O Feitiço Quaquaquá!

História da Maga Patalójika, de 1983.

A bruxa realmente não perde as suas manias. Além da obsessão de sempre pela moedinha número um, ela também não perde o hábito de querer usar feitiços do bem para o mal, como em “Nas Malhas da Magia”, de 1981. E isso, é claro, sempre tem um preço amargo para ela.

O feitiço do Mago Tantã, desta vez, na verdade está mais para invenção no estilo do Professor Pardal. Ou então, algo puxado mais para a alquimia do que para a confecção de poções. Em todo caso, como já vimos antes (em “Dormindo no Ponto”, de 1974), o gás do riso existe, e se chama Óxido nitroso. Ao que parece, ele tanto pode fazer rir como dormir.

Mas a semelhança com o Professor Pardal não para por aí: a intenção do bruxinho do bem de fazer as pessoas rirem tem grande semelhança com a do inventor patopolense em “O Espelho das Gargalhadas”, de 1976.

Essa é, também, a ambição de papai, mas ele sabia que não se pode simplesmente obrigar o leitor a rir. É preciso um pouco mais de tato. Afinal, muito de uma coisa boa também pode ser uma coisa ruim.

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Um Mago Tantã

História das Bruxas, de 1975.

Trata-se de mais uma tentativa de roubar a moedinha número um, é claro, e esta é realmente caprichada. Mas, como sempre, um pequeno erro de execução leva a um resultado inesperado logo de saída e à necessidade de improvisar, o que colocará tudo a perder para as vilãs.

O “plano perfeito com erros de execução” é algo que também acontece muito com os Irmãos Metralha, aliás. E é assim também na vida de muita gente: é fácil sonhar e planejar, mas colocar em prática são outros quinhentos. E olhem que as palavras mágicas usadas são realmente uma invocação de antigos mistérios (ou, pelo menos, a primeira delas).

Mas talvez por isso mesmo, e pela força de uma magia real e milenar como a Cabala, o resultado não poderia favorecer às bruxas. Afinal, nas histórias em quadrinhos, a magia é como os computadores: faz o que você manda, não o que você quer. A invocação de uma força do bem não pode resultar em um efeito do mal.

O interessante é que os poderes do Mago Tantã, que acaba de se formar com nota 10 em um curso de magia branca, são perfeitamente prodigiosos: ele consegue voar sem vassoura, e tem um poder de concentração absurdo. Por alguns quadrinhos realmente parece que, desta vez, com a ajuda dele (que está sendo usado como inocente útil, aliás), nada conseguirá impedir as duas malvadas de conseguir o que querem, o que só demonstra o quanto a magia branca é realmente muito mais poderosa do que a magia negra.

E esse é o erro das bruxas más: se elas se dedicassem a usar seus grandes poderes somente para o bem, provavelmente já teriam conseguido o poder mágico e a riqueza material que tanto desejam, sem precisar roubar o amuleto dos outros.

Fica a dica, criançada. 😉

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“Bruxo-Padrinho”

História da Maga Patalójika, de 1975.

A Maga é uma bruxa malvada, disso não há dúvida. E o Tantã é um bruxinho bonzinho, disso todo mundo sabe. Assim, quando ele aparece no laboratório dessa que é tia dele para fazer um estágio ao final do curso na Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o leitor pode ter certeza de que vem chumbo grosso por aí.

A coisa mais fácil de acontecer em um lugar onde se fazem poções, e que é o que acaba acontecendo, é uma grande bagunça, com líquidos esparramados e frascos quebrados. Nesse sentido, um laboratório de magia de uma bruxa de histórias em quadrinhos não é lá muito diferente de uma grande cozinha daquelas antigas, nas quais a presença de crianças não era bem aceita, justamente por causa do risco de acidentes com grandes panelas e fogões a lenha.

É óbvio que um acidente doméstico em um lugar cheio de feitiços prontos para serem lançados vai acabar causando uma transformação maluca, especialmente se, na bagunça, eles se misturarem todos de algum modo imprevisível.

Fácil, também, seria inverter a personalidade do Tantã, de bonzinho para temporariamente mau. Na verdade, isso seria um pouco fácil demais, e um pouco “manjado” demais. É por isso que papai escolheu um caminho diferente e, por isso mesmo, totalmente hilário. Afinal, até mesmo para um bruxo bom, sair por aí transformado em “fado” (uma espécie de fada do sexo masculino) é um pouquinho de humilhação demais.

