Um Caso Macabro

História do Zé Carioca, escrita no finalzinho de 1982 e publicada pela primeira vez em 1985.

Trata-se de uma versão “atenuada” de “O Cão Dos Baskervilles”, um macabro romance policial de 1902 escrito por Sir Arthur Conan Doyle para os personagens Sherlock Holmes e Dr. Watson.

Na data da composição deste comentário a história ainda não estava creditada a papai no Inducks (tenho certeza de que alguém pulou uma linha ou esqueceu de apertar algum botão), mas com o nome na lista de trabalho e a revista na coleção, além do tema, é claro, já que fazer adaptações de grandes clássicos da literatura era um dos hábitos dele, não há dúvida da autoria.

Da história original ele usa a ambientação lúgubre, completa com um pântano e terrenos que expelem asfixiantes gases sulfurosos, o sobrenatural “cão dos infernos” (aqui um “cão fantasma” pintado com tinta fosforescente) e o “herdeiro torto” (um velho descontente que acredita ter direitos à herança) obcecado e capaz de tudo por dinheiro. Mas é claro que não poderá haver mortes nem nada de mais grave.

O Zé e o Nestor, chamados a investigar pela Rosinha, farão o papel do detetive famoso e seu ajudante, ainda que relutantemente, como sempre. O papagaio não é exatamente famoso por sua coragem, para se dizer o mínimo. Mas eles se esforçam e até mesmo conseguem resolver o mistério, na tentativa de “marcar pontos” com o Rocha Vaz. Será que desta vez ele conseguirá conquistar a simpatia do “sogrão”? Quem ler, verá.

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O Navio-Fantasma

História do Donald e do Peninha, de 1977.

Enviados pelo Tio Patinhas a uma localidade no litoral para um trabalho, os dois primos se vêm às voltas com o que parece ser um caso de aparição de fantasmas, completo com uma misteriosa caravela que aparece e desaparece aparentemente do nada.

Como sempre fazia quando compunha esse tipo de história, papai faz o mistério e o suspense aumentarem a cada quadrinho que se adiciona aos demais, mas também deixa pistas para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões, com uma série de silhuetas escuras à espreita pelos cantos (mesmo que nosso amigo leitor precise, talvez, de uma lente de aumento para perceber do que se trata).

Quem serão essas pessoas, e quais serão as intenções delas? Também como sempre, nada nem ninguém é o que parece ser, e é melhor que o leitor atento desconfie de tudo e de todos, porque tudo é muito misterioso e muito suspeito. Na verdade, nem mesmo a função dos repórteres de A Patada na trama é o que parece ser.

Uma pista bastante óbvia do que pode realmente estar acontecendo é a ausência do pato muquirana do escritório, quando o Donald finalmente consegue encontrar um telefone fixo para tentar falar com o tio. (Pois é, houve um tempo em que nem se sonhava com telefones celulares, e esse tipo de desencontro era algo muito comum.) Se o Patinhas não está onde deveria estar, então onde está ele?

É preciso não esquecer que, na literatura de mistério policial na qual esta história se insere e à qual faz homenagem, nada acontece por acaso e o vilão é geralmente o personagem que menos levanta suspeitas.

Papai tira sua inspiração não apenas das tramas clássicas de estilo policial, de suspense, de terror e de mistério, mas também das histórias de piratas e ilhas do tesouro, completas com mapas antigos e grandes pedras em forma de caveira.

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O Jeito É “Dar Chapéu”

História dos Irmãos Metralha, de 1980.

Inspirada nos melhores romances policiais de Agatha Christie, esta história é milimetricamente calculada para dar um baita chapéu também no leitor. Principalmente no leitor. Só mesmo quem passou anos lendo com atenção as histórias de papai vai conseguir decifrar esta de primeira.

Trata-se de mais um embate “do século” entre os metralhas francamente criminosos e os supostamente regenerados Sherlock e Doutor Metralha. A guerra de inteligências será, como sempre, terrível, com reviravoltas constantes. Algumas delas bastante inesperadas.

