Dançando na Corda Bamba – Inédita

História do Zé Carioca, criada em 17 de maio de 1993 e nunca publicada.

De todos os planos do Zé Carioca para levantar uma graninha com pouco esforço, este é certamente o “menos honesto”, e isso dá a esta história um estilo um pouco mais “alternativo” do que à maioria das outras criadas por papai.

É provavelmente por isso mesmo que ela nunca foi comprada, nem na primeira e nem na segunda vez em que foi apresentada à turma da Abril.

Mas, como diziam os antigos, “a mentira tem asas, mas tem pernas curtas, e a verdade é uma velhinha que mora no fundo de um poço”. Quando a verdade finalmente consegue sair do poço, sempre escalando as paredes com muito esforço, a mentira perde suas asas e, por ter pernas curtas, não consegue mais fugir.

A trama de hoje, mais do que ser somente sobre o plano do Zé, é inspirada por um antigo samba de Ismael Silva chamado “Antonico“. O nosso anti-herói canta a primeira estrofe todinha na primeira página. “Dançar na corda bamba” era uma antiga gíria que queria dizer “passar por grandes dificuldades na vida”.

Já a cena mais engraçada desta história certamente está na página 05: os Anacozecos não apenas nunca conseguiram cobrar o Zé, como desta vez darão dinheiro (!) a ele. No final, é tudo um grande elogio e uma homenagem ao Nestor, o amigo fiel para todas as horas, pois aqui vemos o quanto ele é querido por todos na Vila Xurupita.

O Nestor é, aliás, tão “boa praça” que em momento algum nesta história fica bravo com o Zé por causa da trapaça que o papagaio tentou aprontar.

DCB01 DCB02 DCB03 DCB04 DCB05 DCB06 DCB07 DCB08

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

***************

Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

Amor, A Contas Me Obriga…

História do Zé Carioca, escrita em 1977 e publicada em 1980.

Por amor à Rosinha o Zé faz qualquer coisa, até trabalhar. Especialmente quando ela ameaça não falar mais com ele enquanto ele não arrumar uma ocupação.

ZC contas

A graça toda da história está na ironia, no inusitado e no insólito da situação: o único emprego que o Zé consegue arrumar na Vila Xurupita é de… cobrador! Justo ele, que sempre teve problemas com contas atrasadas, e que tem até mesmo uma associação de cobradores especializada em cobrar somente a ele.

E pior, ele é bom nisso. Sem dó nem piedade, vai cobrando até os amigos, um a um. Nem o medo de perder as amizades o faz parar, e isso mostra a importância que a periquita tem na vida do papagaio. Se alguém ainda duvidasse do amor do Zé, agora não duvidaria mais.

ZC contas1

A história também mostra bem a evolução da Vila Xurupita, de favela encarapitada no alto do morro mais alto do Rio de Janeiro a bairro de casas de alvenaria, completo até com a sede de uma Associação Comercial. Se fosse em São Paulo, o lugar já seria praticamente uma subprefeitura.

****************

Minha biografia de papai está à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam. E não percam também a tarde de autógrafos na Livraria Monkix em São paulo no próximo sábado, dia 27 de junho:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Amazon:http://www.amazon.com.br/Ivan-Saidenberg-Homem-que-Rabiscava/dp/8566293193/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1427639177&sr=1-1

OVNEs Objetos Voadores Nada Engraçados

História do Zé Carioca, de 1984.

Esta não é explicitamente uma história com temática de “1º de Abril”, mas serve.

Papai se considerava quase um ufólogo. Ele costumava pesquisar todas as histórias de OVNIs que chegavam aos livros e à imprensa, e tinha uma teoria bem formulada sobre o que poderia ser considerado ou não um evento ufológico verdadeiro.

O primeiro indício, dizia ele, seria um padrão de voo não linear, já que todas as máquinas voadoras já inventadas pelo ser humano voam em linha reta. Outro é que eles nunca estão sozinhos: quando aparece um, geralmente aparecem vários, juntos ou um em seguida do outro, durante alguns dias.

