O Supermorcego Vermelho

História do Morcego vermelho, de 1983.

Papai gostava de distribuir os superamendoins do Superpateta entre os outros personagens Disney. Todos os anos ele criava uma história ou duas nesse sentido, cada uma com um “premiado” diferente.

Hoje chegou a vez do Morcego Vermelho que, diga-se de passagem, sempre se sentiu frustradíssimo por não ter poderes especiais como os outros heróis de Patópolis. O interessante, como sempre, é a solução que papai encontra para fazer o pato engolir um superamendoim sem sequer entender o que está acontecendo, nem ver com quem trombou logo antes de virar super.

Mas, apesar de tudo, se o Superpateta ainda consegue prender um bandido de vez em quando com o uso de seus poderes, a única coisa que o Morcego vai conseguir fazer com eles é mais confusão ainda. Em todo caso, há quem goste.

Interessante, também, é a maneira como a segunda página da história vai ditar muito do que vai acontecer, e também o final da trama. Afinal, a mulher gorducha de lenço na cabeça combinando com a saia e com o cachorro e o papagaio não é uma dona de casa qualquer. O leitor atento que perceber com quem ela se parece já terá metade do final da história resolvido.

E não, desta vez a coisa não vai terminar bem para o Morcego, decididamente. Talvez seja mesmo melhor para ele não ter superpoderes, no fim das contas.

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O Superzé

História do Zé Carioca, de 1973.

Papai dedicou-se, de maneira bastante consistente, a “emprestar” os superamendoins a todos os outros personagens com os quais trabalhou. Hoje é a vez do Zé.

Como sempre é preciso que o alvo do “presente” não saiba o que está acontecendo nem o que engoliu que o tornou super. A ideia é que seja um evento de uma vez na vida e que o personagem não consiga repetir a experiência por meios próprios, para melhor preservar o segredo e a identidade do Superpateta, o verdadeiro dono dos amendoins mágicos.

Assim, o personagem geralmente engole o superamendoim juntamente com outra coisa, como uma comida ou bebida. O detalhe interessante é que a bebida da vez é um chá de “limão bravo“, planta que existe de verdade e que é usada na medicina popular para exatamente o que é descrito na história: fazer remédio caseiro para a tosse, entre outras coisas.

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Papai mostra o Zé colhendo os frutos para fazer o chá, já que fica mais fácil e mais simples mostrar assim, mas na verdade a parte usada da planta são as folhas. Ou pode ser que, na dúvida sobre qual parte da planta usar, muitas avós usassem uma mistura de frutos e folhas. Outra informação correta sobre esse chá é que, como a maioria dos remédios caseiros, ele é muito amargo.

O resto da história é a reação do Zé ao se tornar “super”. Por um lado, a preguiça e a aversão ao trabalho que lhe são características continuam a existir, mas o bom caráter e a consciência do personagem fazem com que ele se sinta culpado em não usar seus novos poderes para ajudar as pessoas e prender bandidos.

Esse será o delicado equilíbrio que ele precisará buscar, mas é claro que tudo tem limite, até mesmo para um “estagiário de super”.

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O João Ratazana é um bandido frequente nas histórias do Zé desde a primeira que papai escreveu para ele. Já o Tião Mãoleve aparece somente nesta história.

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A Ilha Dos Super-Homens

História do Superpateta, de 1975.

É verdade que, ao se transformar, o Pateta pode até ficar “super”, mas continua “pateta”. Mesmo assim, e apesar de tudo, ele nunca é tão bobo a ponto de confiar demais em estranhos.

O Dr. Doidus (outro personagem criado por papai para uma história só), cujo nome é uma brincadeira com a palavra “doido”, é a epítome do cientista maluco que já vimos em várias outras do tipo para personagens como Falcon e Capitão Valente, por exemplo. Ele tem o mesmo plano megalomaníaco de dominação do mundo, que obrigatoriamente passa pela destruição (ou neutralização, levando-o para o “lado negro”) do herói.