Mas comecemos do começo:

Logo no primeiro quadrinho temos a menção do “endereço” dos metralhas: “Rua que Sobe e Desce, Número que Não Aparece”. Esta é uma velha brincadeira para significar um endereço genérico ou não sabido. Poderia ficar em qualquer lugar, e ao mesmo tempo não fica em lugar algum. Já no nosso caso, fica em Patópolis.

O endereço do Sherlock Metralha, obviamente, é inspirado no do Sherlock Holmes: “Sobreloja da Rua do Beco, número 17-B”. E se o Sherlock Metralha se inspira no xará britânico, o Doutor Metralha é fã de Agatha Christie e se identifica com Hercule Poirot.

A expressão “dar chapéu”, no título, é tomada do jargão do futebol e significa um tipo de drible. Além disso, sempre que há referência a chapéus em histórias de meu pai é bom lembrar outro velho ditado que ele citava sempre: “(tal coisa) é como comprar um chapéu – ou vai de embrulho, ou fica na mão ou leva na cabeça”. Ou seja, é uma situação que não pode acabar bem.

O nome do diamante a ser roubado, Kuly-Náryo, é inspirado no do Diamante Cullinan, um dos maiores e mais famosos do mundo.

Mas o mais interessante de tudo, e que vai colocar a pulga atrás da orelha do leitor atento para pular loucamente é a guinada na trama que começa quando o Sherlock telefonar ao Inspetor Joca para denunciar o plano maléfico:

Se o Intelectual está preso, então alguém está se fazendo passar por ele. Mas, quem?? É neste momento que papai nos apresenta mais um Metralha obscuro. Tão obscuro, na verdade, que aparentemente só aparece nesta história. Em todo caso, mais do que considerá-lo uma criação de papai, eu não posso deixar de notar uma grande semelhança do “Veterano 002”, como é visto aqui, com algumas versões estrangeiras (principalmente italianas) de ninguém menos que o Vovô Metralha. É papai, mais uma vez, resgatando personagens e “dando um alô” (ou um chapéu, como queiram) na direção de Carl Barks, sua grande inspiração.

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O Caso Do Rabo Desaparecido

História do Ursinho Puff, de 1976.

Trata-se de um mistério no estilo policial, com direito a uma investigação do tipo “Sherlock Holmes” e tudo, mas sem perder o caráter mais ingênuo e infantil das histórias com estes personagens.

O fato é que, com exceção do coelho Abel e do Corujão, todos os outros bichos nesta história são na verdade brinquedos de pano ou pelúcia, que ganham vida na imaginação de seu dono, o menino Christopher Robin. (Qualquer semelhança, aliás, com a posterior série “Toy Story” não terá sido mera coincidência, pelo jeito.)

Já na imaginação de papai, os bichinhos não gostam de serem lembrados de que não são animais de verdade, e esta é uma das principais piadas da trama, além, é claro, da running gag com o pote de mel, que servirá para abrir e também para fechar a história.

Puff rabo

A solução do mistério nem é tão importante quanto o processo seguido para se chegar a ela, com uma investigação muito lógica e profissional feita pelo Corujão, que inclui as costumeiras perguntas à vítima (e a comicidade das respostas meio atravessadas) e até o proverbial rastro de pegadas a ser seguido.

Mas o leitor atento que conhece este tipo de história, e os personagens em questão, não vai ter dificuldade em deduzir quem é, afinal, o culpado. É bem óbvio, até.

Outro detalhe interessante é o uso da onomatopeia na primeira página. Há um interessante “jogo de sons” entre “Puff”, o nome do ursinho, e “paf”, a palavra escolhida para representar o som do pote de mel ao se quebrar. Às vezes, o que torna uma história interessante ou engraçada está em pequenos detalhes que podem até passar despercebidos, mas que surtem seu efeito assim mesmo.

Puff rabo1

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O Signo Dos Gatos

História dos Aristogatas, de 1976.

Trata-se de um mistério policial e de uma história de detetive, mas neste caso há poucas pistas que o leitor possa seguir para tirar suas próprias conclusões. É, na verdade, uma paródia e uma crítica aos velhos clássicos da literatura do gênero.

