O Bicho Papão

História da Turma do Lambe Lambe, de Daniel Azulay, escrita em maio de 1982 e publicada pela Editora Abril na revista da turma de número 10, em fevereiro de 1983.

Esta história é uma variação sobre o tema da “fórmula de fazer crescer árvores” que papai criou para o Professor Pardal alguns anos antes e que foi publicada em 1980 na trama intitulada “Sementes da Confusão”. O problema básico é o mesmo: o desmatamento rápido e crescente que está acabando com a floresta e ameaçando os animais de extinção.

A solução proposta, também: uma fórmula química e meio mágica criada pelo cientista para promover o crescimento super-rápido de plantas dos mais variados tipos para recompor a floresta devastada.

Mas é claro que papai não se limitaria a fazer uma mera cópia de outra história. Aqui ele coloca elementos novos, como o Bicho Papão em pessoa (e também os Sacis, mostrados como animais da floresta, além de coelhos e outros bichos mais comuns) como vítima e queixoso do desmatamento, e a distribuição das sementes preparadas com a fórmula por via aérea.

O elemento que liga o começo ao final da história é o nervosismo de galinha da Xicória, que tem medo de tudo e de todos, pelo menos até a metade da história. Quando ela finalmente perde o medo, a situação então surpreendentemente se vira ao contrário, “contra” ela, para a diversão do leitor.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Anúncios

Festa Na Aldeia

História do Pererê, de Ziraldo, publicada pela Editora Abril na revista A Turma do Pererê número 10 em abril de 1976.

Esta história é uma crítica à “americanização” da cultura brasileira fortemente veiculada principalmente pela TV nos anos 1950 a 1970.

Um exemplo disso é que, sempre que se falava de “índios” em séries ou em filmes, eram mostrados os nativos norte-americanos. E por comodidade, descaso, ou para baratear os custos, ou por ignorância, até mesmo produções nacionais de ficção retratavam os índios brasileiros ao estilo estrangeiro e “genérico”, tudo junto e misturado, sem nenhuma pesquisa sobre as diferentes tribos e suas tradições. 

Assim, todos os objetos indígenas que a turminha traz ao Saci para a caracterização de uma “festa na aldeia” em homenagem aos índios Parakatokas são peças que eles ganharam de brinde em concursos de televisão: o Tomahawk (machadinha) foi criado pelos índios Algonquinos. A tenda cônica chamada Tipi (que papai usava muito nas histórias do Pena Kid) é dos índios Sioux. O Cachimbo da Paz também pertence à cultura Sioux. E finalmente o Totem é um objeto tradicional dos índios canadenses que, apesar de norte-americanos também, têm pouco a ver com as culturas que se fixaram onde hoje ficam os EUA.

O interessante é que algumas das histórias em quadrinhos do personagem foram adaptadas pelo Ziraldo (ele comprou, são dele, ele pode) em filmes de curta metragem para crianças que foram veiculados pela TV Brasil em 2011. Várias dessas adaptações têm o roteiro baseado em histórias criadas por papai, algumas já comentadas aqui.

Como ser mítico originário da cultura brasileira, o Saci se indigna com tantos objetos estrangeiros deslocados do contexto e praticamente obriga os amigos da mata a reproduzir uma aldeia genuinamente brasileira para a festa.

A surpresa final fica por conta da chegada do homenageado, fantasiado ao estilo norte-americano, ele também, com todas as implicações que isso acarreta e para reforçar a crítica à adoção de tradições estrangeiras em detrimento das locais, que deveriam ser ensinadas primeiro, ainda antes das outras.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

O Planeta dos Macacos

História do Pererê, de Ziraldo, composta em novembro de 1975 e publicada pela Editora Abril na revista A Turma do Pererê número 10 em abril de 1976.

Esta deve ser a mais original história de caçada de onça já escrita. A inspiração vem de “O Planeta dos Macacos“, livro de 1963 de Pierre Boulle que acabou virando filme pela primeira vez em 1968.

Mas a semelhança fica só no nome. Na trama, veremos o que começa como um cochilo coletivo da turma em uma morna tarde brasileira se transformar rapidamente em uma aventura no “meio do meio” da Mata do Fundão, para onde os macacos (primos do Alan) atraem a todos.

A situação também tem algo de “O Caso dos Dez Negrinhos“, romance policial de Agatha Christie, no fato de que os amigos vão sumindo, ou sendo levados, um a um, o que só aumenta a tensão toda.

O suspense só cresce até o momento em que, sozinho na escuridão da mata fechada, o Galileu se depara com um enorme e ameaçador ser que se intitula “Rei do Planeta dos Macacos”. Em troca da libertação dos amigos, esse “rei” exige que a onça se entregue para um “sacrifício”. Mas é também nesse momento que o “macacão” comete um erro crasso.

É um bom plano, como em todas as histórias nas quais papai usa esse expediente. Mas, no final, tudo não passa de mais uma tentativa dos Compadres de caçar o Galileu.

***************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon.

Hein? Hein? Hein?

História do Tininim, da Turma do Pererê de Ziraldo, publicada na revista “A Turma do Pererê” Nº 10 em abril de 1976 pela Editora Abril.

As histórias do Saci e de sua turma de índios, negros, caboclos e bichos da mata têm sempre como tema o folclore brasileiro, histórias da mitologia indígena, anedotas populares, histórias de caçador e brincadeiras infantis dos tempos de nossos (bis)avós.

Esta aqui parece ser baseada em antigas lendas urbanas, dos tempos que corria o boato, entre a criançada que adorava sair pelos quintais roubando frutas direto das árvores dos vizinhos, de que se alguém engolisse um caroço ou semente de alguma fruta ela iria brotar dentro da barriga da criança e eventualmente crescer até ficar grande demais e condenar seu hospedeiro a uma morte lenta e horrível.

A situação retratada nesta história por papai não chega nem perto de ser tão radical, mas não deixa de ser um “causo” parecido envolvendo as sementes de uma fruta e alguns dos orifícios do corpo humano.

Tudo começa com um mistério: o indiozinho Tininim, de uma hora para outra, se percebe completamente surdo. Não escuta nada que os amigos falam, ou mesmo gritam. E não está fingindo, pois nem nas pegadinhas ele cai.

Tininim Hein

A solução da charada, apresentada pelo inteligentíssimo professor-coruja Nogueira é tão simples quanto inusitada, e por isso mesmo hilária.

Tininim Hein1

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix