Pé de Sapo, Mangalô Três Vezes!

História da Patrícia, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 12 em março de 1988.

Hoje papai trata de explicar a origem do Sapo Urucubaca, que diz ter sido um marinheiro enfeitiçado por uma bruxa. Como em toda boa história de marinheiros e piratas de todos os tipos, a trama envolve também um tesouro enterrado e a busca por ele.

Levado pela bruxa a uma ilha cheia de sapos, ele é persuadido a desenterrar um baú cheio de coisas preciosas com a promessa de que poderá ficar com ele, mas acaba transformado em sapo pela maldição do tesouro.

A referência, além de às histórias da literatura sobre viajantes do mar e tesouros enterrados, é também à história da Odisseia, especialmente a passagem que coloca Ulisses na ilha da feiticeira Circe, que se divertia transformando homens em animais diversos, e especialmente porcos.

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O Outro

História do Terremoto, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista Patrícia em Quadrinhos número 3, de novembro de 1987.

Na lista de trabalho consta que a ideia foi de minha mãe, mas esta história também se parece bastante com “O Irmão Gêmeo do Biquinho”, escrita em 1984 e publicada no mesmo ano de ’87. É uma variação sobre o mesmo tema.

Como na outra história, esta também tem toques de temas como o “gêmeo mau” (e bem mau, diga-se de passagem) e referências à literatura como em “o príncipe e o mendigo”. O Terremoto chega até mesmo a ser perseguido pelas traquinagens do “outro”, e a pensar que está endoidando, mas só se encontrará com ele, oficialmente, no último quadrinho.

Mas ao contrário do Biquinho, que queria um gêmeo para poder “aprontar melhor”, o Terremoto só queria outro tipo de vida, com menos responsabilidades, e não exatamente um companheiro de traquinagens. Daí o choque.

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O Horóscopo

Piada da Patrícia, composta em agosto de 1987 e publicada na revista da personagem número 9 em fevereiro de 1988.

A pergunta na qual a piada se baseia é a seguinte: se a astrologia trata de prever o destino de cada um, e os horóscopos são popularmente vistos como uma forma de “ler a sorte” das pessoas, o que um horóscopo de jornal teria a dizer para alguém que é perfeitamente azarado, como o Sapo Urucubaca?

Outro ponto importante é que, como em outros oráculos igualmente antigos (como o de Delfos, por exemplo), na maioria das vezes é preciso que se faça alguma interpretação da previsão que se apresenta. Assim, papai explora todas as possibilidades do que poderia ser considerado um “acidente aéreo”, para maior azar do sapo.

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Beto Bom de Bola

História da Patrícia, de Ely Barbosa, composta em janeiro de 1988 e publicada pela Editora Abril na revista Patrícia 17 em maio do mesmo ano.

Consta, na lista de trabalho, que esta história foi devolvida para reformulação por duas vezes, até chegar a ficar do agrado do editor. Ela mistura o tema das brincadeiras infantis de outrora, que papai gostava de trabalhar com a Turma da Patrícia, com lembranças da infância do próprio autor e uma referência à cultura popular.

Para começar temos essa “modernidade” na promoção de uma ideia de igualdade na qual não existe brincadeira “de menino” ou “de menina”: o time de futebol que a turminha reúne para jogar (com bola de meia, em outra referência às antigas brincadeiras) com uma turminha rival é composto por meninos e meninas, lado a lado, e conta inclusive com um sapo no gol.

E é nesse ponto que entra a lembrança de infância de papai. Ao escalar o sapo Urucubaca para o gol, com o comentário de que “ele é baixinho, mas pula que é uma beleza”, ele está lembrando da própria trajetória pelos gramados: enquanto jogava no futebol infantil, foi um ótimo goleiro. Mas quando foi preciso fazer a transição para o gol de tamanho oficial, faltaram-lhe alguns centímetros de altura que nem mesmo a agilidade nos pulos conseguiu compensar.

Já o título da história é uma referência à música popular brasileira, e a um episódio polêmico que ocorreu no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1967: ao defender sua canção intitulada justamente “Beto Bom de Bola“, composta em homenagem ao jogador Roberto Hermont Arantes, o compositor Sérgio Ricardo foi vaiado pelo público e, irritado, quebrou seu violão no palco.

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A Praia das Surpresas

História da Turma da Patrícia de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril em revista própria, número 12, em 1987.

Esta é uma variação sobre o tema da história do Zé Carioca intitulada “O Salva Vidas Boa Vida”, já comentada aqui. A turminha vai à praia mas o mar não está para peixe, começando com a violência das ondas, que insistem em jogar o Terremoto de volta à areia a cada vez que ele tenta surfar. É papai novamente revisitando a aventura traumática que teve no Rio de Janeiro, décadas antes.

