No Mundo Embananado

História do Esquálidus, de 1983.

Num enredo levemente inspirado em “Viagem ao Centro da Terra” de Julio Verne e nas teorias da “Terra oca”, papai nos leva em uma aventura subterrânea cheia de mistérios, intriga e reviravoltas.

Assim como o Mickey, o leitor passa metade da história sem entender direito o que está acontecendo, mas seguindo as pistas que levarão à solução da trama, que envolve o roubo de grandes quantidades de bananeiras inteiras da superfície. Além disso, o leitor também dará muita risada com as abundantes patetadas do Pateta ao longo dos quadrinhos, até que tudo seja finalmente revelado.

Mickey embananado

Apesar da aparência de macacos dos seres do Mundo Embananado (que nossos amigos tentarão imitar para não chamarem muito a atenção lá em baixo), de seu idioma de grunhidos, apetite por bananas e armas simples, como espadas e lanças, eles parecem ser uma civilização bastante desenvolvida, contando até mesmo com um magnífico palácio de ouro e poderosas máquinas de cavar túneis.

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O Estranho Mundo De Esquálidus

História do Mickey e do Esquálidus, publicada uma vez só no Brasil, em 1976.

A abertura desta história é uma referência a uma das primeiras aparições do Esquálidus nos quadrinhos, de 1947. Mickey e seu amigo estão na entrada da caverna onde se encontraram pela primeira vez, quando um acontecimento similar ao da primeira história faz o rato cair num buraco e ir parar na cidade do outro, que parece ficar na Terra Oca, ou algo semelhante.

MK mundo

E já que eles estão lá, o Esquálidus convida o Mickey para um passeio. A primeira surpresa da história é o material de construção da cidade, que é toda feita de diamante. Depois, vem o fato de que é só pensar em algo de que se está precisando, e essa coisa se materializa do ar.

Feitas as apresentações à cidade e seus habitantes, incluindo os membros das famílias do Pflip e do Próprio Esquálidus, alguns até então inéditos e criados por papai especialmente para esta história, como o Juiz Armandinho e o Vovô Esquálidus, é hora de inserir alguma tensão na trama.

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Uma pergunta que não quer calar é: como tudo o que se deseja aparece do nada? Num mundo tecnológico como esse, que está 500 anos à frente do nosso, o fato não pode simplesmente ser explicado por magia. É na verdade uma máquina que capta os pensamentos dos habitantes e materializa tudo. (Daí que deduzo que esse deve ser, também, o segredo do calção do Esquálidus, de onde ele tira uma coisa após outra, não importa o tamanho. É possível que ele tenha uma miniatura dessa máquina, ou talvez até uma super conexão Wi-Fi com ela, que leva dentro de sua única peça de roupa para todo lugar.)

Mas o caso é que o Mickey, desacostumado com essa coisa de usar seus poderes mentais, acaba causando um mau funcionamento na máquina. O problema é que lá isso é crime, e ele será julgado e condenado, já que o tal juiz não sabe o que é um julgamento justo. O rato, que não conhece a severidade de seu crime, nem a da punição que deverá receber, fica bastante ansioso. Só que esta é uma história da Disney, não se esqueçam disso.

Por fim, é preciso encontrar uma maneira de tirar o Mickey de lá. O Esquálidus pode subir flutuando de volta pelo buraco, mas para o rato isso está fora de cogitação. A verdade é que as maravilhas da cidade e as peripécias dos personagem são tantas, que o leitor até se esquece desse “detalhe”.

É nessa hora que papai aproveita para “amarrar” o resto das pontas soltas da trama, como o estranho aparelho com aparência de cadeira elétrica e os cacos de diamante que se desprendem dos prédios da cidade (e que lá são considerados lixo) que o Mickey insistiu em guardar no bolso.

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O Triunfo Do Superpateta

E assim chegamos ao final da saga subterrânea do Superpateta de 1975.

A bordo do elasmossauro mecânico, o Dr. Kanhestro “toca o terror” mais uma vez sobre os povos das profundezas da terra, apenas para ser definitivamente vencido e capturado pelo nosso herói, e então forçado a construir sua própria prisão lá mesmo na Terra Oca.

O submarino do vilão parece realmente um prodígio, mas logo começa a dar defeitos e revelar erros de fabricação. Além disso, a máquina passa a sofrer ataques de todos os lados, e no decorrer da história vai ficando cada vez mais avariada, o que só adiciona à graça da coisa toda.

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Por fim, o Pateta/Superpateta acaba saindo da Terra Oca pelo mesmo lugar por onde entrou, a cratera do vulcão Hekla, e por um momento temos a impressão que foi tudo um sonho do herói, causado pela queda de cabeça em decorrência do fim do efeito do superamendoim no início da primeira história. Os últimos quadrinhos nos provam, e ao Superpateta também, que foi tudo real.

Superpateta No Mar Subterrâneo

A penúltima história desta saga do Superpateta de 1975 é um instrumento de transição que dá uma bela “sacudida” na trama. Afinal, quem disse que a prisão do bandido precisa ser o fim da história?

No afã de levar o Dr. Kanhesto para a cadeia, como a maneira mais prática e rápida de eliminar o perigo para os povos da Terra Oca, o nosso herói se esquece que “aqui em cima” ele não é procurado por crime nenhum.

Solto pelas autoridades, o vilão se reorganiza e volta ao mundo subterrâneo, ou melhor, a um vasto mar subterrâneo, a bordo de um submarino muito pitoresco que tem o formato de um Elasmossauro, um dos muitos seres marinhos estranhos que habitariam as profundezas da terra.

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Dominado mais uma vez pelas engenhocas do tal doutor, que apesar de ser canhestro conseguiu criar algumas máquinas realmente do mal, o Superpateta parece incapaz de impedir os planos de dominação do vilão.