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A Noite Dos Bruxinhos

História de Huguinho, Zezinho e Luisinho, de 1980.

A inspiração vem de uma história de Carl Barks de 1952. Dela papai usou o Dia das Bruxas, as fantasias dos patinhos e a participação da Bruxa Vanda com sua vassoura pensante, a Jezebel.

Para deixar clara a referência, ele usou inclusive um título parecido com o da história de Barks. Mas as semelhanças param por aí. Desta vez não há conflito com o Pato Donald, muito pelo contrário. O conflito será, aliás, completamente indireto, e essa é a principal diferença e o ponto forte desta história.

Fantasiados, os meninos nem estão pedindo doces ou donativos para si mesmos, mas sim para uma festa beneficente dos Escoteiros que, curiosamente, já está prestes a começar. (Papai não explica, mas seria interessante saber que despesa tão urgente é essa que força os garotos a arrecadarem dinheiro assim tão de última hora.)

O interessante é que o Luisinho até chega a ver os bruxinhos que são os vilões da história voando em suas vassouras várias vezes, mas não terá certeza e não haverá nenhum contato direto entre eles. Nem mesmo a Bruxa Vanda, companheira da aventura anterior, eles verão, desta vez.

Somente o Tio Patinhas chega a ver os dois conjuntos de crianças fantasiadas, já que os bruxinhos aproveitam a passagem dos meninos pela Caixa Forte para assumir a aparência deles, enganar o velho pato e assim entrar na fortaleza eles também.

Mas este não é o tema principal da história. É só o “gancho” que vai possibilitar a intervenção da Vanda e a punição dos bruxinhos. O tema da história não é o relacionamento dos meninos com o Donald, que mal participa da coisa toda. Não é exatamente o relacionamento dos patinhos com o tio rico (que hoje aliás está especialmente generoso, coisa rara, mas o tema também não é esse.) E certamente não é a festa beneficente dos Escoteiros.

O tema da história é puramente o Dia das Bruxas, e aquele tipo de magia que está constantemente à nossa volta mas que nós, materialistas e sobrecarregados com as tarefas do dia a dia, simplesmente não conseguimos ver.

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Também na Amazon, estou lançando um novo projeto: o Sebo Saidenberg, no qual inicialmente estou disponibilizando alguns dos livros de minha coleção particular que podem ser interessantes aos amigos, incluindo alguns poucos exemplares da biografia que estão comigo, e que seguirão autografados a quem os comprar diretamente do meu sebo.

A Casa Maluca

História da Fofura, de Ely Barbosa, criada e publicada no final de 1987 na revista Fofura número 14, da Editora Abril.

Ela lembra bastante uma história do Morcego Vermelho de 1973, já comentada aqui, sobre o mesmo tema. Mas, é claro, não é uma cópia, e sim uma variação.

Para começar, durante uma visita ao parque de diversões, temos um leve “conflito” entre o Nenê e seus pais porque ele é novo demais para certos brinquedos como a montanha russa e o trem fantasma. Vetados os brinquedos mais perigosos, sobra o carrossel. Não é exatamente a aventura que o Nenê quer, mas é o que temos para hoje.

Fofura Casa

Enquanto isso, disfarçada de gente, a “família coelho” composta por Fofura, Escovão e Escovinha também está passeando no parque. Como eles são um pouco maiores, podem ir a outras atrações, como a casa maluca, por exemplo.

O caldo engrossa quando se revela que a casa maluca é na verdade uma armadilha projetada pelos vilões Capitão Biruta e Tantã para capturar os coelhos. É neste momento que o Nenê precisa decidir como sair em socorro de seus amiguinhos sem desobedecer (demais) seus pais.

Fofura Casa1

As cenas dentro da casa adicionam movimento e humor à trama, com os heróis sendo chacoalhados e enganados de todas as maneiras possíveis, para a diversão do leitor.

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Um Convidado Bem Trapalhão

História do Pateta, de 1975.