Na verdade, tudo o que poderia dar errado acaba acontecendo. Por um lado, se fosse somente um dia agradável ao ar livre não haveria história. É preciso que haja algum problema para desafiar os personagens. Por outro, a trama representa um aviso às crianças para que tomem cuidado: por mais próxima de uma cidade que fique a praia, ela sempre será um ambiente potencialmente selvagem e cheio de perigos.

Finalmente, quando a turminha já está quase desistindo da aventura, um temporal chega de repente para acabar de vez com a festa. Está certo que sempre pode haver um contratempo ou dois em passeios desse tipo, mas será que não foi um pouco de azar demais?

A “surpresa” do título se justifica no desfecho, com a revelação do Sapo Urucubaca na cesta de piquenique.

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A Mãe do Mato

História da Patrícia, escrita em março de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista Patrícia número 1 em outubro do mesmo ano.

Um dos temas que papai gostava de explorar para os personagens com os quais trabalhava era o folclore brasileiro, como lendas indígenas, por exemplo. Hoje temos a “Mãe do Mato”, que em alguns casos é apenas outro nome dado ao Curupira, mas que em Macunaíma, de Mário de Andrade, é caracterizada como uma Rainha Amazona, da tribo de mulheres indígenas que fez os exploradores europeus batizarem parte da região norte do Brasil em homenagem às Amazonas da mitologia grega.

Mas por ser uma história infantil, papai toma um terceiro caminho para este personagem, enquanto mantendo-se fiel à essência do mito, que trata de um espírito protetor da fauna e da flora contra a exploração predatória. Aqui, a entidade protetora toma a forma de uma enorme árvore animada que comanda outras árvores do mesmo tipo em um esforço para atrair a Patrícia até o centro da floresta e pedir socorro contra um madeireiro ilegal.

A prática denunciada pela Mãe do Mato de papai é, aliás, algo muito real e muito comum entre os madeireiros ilegais em nossas florestas.

Patricia Mato

A revista Patrícia 1 contém outras duas histórias escritas pela família: “Uma Charada Diabólica” é de autoria de minha mãe, Thereza Saidenberg, e trata de charadas e ditos populares com uma pitada de situação insólita.

Patricia charada

A outra história nesta revista com autoria conhecida é minha, “Robô Trapalhão”, criação de um personagem robô que causa confusão por causa de uma programação mal feita.

Patricia robo

Papai colocou as duas histórias em sua lista de trabalho por causa de pequenas correções e adaptações que fez (com a nossa permissão, é claro, afinal, esse era um trabalho em equipe) quando elas voltaram da redação para serem reformuladas.

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Taca Sal no Sapo

História da Turma da Patrícia, publicada na Revista Patrícia número 5, em 1987.

Na lista de papai há um (L) antes do nome da história, o que indica que fui eu quem deu a ideia, e foi isso mesmo. Papai gostava de ouvir qualquer nova gíria ou expressão que meu irmão e eu aprendêssemos com os colegas na escola, e na época os meninos de minha escola em Campinas se saíram com essa, para perseguir e fazer bullying com qualquer pessoa que eles não quisessem ouvir.

Patricia sal

Essa pessoa era então tachada de “chata” e de “sapo”, e calada e afugentada na marra sob muita gritaria de “taca sal no sapo”. Era uma maneira muitíssimo antipática e mal educada de se calar os outros, menos “populares” na turma, e ainda tinha o “conveniente” de poder ser passada por “brincadeira”, se a vítima reclamasse. Mas a minha sugestão parou por aí. A história em si é 100% obra de papai.

No universo da Patrícia temos o Sapo Urucubaca, que diz (sim, ele fala) ter sido um marinheiro transformado em sapo por uma bruxa. Como se não bastasse, ele tem fama de ser muito azarado, mais ou menos como um certo membro da família Metralha no universo Disney. E é justamente esse sapo que o menino praguinha chamado Terremoto resolve perseguir, saleiro na mão, aos gritos de “taca sal no sapo”, por puro preconceito e antipatia. É claro que a falta de educação do Terremoto não passará impune no final.

Patricia sal1

A palavra “urucubaca” é sinônimo de “mau agouro”, “azar”, etc. Além disso, papai usa outras expressões populares e mais antigas, mais conhecidas dele, como “sapo de fora não chia”, para enriquecer um pouco mais o tema “sapo” da história.

Mas a verdade é que a mensagem, hoje, é justamente “não jogue sal no sapo”, pois eles são animais inocentes dos nossos preconceitos, e o sal em contato com suas peles de batráquio pode até matar. Fazer isso é uma maldade imensa com o bichinho. Eles são feios, mas não merecem tamanha tortura. E, é claro, também não se deve calar pessoas na marra por bullying, já que isso é uma falta de educação e uma grosseria das grandes.

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