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O trunfo do vilão é tentar ganhar a confiança do herói e fazer com que o Super revele a fonte dos seus prodigiosos poderes. A maioria das pessoas, ao pensar que está falando com seus iguais, frequentemente “se abre” e acaba confiando um pouco demais em completos desconhecidos.

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Mas, como eu disse antes, o “super” pode ser “pateta”, mas não é bobo. Resta saber, então, como os “super homens” da ilha se transformam, e qual será o seu destino quando o vilão for finalmente derrotado.

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O Superladrão

História do Superpateta, de 1973.

Uma maneira simples e eficaz de se criar suspense em histórias de super heróis é tentar privar o super de seus poderes, de um modo que pelo menos pareça definitivo à primeira vista.

Assim, um bandido pé de chinelo convenientemente criado somente para esta história, para que possa depois ser descartado sem mais, por acaso acaba descobrindo a identidade secreta do herói e destruindo sua plantação de superamendoins. Será este o fim do Superpateta?

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Mas é claro que não existe crime perfeito e que as plantas sempre dão um jeito de crescer de novo, se tiverem um mínimo de condição. Em todo caso, a temporária escassez de amendoins mágicos certamente dificultará as coisas, tornando a história toda mais interessante. Afinal, não haveria graça nenhuma se o super simplesmente fosse lá e prendesse o bandido, sem dificuldade.

Interessante e bastante hábil é o artifício que papai usa para fazer com que o vilão esqueça, no final da história, tudo sobre a identidade heroica do Pateta.

Uma coisa que o bandido e o herói têm em comum é a tendência a não saber controlar direito os próprios poderes, dando pulos errados e quebrando quase tudo em seu caminho. Isso terá uma consequência no final da história, como também acontece em algumas aventuras do Morcego Vermelho, por exemplo.

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E por falar no outro herói, aqui papai também usa o recurso do apedrejamento da estátua, como usou nas primeiras histórias do Morcego, para demonstrar o descontentamento do povo de Patópolis com o Superpateta.

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O Planetinha Enrugado

História do Superpateta, publicada pela primeira vez em 1973.

Esta é a primeira história de papai na qual ele usa o tema dos alienígenas. Todas as teorias sobre a suposta existência de visitantes à Terra vindos do espaço dão conta de que eles devem estar vindo aqui em busca de algo, mas ninguém tem certeza de quê, exatamente.

Alguns dizem que eles querem nos pesquisar como se fossemos ratos de laboratório, outros os acusam de roubar e mutilar animais de fazendas, ou de estar aqui em busca de minérios raros… Mas é a primeira vez que vejo esta teoria do roubo de água.

Um planeta que saiu de sua órbita original está secando e enrugando, como se fosse uma uva passa, e seus habitantes junto com ele. Mas o pior, mesmo, é a atitude arrogante dos serezinhos verdes do espaço, que não estão nem aí para o que possa acontecer com o nosso planeta por causa das ações deles.

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Caberá ao herói, mesmo sequestrado, e mesmo com apenas um superamendoim restante, combater os alienígenas, devolver o planetinha à sua órbita original, e ainda salvar a si mesmo e ao cientista terráqueo Prof. Sá Bidom (o sabidão), um companheiro de infortúnio.

Mas divertido, mesmo, é o “zoológico espacial” cheio de seres verdes, alguns de aparência bastante familiar, no qual o Superpateta vai parar. Há pelo menos um colega da redação representado entre os cativos.

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Já os raios de luz usados pelos visitantes para absorver a umidade das coisas se parecem com os relatos dos misteriosos acontecimentos de quatro anos depois no Maranhão, que deram origem à famosa “Operação Prato“. Seria mais uma premonição de papai, histeria dos maranhenses, ou mera coincidência?

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Xaxam, O Invencível

História do Peninha na redação de A Patada, de 1976.