Papai usa este episódio para criar um novo conflito e mais tensão entre herói e bandido, mostrando que nem tudo é sempre tão simples como gostaríamos que fosse, mudando o “tom” da história (de um modo muito parecido com o dos músicos que mudam o tom de uma canção na metade para fazê-la parecer mais longa) e criando um novo suspense.

Conseguirá o bandido invadir e conquistar os três países subterrâneos e seus povos, atacando a partir do “mar interior” com a ajuda de suas máquinas malignas? Não perca o emocionante desfecho desta eletrizante série! (rs)

Superpateta Na Terra Dos Marotos

Continuando nossa saga de 1975 o Pateta, sem super poderes e quase sem super-amendoins, é salvo das Cavernas Escuras por mais um estranho habitante da Terra Oca.

Mas enquanto esses novos seres moram num verdadeiro parque de diversões e só pensam em se divertir, o vilão continua com seus planos malignos de dominação, manipulando os Ciclopes para fazerem o trabalho sujo de invadir os domínios dos outros povos.

E o Pateta tem seus próprios problemas para resolver, como por exemplo achar um meio de voltar a ser super para continuar combatendo o vilão. Quando tudo parece perdido ele consegue recuperar os seus poderes e capturar o Dr. Kanhestro, no melhor estilo dos antigos filmes de mocinho e bandido.

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Só que isso, é claro, não é o fim da saga. O melhor ainda está por vir.

Superpateta No Mundo Subterrâneo e Superpateta Encontra O Doutor Kanhestro

Em 1975 foi publicada uma Edição Extra do Superpateta, com mais uma das sagas que papai sabia compor tão bem. O primeiro título sugerido por ele era “20 Mil Léguas Subterrâneas”, uma referência ao livro “20 Mil Léguas Submarinas”, de Júlio Verne, publicado pela primeira vez em 1870.

A ação de todas as histórias desta série se passa num mundo subterrâneo cuja entrada é a cratera do vulcão Hekla, um vulcão real e ativo que fica na Islândia, em mais uma referência à teoria da Terra oca. De acordo com essa teoria, haveria vastas cavernas habitadas por povos estranhos abaixo da superfície, que habitamos.

As primeiras duas páginas são uma apresentação/introdução da série, uma mini-história na qual o Superpateta é atraído para dentro do vulcão por um pedido de socorro que ele ouve vindo de lá de dentro, com sua super audição.

Mas o efeito do superamendoim passa no momento em que se aproxima da cratera, e ao cair dentro do vulcão ele perde o chapéu.

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A segunda história dá início à aventura propriamente dita, e marca o encontro do nosso herói, ainda simples Pateta, com o Doutor Kanhestro, um auto denominado técnico de eletrônica que descobre o Mundo Subterrâneo e resolve tomar o poder no reino das toupeiras.

Com um exército de robôs criados por ele, o vilão usurpa o trono e ameaça o povo toupeira de várias formas para se manter no poder. Não devemos esquecer que nessa época o Brasil estava vivendo sob um regime militar ditatorial já há uma década, e qualquer semelhança não terá sido mera coincidência.

Pateta Kanhestro

O Pateta só recupera seu chapéu e seus poderes no final da primeira história. No tempo que passa como simples Pateta, sendo tratado como apenas mais um dos prisioneiros, ele aproveita para conversar com os outros escravos e descobrir a história do lugar.

A sorte do Superpateta é que nenhuma das máquinas que o vilão inventou funciona lá muito bem. Além disso, ele é bastante covarde, e foge ao primeiro aviso dos robôs de que o herói está em seu encalço. Com isso, acaba entrando numa área perigosa, de cavernas muito escuras, onde a próxima história acontecerá.

Perigo No Pólo Norte

A história que fecha esta trilogia de 1983 não poderia ser mais espetacular.

Novamente, a aventura em si começa após uma breve introdução, para lembrar aos leitores dos capítulos anteriores, e para dar o contexto a quem os perdeu e só começou a ler agora. E novamente, temos a caçada a um metal valioso, a presença disfarçada do Patacôncio na equipe do Patinhas, e o encontro com os alienígenas, desta vez em condições um pouco diferentes.

Mais uma vez tirando inspiração das teorias que existiam na época sobre a presença de seres de outros planetas na terra, no passado e na atualidade, papai usa a teoria da Terra Oca cuja entrada estaria no pólo norte, de acordo com livros como “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich Von Daniken, que ele tinha em sua estante e certamente leu.

Terra Oca

As cenas que mostram a cidade futurista do povo da Terra Oca também lembram muito os quadrinhos clássicos de ficção científica, como por exemplo “Flash Gordon no Planeta Mongo”, de Alex Raymond.

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Chegando à Terra Oca, os patos encontram, além dos alienígenas, um povo altamente desenvolvido do ponto de vista tecnológico. Desta vez não é possível simplesmente mandar tudo pelos ares no final da história, sem prejudicar seriamente um povo que não tem nada a ver com esta briga. Uma solução mais elaborada terá de ser encontrada.

E a solução que papai encontrou foi criar uma batalha entre patos e alienígenas, que termina com uma espetacular revoada de discos voadores sobre Patópolis, acompanhada dos clássicos comentários do povo no chão, do tipo “será um pássaro, será um avião?”.

discos voadores

O mais interessante é que o final da história tira a existência de seres de outros planetas do campo da mera especulação, prova sua existência para as câmeras de TV, e a transfere para o campo da ciência, proporcionando grandes avanços à humanidade. Isso é o que ele teria gostado de ver acontecer na vida real, também.

Isso, entre outras coisas, é claro. Quem ler (quem sabe um dia) verá.