Mas é claro que “nem tudo o que reluz é ouro”, e muitos eventos comuns ou cotidianos perfeitamente explicáveis podem passar por ufológicos em momentos de entusiasmo ou pânico.

Talvez nem seja o dia da mentira, mas desta vez o Zé Galo está a fim de pregar peças com a turma. Ele começa atrapalhando a jogada de sinuca do Zé Carioca, aos gritos de “olha lá, olha lá”, de fora do bar. (Jogo de sinuca de bar é sagrado, gente, não se faz uma coisa dessas). No fim não há OVNI algum, mas a reação indignada da turma só atiça mais ainda a vontade do pilantra de fazer o pessoal de bobo.

Então ele espera anoitecer e começa a inventar, com lâmpadas em pipas, balões iluminados, fogos de artifício e, quando já está amanhecendo, pratos pintados e um estilingue. Tudo o que possa ter um padrão de voo incomum, voar iluminado à noite, ou se parecer com um disco voador. Interessante é que o Zé Galo também parece ter algum conhecimento sobre o assunto, a ponto de saber como falsear uma aparição.

ZC OVNE

De irritado, o povo da Vila Xurupita passa a muito assustado, até que o último truque  do vilão falha, e eles percebem que foram enganados a noite toda. É nesse momento que eles passam a irritados novamente, e saem procurando o palhaço sem graça com paus e pedras, dispostos a dar-lhe uma surra. Mas a punição não virá da turma. Isso seria óbvio demais. “Com o desconhecido não se brinca”, diria papai, e a verdade é que o Zé Galo estava sendo observado a noite toda, enquanto fazia os mais variados objetos voarem, e não por ninguém da turma. Então, quem seria o “observador misterioso”? Dá para desconfiar. Afinal, toda mentira tem seu fundo de verdade.

ZC OVNE1

****************

Outra história de disco voador pode ser encontrada na minha biografia de papai, à venda nas melhores livrarias:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava
Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238
Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096
Amazon: http://www.amazon.com.br/Ivan-Saidenberg-Homem-que-Rabiscava/dp/8566293193/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1427639177&sr=1-1

A Escola De Detetives

História do Zé Carioca, de 1975.

É aquela coisa: quando a situação aperta, o Zé abre uma “escola”. Não importa se nem ele sabe direito o que está ensinando, o importante é tentar descolar uns trocados. O problema é que isso não é exatamente uma coisa honesta de se fazer, e por isso o plano não vai poder dar certo, de modo algum.

E como sempre no caso das escolas do Zé, sejam de detetives ou de super heróis, o primeiro (e geralmente único) a se apresentar como aluno (ou “cair como um patinho” no conto do vigário) é o Afonsinho. Bobinho, afoito, sugestionável ao extremo e de inteligência um pouco limitada, o pato da vila é a vítima ideal do “professor Zé”. Afinal, quem mais acreditaria assim tão facilmente que o papagaio sabe ensinar alguma coisa?

Quando o pato não entende a “aula teórica”, o Zé resolve partir para a “aula prática”, encenando o roubo fictício dos 5 cruzeiros da matrícula que o Afonsinho pagou para que ele investigue, já que essa é a única coisa de valor que existe na história toda.

ZC Afonsinho

 

Mas é aí que o caldo entorna: por coincidência está havendo uma onda de misteriosos furtos na Vila Xurupita, e todos os habitantes estão assustados. Aqui papai insere habilmente um detalhe realista da vida cotidiana dos bairros mais populares no Brasil: a venda do Seu Manoel é o ponto de encontro das pessoas que moram ali em volta, e logo se forma um burburinho, com cada um querendo contar o seu próprio caso, entre queixas sobre a “falta de segurança”.

ZC Seu Manoel

 

Hoje em dia o “ponto de encontro” são as redes sociais, mas em relação à segurança pública ou às reações das pessoas pouco parece ter mudado. De confusão em confusão, de mal entendido em mal entendido, o Nestor acaba sendo apontado como suspeito pelo Afonsinho, e para livrar a cara do amigo antes que algo mais grave aconteça, o Zé vai precisar se explicar até para a polícia.

Este é o castigo do Zé por ter “armado” para cima do amigo ingênuo.