Esta deve ser uma das histórias de humor mais escrachado de papai, na qual ele usa o Peninha para avacalhar com o primo dele de um modo como talvez gostasse de fazer com o Tio Patinhas, mas nunca teria coragem. Esse é o tipo de zoação que só se pode fazer entre amigos muito próximos, como irmãos e primos de primeiro grau, que são quase como irmãos, também.

Se a atitude do Peninha para com a implicância do tio enquanto ele faz quadrinhos é de uma espécie de sutil “agressão passiva”, provavelmente para evitar ser demitido pela enésima vez e, assim, poder terminar mais uma história, quando chega a vez do Donald de bancar o “chefe de redação”, a coisa muda para uma esculhambação quase explícita.

Esta história é tão genial que é até uma pena ela ter sido publicada apenas uma vez. É também fácil notar que esse “Super Donald” de papai tem claramente alguma coisa de Superpato, algo como uma sátira. (Vide a pose do Donald no papel de Xaxam, o Invencível, que lembra bastante o “super” italiano).

Peninha Xaxam

O anti-herói combina o talento do Morcego Vermelho para trapalhadas com uma extrema burrice, um grito similar ao “Shazam!” do Capitão Marvel dos quadrinhos clássicos (que marcou a infância de papai e que deve ter sido uma de suas primeiríssimas desilusões, ao ver que ele não se transformava ao gritar a “palavra mágica”) e que ele usou repetidamente para personagens de vários tipos, e também qualquer coisa do que viria a ser mais adiante o Morcego Verde. Mas o personagem “do Peninha” é propositadamente “tosco”, um perdedor de verdade.

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Interessante é também a “troca” dos nomes dos personagens de Patópolis que “o Peninha” faz: assim, o Mancha Negra vira “Mancha Preta”, a Margarida vira outra flor (Magnólia), e o Gastão é chamado de “Gastrônomo”. Enquanto esse expediente pode ser útil no mundo real, nos meta-quadrinhos ele é somente mais um dos elementos cômicos da história.

Acho que aqui cabe explicar que papai aprendeu a ler muito cedo, com 4 ou 5 anos de idade, e que antes disso meu avô lia para ele muitas histórias em quadrinhos. Assim, enquanto a maioria das crianças nos anos 1940 passava a conhecer os quadrinhos somente após a alfabetização, aos 8 ou 9 anos de idade, papai já havia sido exposto a eles vários anos antes, e provavelmente antes de saber distinguir realidade de imaginação. Daí o relacionamento totalmente ingênuo com a palavra mágica Sazam, por exemplo.

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O Supernenê

História do Nenê, personagem de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril em 1987.

Essa coisa de gritar “Xazam!”, pular na esperança de sair voando e se estatelar no chão é uma memória de infância de papai. Talvez seja por causa desse “trauma de infância” que a maioria dos heróis criados por ele não tem super poderes nem pode voar, embora sonhe com isso.

Supernene

Acho que toda criança pequena já acreditou “um pouco demais” em histórias em quadrinhos e contos fantásticos em geral, e já sonhou em ter todo tipo de super poder. Mais recentemente, se tornou comum encontrar crianças que sonham em receber uma carta de Hogwarts nos meses que antecedem seu décimo primeiro aniversário.

Hoje é a vez do Nenê ter esse sonho e ser ajudado pelo Escovinha (que é – filho? Sobrinho? – do Escovão, o coelhinho da floresta seu amigo). Com a escova voadora por baixo da capa, nosso pequeno sonhador consegue, de maneira limitada, ter parte dos poderes que tanto deseja. Mas isso já é o suficiente para que ele passe a se sentir realmente “super”, pelo menos por algum tempo. Até mesmo o grito de guerra do Morcego Vermelho o Nenê imita, em seu modo de falar infantil.

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Em todo caso, isso é tudo o que o pequenino precisa para conseguir viver algumas aventuras, e até mesmo enfrentar, e igual para igual e com sucesso, uma dupla de super vilões. A surpresa final da história fica por conta do ceticismo e racionalidade da Mamãe, e do susto ao ver seu Nenê voando de verdade.

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