O tema é um que já foi muito usado em filmes de terror tipo B e em histórias em quadrinhos do mesmo gênero, daquelas que papai escrevia nos anos 1960, antes de começar a trabalhar com quadrinhos infantis: o carro de um incauto qualquer tem uma pane mecânica no meio de uma noite escura e tempestuosa, próximo a um castelo aparentemente abandonado e de aparência lúgubre. Sem muita escolha, ele busca lá mesmo um abrigo para passar a noite e acaba se deparando com uma festa de monstros. A partir daí, muita coisa pode acontecer, e de fato acontece.

Nesta história em particular, o que vemos é uma espécie de embate entre o bruxinho Peralta, que quer assustar o Pateta a qualquer custo, e o bruxinho Tantã, que estudou magia branca e não faz maldades. Assim, o segundo bruxinho toma para si a tarefa de proteger o Pateta, sem ninguém saber. Já o próprio Pateta, protegido pela própria inocência e por seu “amigo secreto”, passa a história toda sem fazer ideia do que está realmente acontecendo, e é claro que isso torna a coisa toda ainda mais engraçada.

Pateta convidado

“Um Convidado Bem Trapalhão” é também o título de um filme de Peter Sellers, de 1968, no qual o igualmente patético e trapalhão personagem principal é convidado por engano para uma festa esnobe e acaba fazendo a maior confusão.

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O Exame Final

História das Bruxas, de 1976.

Crianças vão à escola, no universo Disney. Faz parte da visão de mundo da marca. E crianças bruxinhas vão, é claro, à escola de bruxarias. Mas, como toda criança sabe, nem tudo são flores no ambiente escolar. Além da convivência forçada com coleguinhas nada simpáticos e professores exigentes, ainda há o temido exame final anual. E, se exames escritos já são temidos, os orais são perfeitamente apavorantes. Nestes, não apenas não é possível colar facilmente, como também o aluno tem menos tempo para pensar em uma boa resposta. Adicione-se a isso o nervosismo natural de uma criança na frente de uma figura de autoridade, e temos a receita certa para um desastre.

Em todo caso, sempre que papai está envolvido, nada é o que parece e até mesmo o desenvolvimento de tramas aparentemente simples, como esta, pode render boas piadas e um final perfeitamente surpreendente, e eu não estou falando do resultado do exame. Qualquer leitor com um mínimo de imaginação e conhecimento sobre como as histórias Disney funcionam sabe que o bem sempre vence o mal, não importa o quanto pareça impossível.

Para começar, nesta história podemos perceber por que papai usava a “Bruxinha Criança” como se fossem duas: a Magali e uma segunda, chamada Perereca. Uma de modo geral boa (Magali), e a outra quase sempre má (Perereca). Me parece que esta foi uma tentativa de resolver um conflito que se arrastava desde 1967, no qual a bruxinha mudava de aparência e até mesmo de personalidade, dependendo do argumentista/desenhista que lidava com ela. A coisa toda estava, francamente, confusa demais. Já a solução de papai coloca frente a frente dois “casais” de bruxinhos, um bom e outro mau, o que cria um bem vindo equilíbrio de forças e uma interessante simetria.

Bruxas exame

Então, pessoal do Inducks, conformem-se. Depois da passagem de papai pelo universo Disney, podemos dizer que não são “duas versões da Magali (Witch Child)”. São duas personagens diferentes, mesmo. A Magali e a Perereca. Pode ser que elas sejam “gêmeas separadas no nascimento”, ou talvez a existência de uma delas possa ser resultado de alguma magia que as desdobrou em duas (afinal, nesse tipo de história tudo é possível), mas as duas bruxinhas são necessárias e têm sua razão de ser, nas histórias de meu pai.

Bruxas exame1

O nome do Mago Matusalão, o examinador oficial de todos os cursos de bruxaria em todo o mundo, é inspirado no do personagem bíblico Matusalém, que teria vivido por longos 969 anos e morrido no Dilúvio Universal (ou seja, se não fosse o Dilúvio ele teria facilmente vivido 1000 anos). Matusalém, então, passou a ser sinônimo de pessoa muito velha, na verdade um pouco “velha demais”. É o tipo de velho decrépito que já está enfraquecido, meio surdo, muito míope, mas que, entra ano, sai ano, continua entre nós. Em todo caso, esse é o tipo de pessoa que também costuma ser respeitado por sua sabedoria e experiência de vida.

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Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html