O Supermorcego Vermelho

História do Morcego vermelho, de 1983.

Papai gostava de distribuir os superamendoins do Superpateta entre os outros personagens Disney. Todos os anos ele criava uma história ou duas nesse sentido, cada uma com um “premiado” diferente.

Hoje chegou a vez do Morcego Vermelho que, diga-se de passagem, sempre se sentiu frustradíssimo por não ter poderes especiais como os outros heróis de Patópolis. O interessante, como sempre, é a solução que papai encontra para fazer o pato engolir um superamendoim sem sequer entender o que está acontecendo, nem ver com quem trombou logo antes de virar super.

Mas, apesar de tudo, se o Superpateta ainda consegue prender um bandido de vez em quando com o uso de seus poderes, a única coisa que o Morcego vai conseguir fazer com eles é mais confusão ainda. Em todo caso, há quem goste.

Interessante, também, é a maneira como a segunda página da história vai ditar muito do que vai acontecer, e também o final da trama. Afinal, a mulher gorducha de lenço na cabeça combinando com a saia e com o cachorro e o papagaio não é uma dona de casa qualquer. O leitor atento que perceber com quem ela se parece já terá metade do final da história resolvido.

E não, desta vez a coisa não vai terminar bem para o Morcego, decididamente. Talvez seja mesmo melhor para ele não ter superpoderes, no fim das contas.

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O SuperBanzé

História do Banzé, escrita em 1974 e publicada pela primeira vez em 1978.

As histórias do cachorrinho e suas irmãs são sempre mais infantis e inocentes, em tramas de até quatro páginas e com aventuras que refletem aquelas de crianças bem pequenas.

Hoje papai revisita aquele “trauma de infância” que teve quando era pequeno, ao não conseguir se transformar em “super” após ler suas primeiras revistas em quadrinhos de super heróis, mesmo imitando todos os detalhes, usando uma capa vermelha, gritando palavras mágicas, etc.

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Assim, o Banzé começará a história pensando que basta somente usar a capa vermelha amarrada no pescoço para poder voar. Quando isso não funciona, ele grita “xaxam”, come amendoins, e finalmente coloca molas nas patas traseiras, como se fossem um “equipamento Morcego”.

A capa vermelha, aliás, é o que têm em comum o Capitão Marvel, o Superpateta e o Morcego Vermelho, entre outros heróis que se vê por aí.

De resto, o cãozinho pode até não conseguir os superpoderes que deseja, mas tem suficiente sucesso imitando o Morcego Vermelho. Isso não é por acaso: de todos os heróis citados, o Morcego é aquele que foi criado por papai, e dentre todos o seu predileto.

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…Fica Assim De Gavião!

História do Professor Pardal, de 1973.

A inspiração para o título vem da letra de um antigo samba de Pedrinho Rodrigues, chamado “Ninguém Tasca (o Gavião)”. Mas as semelhanças com a canção (muito machista, por sinal) param por aí. A brincadeira, aqui, será bem mais literal e vai girar em torno do grande número de robôs com a aparência do Professor Gavião que vão circular por Patópolis. (Se um elefante incomoda muita gente…)

Outras noções interessantes que podemos ver são coisas como uma “entressafra” de superamendoins (o que impedirá o Pateta de se transformar e salvar a cidade, no que seria uma solução fácil demais), uma alusão à Cornucópia da Fartura (reza a lenda que quanto mais se tira coisas dela, mais ela produz) na máquina multiplicadora de robôs, e o comportamento limitado e repetitivo característico dos robôs de papai que seria usado novamente pouco tempo depois em “O Invencível Mancha Negra”, já comentada aqui.

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Por fim temos, como em “A Guerra dos Mundos”, outra referência bastante usada por papai, um “monstro” que contém em si a chave para sua própria destruição. Essa é realmente uma solução útil para se lidar com um problema dessas proporções sem precisar recorrer à obviedade de um super herói.

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De todas as referências, para mim a mais original é a da falta de superamendoins. Aqui descobrimos um ponto fraco do Superpateta que é tão óbvio quanto surpreendente. Papai já deixou o Super sem seus amendoins mágicos de muitas maneiras diferentes, mas uma entressafra é coisa que pouca gente imagina, na quase absoluta segurança alimentar deste nosso (quase primeiro) mundo pós-moderno.

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Se formos pensar em termos de amendoins comuns, no estado de São Paulo temos duas safras anuais. Uma de janeiro a fevereiro, e outra de junho a julho. Assim, é preciso ser realmente muito “pateta” para ficar completamente sem eles. Mas talvez os pés de superamendoins sejam diferentes, e produzam uma vez só por ano (ou nem isso, ou não seriam assim tão raros e especiais).

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O Superzé

História do Zé Carioca, de 1973.

Papai dedicou-se, de maneira bastante consistente, a “emprestar” os superamendoins a todos os outros personagens com os quais trabalhou. Hoje é a vez do Zé.

Como sempre é preciso que o alvo do “presente” não saiba o que está acontecendo nem o que engoliu que o tornou super. A ideia é que seja um evento de uma vez na vida e que o personagem não consiga repetir a experiência por meios próprios, para melhor preservar o segredo e a identidade do Superpateta, o verdadeiro dono dos amendoins mágicos.

