um cartaz de propaganda da sauna no primeiro quadrinho, que mostra o “antes” e o “depois” de um suposto frequentador: o gordinho é o Acácio Ramos, um colorista que era muito querido por todos no estúdio.

Herrero sauna

E não esqueçam de ir dar uma olhadinha no livro de papai, lá na Amazon.

Pesquisador De Mercado

Mais do que o Peninha, o protagonista desta história de 1973 é o Ronron, o gato do Donald, que adora peixe, mas só recebe leite, que ele detesta.

Naquele tempo não se sabia, mas pesquisas científicas recentes demonstraram que gatos adultos são na verdade intolerantes à lactose e, como diz o próprio Ronron, “leite é para filhotes”.

Esta história é uma homenagem a um casal de parentes nossos, que eram pesquisadores de mercado na vida real, e contavam muitas histórias engraçadas a papai sobre suas andanças pelas cidades nas quais atuavam.

A trama é simples: com fome e cansado de só tomar leite, o Ronron ouve o Peninha falar em “mercado” e deduz que o pato estaria indo a algum desses estabelecimentos comerciais, onde quase sempre existem bancas de peixe.

Com esperança de acabar ganhando um peixe para comer, Ronron decide seguir o Peninha até o tal “mercado”, e acaba testemunhando todas as tribulações sofridas por ele, ao tentar repetidas vezes entrevistar pessoas e ser tomado por vendedor, entre outros mal entendidos.

A graça da história está nos tropeços do Peninha, que com o passar dos quadrinhos vai ficando cada vez mais machucado, com as roupas rasgadas, numa maré de azar que chega a dar dó até no Ronron, que na maior parte do tempo não morre de amores pelo primo de seu dono, para dizer o mínimo.

A surpresa final, na verdade uma para cada um, Ronron e Peninha, fecha a história com chave de ouro: o produto a ser pesquisado pelo Peninha era um amuleto da sorte, que o pato carregou com ele sem saber o dia inteiro, e só teve azar.

E adivinhem só o que o Donald cozinhou para o almoço, já que sabe que o Ronron gosta? Pois é. Peixe.

O Artista e o Arteiro

A revista Almanaque Disney 80, de 1974 contém várias histórias de papai, incluindo esta, que a meu ver é a mais simples, a mais despretensiosa e a mais engraçada.

A proposta é bem básica, baseada na paixão do gato Ronron por peixes.

Ronron pensa que o Peninha está indo pescar na lagoa de Patópolis, e resolve ficar por perto para ver se consegue ganhar um peixe. Mas acaba se surpreendendo ao ver o que o Peninha realmente foi fazer. Pior, chega perto demais e acaba se dando mal.

Parte da graça da história é a desconfiança que o Peninha tem de que está sendo seguido, mas passa a história inteira sem conseguir ver o gato, mesmo segurando-o pela cauda.

Há alguém da Sociedade Protetora dos Animais na platéia? 😉