O ratinho Roquefort, amigo dos gatos, é um detetive mais ou menos no estilo do Zé Carioca. Ele vai seguindo as poucas pistas que tem e chegando às suas próprias conclusões – que parecem boas à primeira vista – mas que podem ou não corresponder à realidade dos fatos.

Aristogatas signo

O comentário dos gatos, de que ele resolveu o mistério “sentado em uma velha poltrona” é uma referência aos grandes detetives da ficção, como Hércules Poirot ou Sherlock Holmes. Mas as pessoas já estão tão acostumadas com esses personagens clássicos que se esquecem de que eles, e os crimes que eles investigam, são ficcionais e cuidadosamente orquestrados para chegar às conclusões que vemos ao final dos livros.

Aristogatas signo1

O autor da ficção (tanto da clássica quanto da paródia) não está narrando um caso real, mas algo inventado, e é ele quem decide o que vai acontecer, ao seu bel prazer e para servir aos seus propósitos, principalmente o de entreter o leitor.

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O Dia Dos Mascarados

História do Mancha Negra, de 1973.

Esta não é, de modo algum, uma história de Carnaval, mas seu título é uma brincadeira com o nome da canção “A Noite dos Mascarados”, lançada por Chico Buarque em 1967.

O fato é que há um novo “mascarado” em Patópolis, e em franca competição com o Mancha, ainda por cima. Ele usa um capuz negro que se auto-replica ao ser retirado, de modo que ninguém jamais será capaz de desmascarar o bandido. A coisa é tão eficiente que nem mesmo ele consegue mais ver o próprio rosto. O nome “Tomaz Carado” dispensa explicações, sendo mais um dos famosos trocadilhos que papai usava para criar os nomes de seus personagens coadjuvantes.

Pateta Mascarados

Para piorar, e para o desgosto do Coronel Cintra, o Mickey está fora da cidade. Assim, o Pateta resolve investigar o caso no lugar do amigo, usando o Manual do Mickey como guia. No processo, ele se compara com detetives famosos, como “Berloque Gomes” (Sherlock Holmes) e Hércules Poirot, chegando até mesmo a se auto-intitular “Hércules Patetô”.

Pateta Mascarados1

Os métodos um pouco, digamos, “tradicionais demais” de investigação do Pateta não renderão, é claro, o resultado desejado, mas isso não quer dizer que os dois bandidos não vão se dar mal no final. O interessante, como sempre, é ver exatamente como.

Além de humor, também não falta ação nesta história. Desde a cruel guerra travada entre os dois bandidos e até a perseguição que levará à prisão dos dois, a confusão será grande.

A mesma revista onde esta história foi publicada pela primeira vez contém mais uma de papai, curtinha, de uma página só, que faz piada com as tentativas de assalto dos Irmãos Metralha à Caixa Forte do Tio Patinhas. Ela pode ser vista no site do Inducks, aqui.

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Uma Vez Metralha…

História dos Irmãos Metralha, de 1979.

Sherlock Metralha, um parente supostamente regenerado da família, é mais um daqueles personagens criados no exterior mas usado uma única vez (ou pouquíssimas vezes) por lá, e em seguida adotado e usado mais uma meia dúzia de vezes por papai.

Isso mostra que não existe personagem ruim ou limitado demais para Ivan Saidenberg. O que há são personagens mal aproveitados por seus criadores originais, e que serão devidamente desenvolvidos por ele, com criatividade e talento.

O cachimbo de bolhas de sabão deste “arremedo de Sherlock Holmes” está com o personagem desde a primeira aparição, mas fico imaginando se a péssima música ao violão não seria uma adição de meu pai (como aliás acontece com vários outros personagens dele).

uma vez metralha

Neste caso, o Metralha “ovelha branca” se diverte deduzindo qual será o próximo ataque dos seus primos não regenerados e fazendo de tudo para sabotar seus planos, inclusive telefonando para a polí… ah, vocês sabem quem. O problema é que “uma vez Metralha, sempre Metralha”. Ele pode até se dizer regenerado, mas não é muito, não, e o leitor atento logo vai desconfiar.

uma vez metralha1

Outro detalhe usado com maestria por papai é a semelhança entre o Doutor Metralha, assistente do Sherlock Metralha, e o Vovô Metralha.

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Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html