Assim, o personagem geralmente engole o superamendoim juntamente com outra coisa, como uma comida ou bebida. O detalhe interessante é que a bebida da vez é um chá de “limão bravo“, planta que existe de verdade e que é usada na medicina popular para exatamente o que é descrito na história: fazer remédio caseiro para a tosse, entre outras coisas.

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Papai mostra o Zé colhendo os frutos para fazer o chá, já que fica mais fácil e mais simples mostrar assim, mas na verdade a parte usada da planta são as folhas. Ou pode ser que, na dúvida sobre qual parte da planta usar, muitas avós usassem uma mistura de frutos e folhas. Outra informação correta sobre esse chá é que, como a maioria dos remédios caseiros, ele é muito amargo.

O resto da história é a reação do Zé ao se tornar “super”. Por um lado, a preguiça e a aversão ao trabalho que lhe são características continuam a existir, mas o bom caráter e a consciência do personagem fazem com que ele se sinta culpado em não usar seus novos poderes para ajudar as pessoas e prender bandidos.

Esse será o delicado equilíbrio que ele precisará buscar, mas é claro que tudo tem limite, até mesmo para um “estagiário de super”.

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O João Ratazana é um bandido frequente nas histórias do Zé desde a primeira que papai escreveu para ele. Já o Tião Mãoleve aparece somente nesta história.

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A Ilha Dos Super-Homens

História do Superpateta, de 1975.

É verdade que, ao se transformar, o Pateta pode até ficar “super”, mas continua “pateta”. Mesmo assim, e apesar de tudo, ele nunca é tão bobo a ponto de confiar demais em estranhos.

O Dr. Doidus (outro personagem criado por papai para uma história só), cujo nome é uma brincadeira com a palavra “doido”, é a epítome do cientista maluco que já vimos em várias outras do tipo para personagens como Falcon e Capitão Valente, por exemplo. Ele tem o mesmo plano megalomaníaco de dominação do mundo, que obrigatoriamente passa pela destruição (ou neutralização, levando-o para o “lado negro”) do herói.

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O trunfo do vilão é tentar ganhar a confiança do herói e fazer com que o Super revele a fonte dos seus prodigiosos poderes. A maioria das pessoas, ao pensar que está falando com seus iguais, frequentemente “se abre” e acaba confiando um pouco demais em completos desconhecidos.

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Mas, como eu disse antes, o “super” pode ser “pateta”, mas não é bobo. Resta saber, então, como os “super homens” da ilha se transformam, e qual será o seu destino quando o vilão for finalmente derrotado.

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O Superladrão

História do Superpateta, de 1973.

Uma maneira simples e eficaz de se criar suspense em histórias de super heróis é tentar privar o super de seus poderes, de um modo que pelo menos pareça definitivo à primeira vista.

Assim, um bandido pé de chinelo convenientemente criado somente para esta história, para que possa depois ser descartado sem mais, por acaso acaba descobrindo a identidade secreta do herói e destruindo sua plantação de superamendoins. Será este o fim do Superpateta?

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Mas é claro que não existe crime perfeito e que as plantas sempre dão um jeito de crescer de novo, se tiverem um mínimo de condição. Em todo caso, a temporária escassez de amendoins mágicos certamente dificultará as coisas, tornando a história toda mais interessante. Afinal, não haveria graça nenhuma se o super simplesmente fosse lá e prendesse o bandido, sem dificuldade.

Interessante e bastante hábil é o artifício que papai usa para fazer com que o vilão esqueça, no final da história, tudo sobre a identidade heroica do Pateta.

Uma coisa que o bandido e o herói têm em comum é a tendência a não saber controlar direito os próprios poderes, dando pulos errados e quebrando quase tudo em seu caminho. Isso terá uma consequência no final da história, como também acontece em algumas aventuras do Morcego Vermelho, por exemplo.

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E por falar no outro herói, aqui papai também usa o recurso do apedrejamento da estátua, como usou nas primeiras histórias do Morcego, para demonstrar o descontentamento do povo de Patópolis com o Superpateta.

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“Uma Rosa Para Uma Margarida”

História do Donald contra o Gastão, publicada uma só vez em 1973.

O conceito todo é baseado em um antigo galanteio, que consistia em oferecer flores às mulheres enquanto se dizia algo como “flores para uma flor”. Como a pata Margarida já tem nome de flor, a cantada fica até bastante conveniente, se bem que meio óbvia.

O que não vai ser nada óbvio é a competição entre o pato e seu primo ganso pela atenção da moça, que remete a um antigo conto de fadas no qual uma princesa árabe é disputada por três primos, e promete se casar com aquele que trouxesse o presente mais precioso.

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Uma vez lançado o desafio, os dois competidores se preparam como podem, com os equipamentos, a ajuda e as trapaças que conseguem reunir. É a proverbial sorte e as trapaças do Gastão contra a garra e tenacidade do Donald. O problema é que essa briga toda, em uma história Disney, não pode ser recompensada.

Na mesma revista, O Pato Donald 1114, há uma breve peça promocional de papai para o Manual do Mickey, que será republicado em breve. A mensagem é que não se deve reagir a assaltos, a não ser que você seja o Superpateta, é claro. Afinal de contas, o que é que configura um “caso extremo” que justificaria o uso do superamendoim?

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